Contos e Lendas

13.9.05

O ARREPENDIMENTO DA VELHA MÃE
ALLAN B CHINEN
CONTOS E LENDAS



Há muito tempo, uma velha estava sentada sozinha, ao cair da tarde. Justamente naquele dia, havia morrido sua última amiga, deixando-a sozinha, sem parentes ou pessoas em quem confiar e, em sua dor, recordava os muitos infortúnios por que passara, através dos anos. Primeiro havia morrido um filho, depois o outro, quando ainda eram crianças. Posteriormente, o marido - seguido de uma tia, de uma irmã e de todos os seus parentes, um a um. Agora estava sozinha e empobrecida. Em sua desventura, a velha mãe amaldiçoou o destino e voltou-se então contra Deus..

- O que eu fiz para merecer isso? - lamentou-se.

O bimbalhar dos sinos da igreja a acordaram e ela levantou-se., surpresa. - Dormi a noite toda sentada na cadeira! - exclamou. Correu logo para a igreja, como fizera todas as manhãs da sua vida. Quando chegou à capela, espantou-se ao constatar que ela não estava, como de costume, vazia. Os bancos estavam cheios de gente e a velha mãe se sentiu pouco à vontade, pois não reconhecia ninguém de sua aldeia. Então deu-se conta de que os fiéis ali presentes eram amigos e parentes que já haviam morrido!

Nesse momento, uma tia aproximou-se e disse à velha que olhasse para o lado do altar. Lá, a velha divisou dois moços, um pendurado na forca e outro amarrado na roda, ambos criminosos e fora-da-lei. - Isso é o que os seus filhos teriam sido - disse a tia - se o bom Deus não os tivesse levado para o céu, ainda inocentes. A velha mãe encheu-se de arrependimento e gratidão e correu para a casa, tremendo de emoção. Chegando lá, caiu de joelhos e agradeceu a Deus pela graça que antes não soubera ver. No terceiro dia , ela morreu, mas seu olhar estava tão calmo que todos os vizinhos se confessaram maravilhados quando chegaram para enterrá-la.

(Resumo do conto "A velha mãe" da obra de J. Grimm. The Complete Grimm's Fairy Tales, Trad. Por M. Hunt (Nova York: Pantheon, 1944))

(extraido do livro: "... E foram felizes para sempre - Contos de Fadas para adultos", de Allan B. Chinen, Editora Cultrix)







13.9.05

URUTAU, JURUTAUI OU MÃE DA LUA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE




O Urutau é uma ave noturna que, quando a lua desponta, solta um grito triste e assustador. Sobre ele, conta-se uma curiosa lenda.

Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada.

Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente - pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira - adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.

Certa vez, em um desses passeios, ouviu o tropel de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de uma cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal. A moça habilmente procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiura, pois não havia luar, pediu-a em casamento. Mas infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.

Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando. Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura, já estava bem longe.

Desolada, a ave - que era o urutau - procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pode fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste. É por isso que, quando a lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer "foi, foi, foi", lembrando o príncipe que fugira da moça feia.

O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco,dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seu pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou "Cuimbaé acaba de ser morto".

No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de "mãe-da-lua". Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. "Meu filho foi, foi, foi..." - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo testemunha que essa ave noturna, de canto agourento, "melancólico e estranho, lembrando uma gargalhada de dor", cercou-se de "misterioso prestigio assombrador".

Coutinho escreve que as penas dessa sinistra ave são um poderoso "amuleto de preservação da castidade feminina". A mesma informação é dada por Câmara Cascudo e Orico, que evocam o testemunho de José Veríssimo, 40, que afirma ser a pele da ave, seca ao sol, que serve de breve contra a luxúria, "curando" as donzelas das tentações do sexo. Bastava que se varresse o chão, a rede ou cama onde a jovem deitasse, para que fosse afastado dali o que pudesse despertar desejos carnais.

O mesmo caráter agourento é atribuído a outra esta espécie de coruja, a "Rasga-Mortalha", esta última - esclarece Câmara Cascudo - tem esse nome em virtude do som que produz o atrito de suas asas, que faz lembrar um pano sendo rasgado.







13.9.05

SOSSEGO DECORADO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Certa vez, no meio de atividades que eu tinha, loucamente, deixado que se fizessem consumidoras, fui a Atlantic City. Da minha janela poderia olhar diretamente para o mar, que se atirava suavemente sobre as macias praias arenosas. Era uma cena repousante de se contemplar.

O dia estava muito cinzento e nublado. Imperturbavelmente, o mar rolava em direção à praia, com seu rugido profundo, com seu incessante mas perfeito ritmo. Espuma clara borbulhava na crista de suas ondas.

Na praia, e subindo bem alto para o céu azul, depois deslizando com o vento, para baixo, com graça inefável, gaivotas gritavam e mergulhavam.

Tudo naquela cena era gracioso, belo, e conduzia à serenidade. Sua tranqüilidade benigna deitava sobre mim um bálsamo salutar e repousante. Fechei os olhos, e descobri que ainda podia visualizar a cena, tal como a tinha contemplado. Ali estava, tão bem delineado como eu a tinha realmente visto com meus olhos. Ocorreu-me que a razão de poder eu "vê-la" com os olhos fechados, era ter a memória absorvido a paisagem, e estar capacitada para reproduzi-la em pormenores.

Por que, então - raciocinei - não poderia eu reviver uma e muitas vezes aquela cena de tranqüila beleza, mesmo que meu corpo estivesse ausente daquele lugar?

Comecei, deliberadamente, a exercitar a visão de tranqüilas cenas de beleza, que realmente completara.

Às vezes, em meio de trabalho ativo, achei de proveito parar por um minuto ou dois e trazer à memória cenas armazenadas ali, cenas que me haviam impressionado pela sua beleza, e experimentar, mais uma vez, seu notável poder de tranqüilizar, de acalmar, de afrouxar a tensão.

Por exemplo, descobri que quando o sono vem com dificuldade, eu posso, realmente, atrair a sonolência visualizando, com a memória, cenas de tranqüilidade e paz. Deitando com os músculos bem frouxos em minha cama, exercito voltar com a memória para trás, o mais recuadamente possível, e recordar uma por uma as experiências verdadeiramente repousantes de minha vida, tal como a ocasião em que fixei meus olhos no Monte Branco, quando a vasta montanha aparecia banhada em luar. Ou a radiante manhã, beijada de sol, quando nosso grande navio branco lançou âncora nas águas incrivelmente azuis da Praia de Waikiki, no Havaí. Ou naquela tarde mística em que observei, pela primeira vez, as sombras violáceas encherem o Grand Canyon, tornando-o transbordante de silêncio. Ou observando o sol a atravessar velhos bordos sobre um gramado verde, numa tarde de verão, em minha casa de campo.

Atravessando aquelas maravilhosas cenas de beleza e de paz através do poder da memória para recriá-las, a paz de Deus domina-me e eu vou descambando para um sono profundo e pacífico.

Assim, de vez em quando, deixe à parte seus cuidados e os problemas do dia, e percorra com a memória os lugares e as cenas mais belas que já viu ou testemunhou. Isso o aquietará, e, enquanto você se entrega ao poder benigno da visualização tranqüila, encontrará repouso e afrouxamento da tensão.







1.9.05

TANTRA E YOGA
OSHO
CONTOS E LENDAS



É possível encontrar uma síntese entre Yoga e Tantra?

Não, é absolutamente impossível. Isso é tão impossível como se você tentasse encontrar uma síntese entre homem e mulher. Então qual será a síntese? Um terceiro sexo, uma pessoa impotente, será a síntese e isso não será nem homem nem mulher. Sem raízes, esse homem não estará em lugar algum.

Tantra é absolutamente oposto, diametralmente oposto à Yoga. Você não pode fazer qualquer síntese, e jamais tente tal coisa pois você ficará cada vez mais confuso. Um é bastante para lhe confundir; dois será demais! E eles levam a direções diferentes. Eles atingem o mesmo cume; alcançam o mesmo pico - síntese está lá no topo, no clímax - mas no vale, onde a jornada tem início, eles são absolutamente diferentes. Um vai para o Oriente, o outro para o Ocidente. Eles dizem adeus ao outro; eles dão às costas um ao outro. Eles são como homem e mulher - psicologias diferentes, belos em suas diferenças.

Se você fizer uma síntese, isso se torna feio. Uma mulher tem que ser uma mulher... uma mulher tal que ela se torna uma polaridade ao homem. Em suas polaridades eles são belos pois na polaridade deles eles são atraídos um pelo outro. Na polaridade deles eles são complementares, mas você não pode sintetizar. Síntese será bem pobre, síntese será apenas débil. Não haverá nenhuma tensão nisso.

No pico eles se encontram, e esse encontro é orgasmo Onde homem e mulher se encontram, quando seus corpos dissolvem-se, quando eles não são duas coisas, quando yin e yang são um, isso se torna um ciclo de energia. Por um momento, no cume da bio-energia, eles se encontram e depois caem de novo.

O mesmo acontece com Tantra e Yoga. Tantra é feminino, Yoga é masculino. Tantra é rendição, Yoga é vontade. Tantra é passividade, Yoga é esforço...tremendo esforço. Tantra é passivo, Yoga é Ativo. Tantra é como a terra, Yoga é como o céu. Eles se encontram, mas não há nenhuma síntese. Eles se encontram no topo, mas no vale onde a jornada começa, onde vocês todos estão, você tem que escolher o caminho.

Caminhos não podem ser sintetizados. E as pessoas que tentam fazer isso, confundem a humanidade. Eles confundem muito profundamente e eles não são uma ajuda; são bem prejudiciais. Caminhos não podem ser sintetizados, só o final. Um caminho tem que ser separado de outro caminho... perfeitamente separado.

Tantra não tem nenhum conceito de pecado, de nenhuma culpa. Mova-se para o sexo. Apenas permaneça alerta, observando o que está acontecendo. Esteja alerta, ciente do que está acontecendo. Mas não tente controlar, não tente conter-se; permita o fluxo. Mova-se para a mulher; deixe que a mulher mova-se para você. Deixe-os ficar como um círculo e você permanece um observador. Através desse observar e relaxar, Tantra realiza uma transcendência. Sexo desaparece. Essa é uma maneira de ir além da natureza pois ir além do sexo é ir além da natureza.

Yoga diz para não desperdiçar energia: desvie-se do sexo completamente. Não há necessidade de ir para o sexo: você pode simplesmente desviar-se disso. Conserve energia, e não se deixe enganar pela natureza. Lute com a natureza, torne-se uma força de vontade; torne-se um ser controlado, não flutuando por aí.

Todos os métodos da Yoga são para lhe tornar capaz para que não haja nenhuma necessidade de relaxar na natureza, nenhuma necessidade de deixar a natureza ter seu próprio caminho. Você se torna um mestre e você move-se por si mesmo contra a natureza, lutando com a natureza. É um caminho do guerreiro - o guerreiro impecável que luta continuamente, e transcende através da luta.

Estes são totalmente diferentes. Eles conduzem a mesma meta: escolha uma; não tente sintetizar. Como você pode sintetizar? Se você for através do sexo, Yoga é abandonada. Como você pode sintetizar? Se você largar o sexo, Tantra é abandonado. Como você pode sintetizar? Mas lembre-se, eles conduzem ao mesmo objetivo: transcendência é o objetivo. Isso depende de você - de seu tipo.

É você do tipo guerreiro, um homem que luta continuamente? Então Yoga é o seu caminho. Se você não for do tipo guerreiro, se você for passivo - de uma maneira sutil feminino, você não gostaria de lutar com ninguém, realmente não-violento - assim Tantra é o caminho, e devido a que ambos levam a mesma meta, não há nenhuma necessidade de sintetizar.

Sintetizadores, para mim, estão quase sempre errados.

Não se importe com sínteses. Você simplesmente escolhe seu caminho e se agarra a isso. E não se deixe seduzir pelos outros que ficarão lhe chamando para vir para o caminho deles.

A única coisa com que se preocupar é sentir seu tipo e escolher. Não sou contra coisa alguma; sou a favor de tudo. O que quer que você escolha, posso lhe ajudar desse jeito. Porém, nenhuma síntese. Não tente pela síntese.

Yoga: The Alpha and Omega

O que você pode dizer é, em resumo, sua atitude para com todos os muitos diferentes caminhos?

Estou ensinando uma síntese.

Meu sentimento é que o homem que tem estado somente experimentando a Yoga irá permanecer parcial, irá crescer somente em parte... como se a mão de um homem tivesse ficado grande demais e o corpo inteiro ficasse pequeno. Ele irá ser um monstro a menos que ele possa experimentar também com Tantra, pois Tantra é complementar à Yoga.

Lembre-se, esse é um dos meus insights básicos: na vida não existem contradições. Todas as contradições são complementares. Noite é complemento do dia, assim é o verão para com o inverno, assim é a morte para com a vida. Eles não são contra um ao outro. Não há nada contra coisa alguma, pois só existe uma energia; é uma existência. Minha mão esquerda e minha mão direita não estão uma contra a outra, elas são complementares. Opostos são exatamente como as asas de um pássaro, duas asas: elas parecem opostas uma a outra contudo elas apóiam uma a outra. O pássaro não pode voar com uma asa.

Tantra e Tao precisam ser experimentados juntos.

Yoga agora tem um grande insight para a disciplina, e Tao tem um grande insight para a espontaneidade. Eles são opostos na superfície, mas a menos que sua disciplina lhe faça mais espontâneo e a menos que sua espontaneidade lhe torne mais disciplinado, você não estará completo. Yoga é controle, Tantra é descontrole; e ambos são necessários.

Um homem precisa ser tão capaz de ordem que se surgir a necessidade ele possa funcionar em total ordem. Ordem porém, não deve se tornar uma fixação; senão ele se tornará um robô. Ele deve ser capaz de sair do seu sistema, de sua disciplina, sempre que for necessário, e ele pode ser espontâneo, flutuando num deixar ir. Que ele possa conseguir somente através do tantra, de nenhum outro lugar mais.

Estou trazendo todos os opostos para a vida de meus sannyasins como complementos.

Os ioguis estarão contra mim porque eles não podem ver como sexo e amor podem ser uma parte na vida de um buscador. Eles estão com receio. Eles estão com medo do sexo pois o sexo é a coisa mais espontânea na sua vida. Isso precisa ser controlado. Eles sabem que o sexo uma vez controlado, tudo mais fica controlado, desse modo o ataque básico deles é sobre o sexo.

Tantra diz que se seu sexo não for espontâneo toda sua vida se tornará semelhante a um robô. Ela tem que ser livre. Ambos estão certos, e ambos estão certos juntos! - essa é minha abordagem. Parecerá absurdo porque minha abordagem é bem ilógica. Lógica irá sempre insistir: Seja ou um iogui ou um Tântrico. Eu acredito na vida; não creio na lógica; e vida é ambos juntos.

Uma grande disciplina é necessário na vida, pois você tem que viver num mundo com tantas pessoas. Você tem que viver com disciplina; senão a vida se tornaria um caos. A vida ficaria impossível se você não pudesse viver com uma disciplina. Mas se você só vive com disciplina e esquece da espontaneidade e você se torna a disciplina e você não é capaz de sair fora disso, assim novamente a vida é perdida. Você tornou-se uma máquina. Agora, estas são as duas alternativas que estiveram disponíveis para o homem até agora: ou se torne um caos - que não é bom - ou se torne uma máquina. Que também não é bom.

Eu quero que você fique alerta, cônscio, atento, disciplinado, e ainda capaz de espontaneidade. Quando você estiver trabalhando, seja disciplinado. Mas trabalho não é tudo. Quando você estiver brincando, esqueça toda a disciplina.

Eu costumava ficar numa casa em Calcutá com um juiz da suprema corte. A esposa dele me disse, "Meu marido só escuta a você. Você é a única pessoa que pode trazer algo para a vida dele. Toda nossa família está cansada dessa atitude dele. Ele permanece o magistrado mesmo em casa". Ela disse, "Mesmo na cama ele permanece o juiz da suprema corte. Ele espera que eu o chame de, 'Meu Senhor'. Ele nunca é espontâneo, e em tudo ele cria regras e leis. As crianças estão cansadas. Quando ele entra em casa toda a casa cai no silêncio, toda alegria desaparece. Todos ficamos esperando que ele vá para a corte".

Agora, eu conheço esse homem: ele é um bom juiz, um magistrado muito consciencioso, muito sincero, honesto - e estas são boas qualidades - ele contudo tornou-se uma máquina. Se ele chega em casa e permanece o magistrado, isso não é bom. A pessoa tem que relaxar também. A pessoa precisa brincar com as crianças, mas ele não pode brincar com as crianças; isso seria se rebaixar demais. Mesmo com sua esposa ele permanece no alto pedestal, distante; ele ainda permanece o magistrado.

Isto é o que aconteceu com os seguidores da Yoga: eles não podem ser brincalhões, eles não podem desfrutar de coisa alguma, eles não podem participar na celebração... pois eles não podem relaxar.

Somente Tantra cria o caos. Só o Tantra lhe torna muito, muito egoísta. Você não se importa com ninguém. Você esquece que é uma parte de um imenso todo, que você pertence a uma sociedade, que você pertence a existência e você está comprometido com essa existência; sem isso você não estará em lugar algum. Você tem que preencher algumas exigências do lado da existência, do lado da sociedade. Se você se tornar completamente caótico, então você não pode existir. Assim ninguém pode existir.

Portanto, precisa haver um grande entendimento entre caos e mecanicidade. Exatamente no meio há um ponto onde eu gostaria que meus sannyasins estivessem, exatamente no meio; capaz de ir para ambos os extremos quando necessário, e sempre capaz de afastar-se daí. Eu ensino fluidez, eu ensino essa liquidez.

Não ensino padrões de vida fixos, gestalts mortas. Ensino sínteses para crescimento na vida, padrões de crescimento, gestalts de crescimento, e sempre capaz de compreender o outro, o oposto. Assim a vida é bela.

A gente só pode conhecer a verdade quando a gente for capaz de transformar os opostos em complementos. Só assim nossa vida é simétrica. Há um equilíbrio; ambos positivo e negativo ficam igualmente equilibrados. Esse equilíbrio é transcendência. Nesse equilíbrio a pessoa conhece o além, a pessoa se abre para o além. A flor dourada viceja.






1.9.05

ARES OU MARTE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Deus da guerra, filho de Zeus e de Hera. Deleitava-se com a guerra pelo sei lado mais brutal, qual seja a carnificina e o derramamento de sangue.

Inimigo da serena luz solar e da calmaria atmosférica, ávido de desordem e de luta. Ares era detestado pelos outros deuses, o próprio Zeus o odiava.

Tinha como companheiros nas lutas Éris, a discórdia; Deimos e Fobos, o espanto e o terror, e Ênio, a deusa da carnificina na guerra.

Amou Afrodite, da qual teve Harmonia, Eros, Anteros, Deimos e Fobos.

Deus da guerra e filho de Zeus, rei dos deuses, e sua esposa, Hera. Os romanos o identificaram com Marte, também um deus da guerra. Ares, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra.

Era impopular tanto com os deuses quanto com os humanos. Entre as divindades associadas com Ares estavam sua mulher Afrodite, deusa do amor, e divindades menos importantes, como Deimos (o Temor) e Fobos (o Tumulto), que o acompanhavam em batalha.

Embora Ares fosse bélico e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais. A adoração de Ares, que se acredita ter origem na Trácia, não se estendia à toda a antiga Grécia, e onde existiu, não tinha importância social ou moral. Ares era uma divindade ancestral de Tebas e tinha um templo em Atenas, aos pés do Areopago, ou Colina de Ares.

Filho de Zeus e de Hera, de quem terá herdado o carácter intratável (segundo seu pai), Ares nasceu na Trácia, o país das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. Ele pertence à geração dos doze grandes deuses do Olimpo, sendo venerado como o deus da guerra e da luta. A sua força física invulgar correspondia à sua fúria sanguinária. (Relacionamos o seu nome com a raiz grega arque significa: destruir.)

Ares era completamente obcecado pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os campos de batalha, coberto com uma armadura de bronze e munido com uma enorme lança, espalhando o terror. Habitualmente era acompanhado por Éris, a Discórdia, e pelas sombras Kéros, sequiosas de sangue fresco.

Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente, o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era Atena, deusa da razão, com quem entrava frequentemente em conflito. Ela dominava-o e atormentava-o facilmente, pois a violência de Ares era tão primária nas suas manifestações, tão pouco subtil, que o colocava assiduamente em situações humilhantes. Recordemos, a propósito, a sua captura pelos dois gigantes Aloídas, que o prenderam durante treze meses num vaso de bronze, até que Hermes o veio libertar. Mas a pior de todas as suas humilhações foi-lhe infligida por Hefesto.

Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu exactamente com o deus da guerra. Ora, para evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu segredo, Ares colocou como sentinela o seu favorito Alectrião. Mas, certa manhã, este adormeceu, e então Hélio descobriu o casal e avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da metalurgia lançou sobre os amantes uma rede invisível, a fim de os aprisionar. Depois convocou todas as divindades do Olimpo, para que elas assistissem ao despertar dos culpados e ao seu embaraço. Mais tarde, Ares, por vingança, transformou o seu favorito num galo que, a partir desse dia, vigiaria e anunciaria, pontualmente, o nascer do sol.

Afrodite foi, sem dúvida, o seu grande e único amor entre as imortais, a ponto de Ares se comportar como um amante possessivo e ciumento, desembaraçando-se ardilosamente dos seus rivais, como Adónis, a quem ele inspirou a paixão pela aventura, conduzindo-o assim à morte. Desta união ilícita nasceram diversas crianças (destacamos, entre outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas também o povo guerreiro das Amazonas, descendente de Ares, é apresentado, por vezes, como nascido de Afrodite). Apesar disto, Ares contraiu outras uniões, mas a sua posteridade não conheceu uma sorte invejável. Os filhos nascidos destes amofes são, todos eles, apresentados como seres sem grande importância, seres violentos e salteadores.

Flégias, por exemplo, incendiou por vingança o templo de Delfos, sendo morto por Apolo. Diomedes, que alimentava os seus cavalos com carne humana, acabou, ele próprio, por servir de repasto a estes animais. E o obstinado Meleagro só conheceu uma vida de provações e dificuldades. E, finalmente, a infortunada Alcipe foi violentada por um filho de Posídon, que Ares posteriormente matou. Mas Posídon procurou vingar-se, conduzindo-o perante o tribunal dos deuses, que se reuniu no próprio sítio do crime, numa colina de Atenas. Apesar de tudo, o assassino beneficiou de circunstâncias atenuantes, não sendo por isso sacrificado. E a colina onde se realizou o julgamento recebeu o nome de colina de Ares, o Areópago, servindo doravante de sede dos processos de carácter religioso.

Ares (os Romanos deram-lhe o nome de Marte) foi representado pelos escultores e pintores de todos os tempos (Roma, museu Borghèse e Paris, Louvre). Citemos, entre aqueles que o associaram a Afrodite (Vénus): Piero di Cosimo (Berlim), Botticelli (Londres), Mignard (Avigon), Le Brun (Louvre), Poussin (Louvre), Véronèse (Turim), Boucher (Londres); e entre aqueles que o pintaram na companhia de Atena (Minerva): Véronèse (Berlim), David (Londres), etc. Velásquez consagrou-lhe uma tela célebre (Madrid, museu do Prado).

O seu nome é conotado com a raiz mar, que evoca a força geradora - foi, inicialmente, para os Romanos, um deus agrário. Ele era especialmente adorado na Primavera (no mês de Março) e muito particularmente pela juventude.

Os seus atributos guerreiros só vieram mais tarde e acabaram por suplantar os anteriores, que foram transferidos para Libero. Marte é o deus dos exércitos (que manobram no campo de Marte, à volta das muralhas de Roma), travando batalhas ao lado dos seus fiéis, geralmente escoltado pela deusa Belona (sua irmã, sua esposa ou sua filha?).

O seu culto teve, em Roma, uma importância comparável ao culto de Júpiter. Com efeito, o Romano, camponês e soldado, reconhecia em Marte o seu protector imediato. Além disso, Marte era associado à história de Roma, nas suas origens: apaixonado pela vestal Reia Sílvia, ele visitara-a no bosque sagrado onde seu tio, o rei de Alba, a tinha aprisionado. Deste encontro amoroso nasceram Rómulo e Remo, os dois gêmeos que teriam sido alimentados por uma loba, animal consagrado a Marte.

Filho de Juno (Ovídio conta que a deusa o concebeu não como resultado dos seus amores com Júpiter, mas através de uma flor fecundante), Marte foi rapidamente identificado, pela lenda, ao deus grego da guerra, Ares.

O dia de Marte (Martís dies) é a terça-feira.






1.9.05

LLYR, THLEER, LIR, MANANNAN MAC LIR OU MANNAN-AWN MALIKLIR
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA E DO PAIS DE GALES
MITOLOGIA E FOLCLORE



Deus do oceano e água.

O Velho Homem do Mar.

Deus do oceano, navegantes, das tempestades, fertilidade, artes, renascimento.






1.9.05

SENDO AMAVEL
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Em uma noite de tempestade, muitos anos atrás, um homem e sua esposa entraram em um pequeno hotel para fugir da chuva.

- Você poderia nos arranjar um quarto? O marido perguntou.

O atendente, um homem jovem e gentil com um largo sorriso, olhou o casal e explicou que estavam acontecendo três convenções na cidade.

- Todos os nossos quartos estão ocupados. Disse o balconista. - Mas eu não posso deixar o simpático casal na chuva à essa hora da noite. Se estiverem dispostos a dormir em meu quarto... Não é exatamente uma suite, mas será o suficiente para deixar-lhes confortáveis durante a noite.

Quando o casal recusou, o jovem insistiu,

- Não se importem comigo. Eu consigo me ajeitar

Assim o casal acabou concordando.

Ao pagar a conta na manhã seguinte, o homem disse ao jovem atendente,

- Você é o tipo de gerente que deveria cuidar do melhor hotel do país. Talvez algum dia eu construa um para você.

O atendente deu-lhes uma piscadela e sorriu. Os três deram uma boa gargalhada. Enquanto se afastavam, o casal comentou entre si que encontrar pessoas tão amigáveis e úteis não é fácil.

Dois anos se passaram. O atendente tinha-se esquecido do incidente quando recebeu uma carta daquele homem. Lembrava daquela noite de tempestade e incluía uma passagem de ida e volta para New York, pedindo que o jovem lhes fizesse uma visita.

O homem o recebeu em New York e conduziu-se lhe à um ponto da quinta avenida. Apontou então um novo e grande edifício, um palácio de pedras avermelhadas, com torres apontando para o céu.

- Aquele, - disse o homem, - é o hotel que eu só construí para que você seja o gerente.

- Você deve estar brincando. Respondeu o jovem.

- Posso garantir-lhe que não estou. O homem respondeu abrindo um sorriso.

O nome do homem era William Waldorf Astor, e a estrutura magnífica era o original The Waldorf-Astoria Hotel, hoje um dos hoteis mais luxuosos do mundo.

Aquele atendente que se tornou seu primeiro gerente era George C. Boldt.

Aquele atendente jamais imaginou que uma atitude tão simples como a de cumprir bem e amavelmente o seu papel, lhe levaria a se tornar o gerente de um dos mais fascinantes hotéis do mundo






31.8.05

NARASIMA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA INDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



O leão-homem foi avatar de Vishnu. Brahma, tinha dado invulnerabilidade a um demônio durante o dia e durante a noite. O avatar matou o demônio ao crespúsculo.






31.8.05

ATENA E ARACNE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Atena foi desafiada por Aracne, uma presunçosa mortal, numa competição de destreza sobre a tecelagem de uma tapeçaria.

Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de Zeus.

Na tapeçaria, Leda estava acariciando um cisne, animal em que Zeus se transformara para poder entrar no dormitório da rainha casada e fazer-lhe a corte.

Um outro painel era de Dânae, a quem Zeus fecundou na forma de um chuvisco dourado; um terceiro painel representava a donzela Europa, raptada por Zeus disfarçado na forma de um majestoso touro branco.

O tema de sua tapeçaria era a ruína de Aracne, Atena ficou tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e induziu Aracne a se enforcar.

Depois, sentindo pena, Atena deixou Aracne viver, e transformou-a em aranha, condenada para sempre a tecer. Observe-se que Atena, muitíssimo defensora de seu pai, a puniu por tornar público o comportamento velhaco e ilícito de Zeus mais do que pelo desaforo do próprio desafio.

Atena, conforme consta nos arquivos mitológicos,nem conheceu homem nem se preocupou por nenhum deles, fosse mortal, semi-divino ou plenamente entronado no Olimpo.

Mas a deusa-virgem também foi a sagrada inventora da maior parte das coisas e dos ofícios úteis para a humanidade que nela confiava. Entre as suas invenções está a fiação e o tecido e, nessas questões, os seus ciúmes profissionais eram tão fortes como os de uma mulher apaixonada no amor.

Pois bem, há um momento na crônica de Atena em que surge a paixão e a divina dama perde o controle dos seus temperados nervos de aço.O caso foi que Aracne, princesa de Lídia, que era uma hábil e primorosa donzela com o tear, elaborou uma tela maravilhosa, que teria que ser a sua última obra.

Atena teve nas suas mãos o pano de Aracne e, à medida que o examinava, crescia a sua irritação, porque o pano da princesa era mais belo do que nenhum que tivesse visto, tão perfeito como se tivesse sido obra dos poderes celestiais. Aquela demonstração de perfeição e arte era demasiada humilhação para a deusa.

Perante o delicado desenho de um Olimpo cheio de quadros plenos de colorido e intenção, em que se descreviam as mais românticas cenas dos povoadores de tão ilustre morada, Atena não soube senão que não devia: destroçar o pano até reduzi-lo a farrapos.

Aracne, dolorida ou aterrorizada pela crueldade da sua rival têxtil, suicidou-se, enforcando-se no teto. A vingança de Atena não terminou com a sua morte e a deusa satisfez-se até o infinito, fazendo com que, a partir desse momento, a pobre Aracne passasse a ser uma aranha, com a sua corda de morte transformada em fio salvador que lhe permitiu desandar o caminho da morte até voltar à vida, embora (isso sim) já convertida num inseto pouco engraçado e ainda menos apreciado.






31.8.05

PROCURA-SE UM AMIGO
VINICIUS DE MORAES
CONTOS E LENDAS



Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.

Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.

Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.

Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.






30.8.05

CONCHOBAR MAC NESSA
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Rei do poderoso reino de Uladh (Ulster), ao norte da ilha de Irlanda.

Figura representativa do caráter sagrado da realeza irlandesa e personificação do reino.

Como protetor, pacificador, árbitro e juiz supremo, garante a prosperidade do reino.

Ainda estava casado quando se enamorou perdidamente por Deirdre, filha de um chefe de Ulster.

No momento de seu nascimento, um druida predisse que seria a mulher mais bela da Irlanda, mas também seria a causa da morte e destruição que assolaria o país.

Quando Deirdre cresceu, Conchobar já era velho, assim que o rechaçou e teve um caso com um jovem guerreiro chamado Naoise, o rei não deixou de amá-la e fez com que assassinassem Naoise, casando-se mais tarde com Deidre.

Ela, desesperada, suicidou-se, jogando-se de um carro em marcha.

Fergus Mac Roth, aborrecido com o comportamiento de Conchobar, passou-se para o lado dos inimidos de Ulster e começou uma guerra.

Conchobar morreu por magia, um projétil feito com Conal com o cérebro de um rei de Leinster assassinado, que se alojou em seu crânio. Os médicos aconselharam ao rei repouso e tranquilidade, porém anos mais tarde sofreu um acesso de fúria e, em conseqüência, o projétil mágico o matou.







30.8.05

EL PRISIONERO DE SAMARCANDA
IDRIES SHAH
CONTOS E LENDAS SUFI



Hakim Iskandar Zaramez y Abdulwahab el Hindi pasaban un día por la esquina de una gran casa de Samarcanda, cuando oyeron un grito salvaje.

"Están torturando a algún pobre desgraciado", dijo el Hindi, deteniéndose y escuchando cómo los gritos aumentaban.

"¿Te gustaría aliviar el sufrimiento?", preguntó Zaramez.

"Por supuesto. En tu condición de wali, de santo, seguramente puedes hacerlo, con el permiso de Dios."

"Muy bien", dijo el Hakim, "voy a demostrarte una cosa".

Zaramez se alejó cinco pasos de la esquina de la casa. Los gritos dejaron de oírse.

"¡Te alejas y cesa el ruido! Yo siempre he oído decir que es acercarse a alguien afligido lo que mitiga el dolor", dijo El Hindi.

El Hakim sonrió, pero no dijo nada más, haciendo el gesto que entre los sufíes significa: "En un determinado momento, una pregunta puede no tener respuesta por el estado de quien pregunta."

Muchos años después, cuando El Hindi estaba en Marruecos, una noche oyó cómo un derviche contaba sus experiencias a un grupo de estudiantes, en la recoleta ciudad de Maula Idriss. Entre otras cosas, el derviche contó lo siguiente:

"Cierto día del mes de Ramadán el Mubarak, hace muchos años, me tomaron por un vagabundo por mi manifiesta miseria y mi aspecto de pordiosero. A la espera del juicio, me encerraron en una celda de piedra situada en una de las esquinas del muro exterior de la casa de Kazi. Esto sucedió a las afueras de Samarcanda, al norte.

"De repente sentí, de forma inequívoca, la presencia de un santo afuera, no muy lejos. Entonces me alegré de mi suerte, y me senté en silenciosa meditación. Empecé a gemir, a chillar y a agitarme, porque había un poder sobre mí, y porque no podía escapar por mucho que quisiera acercarme a él.

"Después, noté que se había alejado, molesto con mi alboroto. Le dejé que se acercara de nuevo, quedándome tan tranquilo y silencioso como la noche."

El sheik del círculo del derviche dijo:

"Tu experiencia podía haberte enseñado que a la gente le afecta mucho más la baraka* cuando se encuentra según todas las apariencias más allá de su alcance. El wali estaba enseñándote eso, aunque tú estabas encerrado y él, a los ojos de algún observador, parecía estar haciendo otra cosa bien diferente, o nada en absoluto."

El Hindi cuenta:

"Gracias a este hecho empecé a comprender de verdad que no es sorprendente que la gente tenga "experiencias espirituales". Lo que puede ser sorprendente es que las tengan tan pocas personas y lo que sin duda es aún más sorprendente es que, en vez de aprender de esas experiencias, las veneren y las tomen por lo que no son."

* En sentido general, significa "bendición", "poder impalpable". En un sentido más estricto, los sufíes utilizan este término como la "transmisión espiritual" que un maestro lleva a cabo con un discípulo. (N. del T.)







30.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à professora:

Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:

Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse:

Eu trouxe esta flor, não é linda?

A segunda criança falou:

Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha coleção.

A terceira criança completou:

Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?

E assim as crianças foram se colocando.

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.

A professora se dirigiu a ela e perguntou:

Meu bem, por que você nada trouxe?

E a criança timidamente respondeu:

Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la.

Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?

A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no coração".







30.8.05

POR QUE MINHA ESPOSA COMPROU ALGEMAS
PHILIP GULLEY
CONTOS E LENDAS




Quando eu tinha 23 anos, tomei a melhor decisão de minha vida. Pedi em casamento uma mulher bonita e engenhosa. E ela aceitou, contrariando os conselhos de suas amigas, de sua família e de uma boa parte dos habitantes do mundo ocidental. No dia do nosso casamento, as damas de honra usaram roupa preta.

Por oito anos, eu fui um exemplo de responsabilidade. Trabalhava muito. Enxugava a louça. Abaixava a tampa do vaso sanitário. Logo depois, minha esposa engravidou. Passei a freqüentar cursos de gravidez e aprendi a ser solidário. Quando levamos Spencer para casa, eu me levantava à noite com minha esposa para alimentá-lo. E, quando ele regurgitava em mim, eu agia com bom humor.

Três meses depois do parto; Joan voltou a trabalhar fora, em seu emprego de meio expediente. Na manhã do primeiro dia de trabalho, ela me alertou para ficar de olho em nosso filho. Senti-me ofendido e disse a ela:

— Por favor, querida, será que já não provei que sou um pai confiável?

Por isso, penso que foi a desconfiança de minha esposa que me fez esquecer de levar meu filho comigo quando fui à mercearia naquela tarde.

Eu já estava a caminho da mercearia quando olhei ao redor. Ele não se encontrava ali! Corri para casa e o encontrei no berço, olhando-me com ar carrancudo. Eu sabia o que ele diria quando aprendesse a falar. Confessei meu erro a Joan em um jantar à luz de velas, presenteando-a com uma nova pulseira de prata.

Por ser cristã, Joan perdoou-me e deu-me mais uma chance. Na manhã seguinte, após ter-me algemado a Spencer, ela disse:

— Querido, eu confio em você.

Ao refletir sobre esta experiência, aprendi duas lições: A primeira é que ter filhos causa um dano irreparável às áreas do cérebro relacionadas com a memória; e a segunda... ah... qual é mesmo a segunda? Ah, sim, a segunda é: Às vezes, todos nós nos sentimos esquecidos.

Na verdade, aprendi a segunda lição quando era criança. Durante uma viagem de carro, minha família também se esqueceu de mim. Estávamos de férias — cinco crianças, mamãe e papai — e paramos para comer no Stuckey’s. Eu estava no banheiro quando eles entraram no carro e partiram. Só depois de rodarem mais de 30 quilômetros foi que notaram a falta de um dos filhos. Fizeram uma votação e decidiram voltar para me buscar. A votação quase empatou, mas mamãe mudou de idéia no último minuto.

As vezes, então, podemos nos sentir esquecidos. O texto mais triste da Bíblia é aquele quando Cristo pergunta a Deus por que Ele o abandonou. Se Cristo sentiu-se desamparado, como é que nós podemos deixar de nos sentir esquecidos e abandonados?

Alguns estudiosos da Bíblia dizem que não foi isso que Jesus quis dizer, quando clamou na cruz. Eles dizem que Jesus estava citando a primeira frase do Salmo 22, e que repetiu aquelas palavras para confirmar a conclusão vitoriosa daquele salmo. Tenho um grande respeito pelos estudiosos da Bíblia, mas eles estão redondamente enganados a respeito disso. Penso que Jesus se sentiu esquecido.

Contudo, o túmulo vazio nos prova que Ele foi lembrado. O mesmo acontece conosco. E é isso que vou contar a meu filho assim que me lembrar de onde eu o deixei.







29.8.05

O LEÃO E OS GATOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Um leão encontrou um grupo de gatos conversando. "Vou devora-los", pensou.

Mas começou a sentir-se estranhamente calmo. E resolveu sentar-se com eles, para prestar atenção no que diziam.

- Meu bom Deus - disse um dos gatos, sem notar a presença do leão.

-Oramos a tarde inteira! Pedimos que chovessem ratos do céu!

- E, até agora, nada aconteceu! - disse outro.

- Será que o Senhor não existe?

O céu permaneceu mudo. E os gatos perderam a fé.

O leão levantou-se, e seguiu seu caminho, pensando:" veja como são as coisas. Eu ia matar estes animais, mas Deus me impediu. Mesmo assim, eles pararam de acreditar nas graças Divinas: estavam tão preocupados com o que estava faltando, que nem repararam na proteção que receberam.







29.8.05

DE OLHO NAS METAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Era uma vez um cocheiro que dirigia uma carroça cheia de abóboras.

A cada solavanco da carroça, ele olhava para trás e via que as abóboras estavam todas desarrumadas.

Então ele parava, descia e colocava-as novamente no lugar. Mal reiniciava sua viagem, á vinha outro solavanco e... tudo se desarrumava de novo.

Então ele começou a ficar desanimado e pensou: "jamais vou conseguir terminar minha viagem!

É impossível dirigir nesta estrada de terra, conservando as abóboras arrumadas!".

Quando estava assim pensando, passou à sua frente outra carroça cheia de abóboras e ele observou que o cocheiro seguia em frente e nem olhava para trás: as abóboras que estavam desarrumadas organizavam-se sozinhas no próximo solavanco.

Foi quando ele compreendeu que, se colocasse a carroça em movimento na direção do local onde queria chegar, os próprios solavancos da carroça fariam com que as abóboras se acomodassem em seus devidos lugares.

Assim também é a nossa vida: quando paramos demais para olhar os problemas, perdemos tempo e nos distanciamos das nossas metas.







25.8.05

AS MOIRAS, PARCAS OU DESTINOS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Fala-se muito sobre as "escolhas" que as pessoas fazem; se coisas boas ou ruins acontecem, são por suas escolhas; que todos construímos e moldamos nossas vidas e destino através de nossas escolhas. Entretanto, existem inúmeros fatos que não corroboram essas afirmativas. Desde o nascimento até a morte - os dois principais pontos de não escolha - vivenciamos situaçõesque independem de nossa vontade, tais como: poder ter ou não filhos, que estes nasçam sadios, sofrer ou não de determinadas doenças de ordem genética, etc. E, isso é o que chamamos destino ou fatalidade, que era representado na Grécia Antiga pelas três deusas Moiras (ou Parcas).

As três Moiras são: Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida; Átropos, a que cortava o fio da vida; e, Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma.

Existia, ainda, na Grécia Antiga, uma outra fatalidade, a úpermoira, que era uma sina que a pessoa atraía para si em função do pecado, ou seja, era uma conseqüência do pecado. E úpermoira podia ser evitada.

Então, pode-se dizer que a fatalidade ou sina determinada pelas Moiras é uma predestinação que só pode ser enfrentada, mas não evitada. Não é determinada por boas ou más ações do sujeito ou de seus pais; não está ligada a uma vida com ou sem pecado. Já a úpermoira, sim.

Enfrentar a sina exige e desenvolve o caráter (do grego, xaracter que significa ser alguém definido), ou seja, determinados princípios a que se permanece fiel independente de confrontações. E este é o caminho para a individuação, o caminho para realizarmo-nos como indivíduos únicos.

Sendo a fatalidade inevitável, o mesmo não se pode dizer do destino pois este pode ou não ser cumprido, sendo determinado pela maneira que enfrentamos as fatalidades e fazemos nossas escolhas (caráter).

As Moiras, a que os Romanos chamaram Parcas (por eufemismo, parco significa economizar), nascidas da Noite no princípio dos tempos (a menos que elas não sejam o fruto da união de Zeus e da sua segunda esposa, Témis, deusa da justiça), representam na Antiguidade o destino de cada indivíduo.

Elas são as três fiandeiras. Submetidas à autoridade e ao controlo de Zeus, Cioto fabrica o fio (curso) da existência, Láquesis desenrola este fio e Átropos corta-o.

As Moiras são assistidas na sua função fatal pelas keres, as cadelas do Hades que, quando chega a última hora de um mortal, se apoderam do seu corpo para o conduzir a Pluto. Elas têm, também, um papel activo nas batalhas, onde se alimentam do sangue dos mortos.

Originalmente, Parca significava "parte" - de vida, de felicidade, de infortúnio. Cada ser humano possuía a sua Parca.

Depois, essa abstração tornou-se uma divindade, assemelhando-se à Quere, sem ter, entretanto, o mesmo caráter violento e sanguinário.

Aos poucos, desenvolveu-se a idéia de uma Parca universal, dominando o destino de todos os homens. E, finalmente, passou-se a conceber três Parcas. Filhas de Júpiter e Têmis, ou, segundo outra versão, da Noite, personificavam o Destino, poder incontrolável que regula a sorte de todos os homens, do nascimento até a morte. Nem mesmo os deuses podiam transgredir suas leis, sem por em perigo a ordem do mundo. Seus nomes correspondiam a suas funções:

. Cloto, a fiandeira, tecia o fio da vida de todos os homens, desde o nascimento;

. Láquesis, a fixadora, determinava-lhe o tamanho e enrolava o fio, estabelecendo a qualidade de vida que cabia a cada um;

. Átropos, a irremovível, cortava-o, quando a vida que representava chegava ao fim.

Como deusas do Destino, as Parcas presidiam os três momentos culminantes da vida humana: o nascimento, o matrimônio e a morte.

São representadas como velhas ou, mais freqüentemente, como mulheres adultas de aspecto severo.

As três deusas que determinavam a vida humana e seu encadeamento. Conhecidas como Moiras, os Destinos repartiam para cada pessoa, no momento de seu nascimento, uma parcela do bem e do mau, embora uma pessoa pudesse acrescer o mau em sua vida por si própria.

Retratadas na arte e na poesia como mulheres velhas e severas, ou como virgens sombrias, as deusas eram freqüentemente vistas como fiadeiras. Cloto, a fiadeira, tecia o fio da vida; Láquesis, a distribuidora de quinhões, decidia a quantidade e designava o destino de cada pessoa; e Átropos, a inexorável, carregava o poder de cortar o fio da vida no tempo designado. As decisões dos Destinos não podiam ser alteradas, nem mesmo pelos deuses.







25.8.05

SOBRE O DESPERTAR
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



O Rabino Jacob costumava dizer:

"É melhor um único momento de compreensão neste mundo, que toda a eternidade no mundo que virá.

"É é melhor um único momento de paz interior neste mundo, que toda a eternidade em paz.

"Por que? Um simples momento de compreensão neste mundo traz em si a própria eternidade. E a paz que encontraremos no mundo que virá, está presente em um cada minuto de paz nesta vida."









25.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Oi, como você acordou esta manhã? Eu vi você e esperei pensando que falaria comigo, mesmo que fossem apenas umas poucas palavras, querendo saber minha opinião sobre alguma coisa ou mesmo Me agradecendo por algo bom que aconteceu em sua vida ontem.

Você mandou e-mails pra todos os seus amigos, mas não falou comigo..

Tudo bem! Notei que você estava muito ocupado tentando encontrar uma roupa apropriada para o trabalho. Então, esperei outra vez...

Quando você andou pela casa, de um lado para outro, já pronto, Eu estava lá.

Seriam poucos minutos para você dizer-me "alô, Amigão!". Mas você estava realmente muito ocupado. Como você ainda tinha 15 minutos antes de sair de casa, gastou esse tempo sentado em uma cadeira, sem fazer nada!

Então, Eu o vi se mexer, olhando para os seus pés que se movimentavam, e pensei que queria falar Comigo, mas você dirigiu-se ao telefone e ligou para um amigo para contar as últimas novidades.

Na hora do almoço, esperei pacientemente outra vez enquanto você estava assistindo TV e comendo a sua comida. Porém, mais uma vez você não falou Comigo!

Na hora de dormir você devia estar muito cansado, pois apenas disse boa noite para a sua família, pulou na sua cama, caiu no sono e dormiu rapidamente. Tudo bem! Talvez você não saiba que Eu sempre estou ao seu lado, disponível. Tenho muita paciência! Muito mais do que você possa imaginar. Eu mesmo quero ensinar-lhe como ser paciente com as outras pessoas e como ser bom.

Amo tanto você que espero todos os dias por um sinal seu, um simples inclinar de cabeça, uma oração, um pensamento ou um agradecimento. Sabe, é muito difícil uma conversa quando só existe um lado! Só um disposto a conversar.

Bem, você vai se levantar outra vez para um novo dia e mais uma vez e mais outra vez, e outra vez, sem falar comigo. E serão muitas vezes...

Um abraço do seu sempre Pai e Amigo,

JESUS







24.8.05

GIBRAN E OS SENTIDOS
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Estamos acostumados com a velha desculpa: embora saibamos que nosso coração conhece a melhor decisão a tomar, nunca seguimos o que ele diz. Para compensar nossa covardia, terminamos nos convencendo de que ele estava enganado. Uma bela história de Gibran ilustra até onde nos podem levar as limitações.

O Olho disse:

- Vejam que bela montanha temos no horizonte!

O Ouvido tentou escuta-la, mas não conseguiu. A Mão falou:

- Estou tentando toca-la, mas não a encontro.

O Nariz foi conclusivo:

- Não existe montanha, pois não sinto seu cheiro.

E todos chegaram a conclusão de que o Olho estava enganado.







24.8.05

O SAMURAI E O MESTRE ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:

- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"

O Mestre falou:

- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:

- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:

- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.

"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"







24.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Uma pobre mulher morava em uma humilde casinha com sua neta que estava muito doente.

Como não tinha dinheiro sequer para levá-la a um médico e, vendo que, apesar de seus muitos cuidados e remédios, a pobre criança piorava a cada dia, resolveu iniciar a caminhada de duas horas até a cidade próxima em busca de ajuda.

Chegando no único hospital público da região, foi aconselhada a voltar pra casa e trazer a neta junto, para que fosse examinada.

Quando ia voltando, já desesperada por saber que sua neta não conseguiria mais sequer levantar da cama sozinha, a senhora passou em frente a uma igreja e, como tinha muita fé em Deus, apesar de nunca ter entrado em uma igreja, resolveu pedir ajuda.

Ao entrar, encontrou algumas senhoras ajoelhadas fazendo orações.

A mulher se aproximou das senhoras, contou sua história e pediu que incluíssem em suas orações, a netinha querida.

Todas convidaram a sofrida senhora para juntar-se a elas e orar pela pequena.

Após quase uma hora de fervorosas orações e pedidos de intercessão ao Pai, as senhoras já iam se levantando quando a mulher disse:

- Eu também gostaria de fazer uma oração especial. E gostaria que vocês me acompanhassem.

Começou:

- Deus, sou eu, a Maria. Olha, a minha neta está muito doente, Deus; assim, eu gostaria que o Senhor fosse lá curá-la. Deus, anota aí que eu vou dizer onde fica.

As senhoras estranharam, mas continuaram ouvindo.

- Já está com a caneta, Deus? É muito fácil: o Senhor vai seguindo o caminho das pedras e quando passar o rio com a ponte, o Senhor entra na segunda estradinha de barro. Não vai errar, tá?

As senhoras que tudo acompanhavam, estranharam a oração e algumas até se esforçaram para não rir.

Ela continuou:

- Seguindo mais uns 20 minutinhos tem uma vendinha... O Senhor entra na rua depois do pé de mangueira que o meu barraquinho é o último da rua. Pode ir entrando que não tem cachorro. Olha Deus, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. O Senhor pega a chave, entra e cura a minha netinha, por favor.

Mas olha só, Deus, por favor, não esquece de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho senão eu não consigo entrar quando chegar em casa... Muito obrigada, obrigada mesmo, meu Deus. Conto com o Senhor!

A esta altura algumas senhoras já não continham os sorrisos, outras estavam surpresas e algumas aconselharam a velha senhora:

- Olha, Dona Maria, as orações não funcionam assim... Existe uma maneira correta de rezar e pedir as graças desejadas... Se preferir, continuamos rezando mais alguns minutos por sua neta e a senhora pode voltar para sua casa, está bem?

A mulher acenou com a cabeça, agradeceu e sentiu-se desconsolada, pois nem rezar por sua neta conseguiu fazer direito.

Chegando em casa, ao entrar, assustou-se ao ver a neta correndo ao seu encontro.

Cheia de alegria e felicidade, deu um grande e caloroso abraço na menina, dizendo:

- Minha neta, você esta de pé! Como é possível?!?

E a menina, olhando carinhosamente para a avó, disse:

- Eu ouvi um barulho na porta e pensei que era a senhora voltando; porém, entrou um homem no meu quarto, muito alto, vestido de branco e mandou que eu levantasse. Não sei como, mas eu simplesmente levantei.

E com os olhos cheios de lágrimas, a menina continuou.

- Depois ele sorriu, beijou minha testa e disse que tinha de ir embora, mas pediu que eu avisasse a senhora que ele ia deixar a chave embaixo do tapetinho vermelho...

Não importa como ou a forma que você reza. O que importa é o coração puro e a fé que você coloca em suas orações. Peça com fé, e você receberá.







23.8.05

MIADES
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



As Miades são sete ninfas, filhas de Atlas e de Plêione, que foram muito amadas pelos deuses, com excepção de uma delas, Mérope, que desposou Sísifo.


Um dia em que elas estavam a ser perseguidas, nas montanhas da Beócia, pelo gigante Orion, imploraram ajuda a Zeus. Este transformou-as, imediatamente, em pombas (é este o sentido da palavra plêiades) conduzindo-as para o céu, onde se transformaram em estrelas. Na Primavera, elas brilhavam com grande fulgor, à excepção de Mérope, cujo brilho era mais ténue do que o das suas irmãs.


Existe uma outra explicação para a metamorfose destas ninfas. As Plêiades tinham um irmão, Hias, e cinco irmãs, as Híades. Estas eram citadas como tendo elevado Zeus, em Doclona e, mais tarde, Dioniso em Nisa.


Acontece que Hias foi morto no decurso de uma caçada, deixando as suas irmãs inconsoláveis. Os deuses, por piedade com a dor das jovens, decidiram transformá-las, então, em astros: a aparição das Híades no céu anuncia, a partir de então, a estação das chuvas (este é o sentido da palavra Híades).
Por alusão às sete filhas de Atlas, chama-se piêiade a um grupo de sete pessoas unidas por interesses comuns; a mais célebre piêiade foi aquela que reuniu à volta de Ronsard e de Du Bellay os poetas franceses da Renascença.






23.8.05

COMO A TRILHA FOI ABERTA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Na edição n. 106 do Jornalinho, (Portugal), encontro uma história que muito nos ensina a respeito daquilo que escolhemos sem pensar:


Um dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu pasto. Sendo animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas.


No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou essa mesma trilha para atravessar a floresta.Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que vendo o espaço já aberto, fez seus companheiros seguirem por ali.


Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam à direita, à esquerda, abaixavam-se, desviavam-se de obstáculos, reclamando e praquejando - com toda razão. Mas não faziam nada para criar uma nova alternativa.


Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em trinta minutos, caso não seguissem o caminho aberto por um bezerro.


Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo, e posteriormente a avenida principal de uma cidade. Todos reclamavam do trânsito, porque o trajeto era o pior possível.


Enquanto isso, a velha e sábia floresta ria, ao ver que os homens tem a tendência de seguir como cegos o caminho que já está aberto, sem nunca se perguntarem se aquela é a melhor escolha.






23.8.05

DAIN
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Soberano dos Elfos.






23.8.05

A PORTA DO LADO
DRAUZIO VARELLA
CONTOS E LENDAS




Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.


E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente.


É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping).


Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.


Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.


Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado para eles?


Dá aos montes.


Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.


O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.


Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.


Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.


Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça, para ser sincero. Vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.


Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem, pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.


Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.







16.8.05

BORISKA - O GAROTO RUSSO QUE VEIO DE MARTE
HOAX



02/05/2005 - Algumas crianças nascem com talentos fascinantes, habilidades incomuns.


A história de um garoto incomum chamado Boriska me foi contada por membros de uma expedição a uma região anômala ao norte de Volgogrado, comumente chamada de "Medvedetskaya gryada".


"Você consegue imaginar, enquanto todos estavam sentados em torno de uma fogueira, à noite, um menino de aproximadamente 7 anos de repente chamou a atenção de todo mundo.


Muito excitado, ele queria falar a todos a respeito da vida em Marte, sobre seus habitantes e suas viagens à Terra", conta uma das testemunhas. Fez-se silêncio. Foi incrível! O garotinho, com enormes olhos vivos estava começando a nos contar uma história magnífica a respeito da civilização marciana, sobre cidades megalíticas, suas naves espaciais e vôos para diversos planetas, sobre um país maravilhoso chamado Lemúria, cuja vida ele conhecia em detalhes, uma vez que descera lá, vindo de Marte, e lá fizera amigos.


As achas de madeira estalando, a névoa noturna envolvendo a área, e o imenso céu escuro com miríades de estrelas brilhantes pareciam esconder algum mistério. Sua história durou cerca de hora e meia. Um dos membros foi esperto o bastante para gravar toda a narrativa.


Muitos ficaram assombrados por dois fatores distintos.


Primeiro, o garoto possuía um conhecimento excepcionalmente profundo. Seu intelecto era obviamente muito distante do de um menino típico de 7 anos de idade. Nem todos os professores seriam capazes de narrar a história inteira da Lemúria e dos Lemurianos com tamanhos detalhes. Não se encontra qualquer referência a esse país nos livros escolares. A ciência moderna ainda não comprovou a existência de outras civilizações.


Em segundo lugar, estávamos todos maravilhados com a linguagem adiantada que o garoto utilizava. Estava muito acima da que os meninos de sua idade normalmente usam. Seu conhecimento de terminologias específicas, detalhes e fatos do passado de Marte e da Terra nos fascinaram a todos.


"Por que ele começou a conversação em primeiro lugar?", disse o meu interlocutor.


"Talvez ele tivesse apenas sido tocado pela atmosfera geral do nosso acampamento, com pessoas bem informadas e de mente aberta", continuou ele.


"Poderia ele ter inventado tudo aquilo?".


"Duvido muito", objetou meu amigo. "A mim me parece que o menino estava compartindo suas lembranças pessoais de vidas passadas. É virtualmente impossível inventar tais histórias; alguém realmente teria de conhecê-las."


Hoje, depois de encontrar os pais de Boris e conhecer melhor o menino, eu começo a checar cuidadosamente as informações obtidas ao redor da fogueira.
Ele nasceu na cidade de Volzhskii, num hospital suburbano, embora oficialmente, com base em sua certidão de nascimento, sua cidade natal seja Zhirnovsk, na região de Volgogrado. Seu nascimento ocorreu em 11 de janeiro de 1996 (talvez isso seja útil para os astrólogos).


Seus pais parecem ser pessoas maravilhosas. Nadezhda, a mãe de Boriska, é dermatologista numa clínica pública. Ela se formou na faculdade de medicina de Volgogrado em 1991. O pai do garoto é um funcionário aposentado. Ambos ficariam felizes se alguém pudesse lançar alguma luz sobre o mistério em torno de seu filho. Enquanto isso, eles simplesmente o observam e o vêem crescer.


"Depois que Boriska nasceu, notei que em 15 dias ele conseguia manter a cabeça ereta", relembra Nadezhda. "Pronunciou sua primeira palavra, "baba" (papai) quando tinha 4 meses, e logo depois começou a falar. Com 7 meses, construiu sua primeira frase: "Eu quero um prego". Ele disse essa frase em particular depois de observar um prego enfiado na parede. Notavelmente, suas habilidades intelectuais ultrapassavam suas habilidades físicas."


Como essas habilidades se manifestavam?


"Quando Boris tinha apenas um ano, comecei a lhe dar cartas (baseada no sistema Nikitin) e - adivinhe! - com um ano e meio ele já conseguia ler jornais. Não demorou muito para que se acostumasse com as cores e seus tons. Ele começou a pintar aos 2 anos.


Então, logo após completar essa idade, nós o levamos ao centro de puericultura. Os professores ficaram todos assombrados com seus talentos e sua maneira incomum de pensar. O menino possui memória excepcional e uma inacreditável habilidade de absorver novas informações. Não obstante, seus pais logo notarem que seu filho estava adquirindo informações à sua maneira, de alguma outra fonte."


Ninguém jamais ensinou isso a ele", relembra Nadya. "Mas, às vezes, ele sentava em posição de lótus e começava a falar. Ele falava sobre Marte, sobre sistemas planetários, civilizações distantes. Não conseguíamos acreditar no que ouvíamos. Como pode uma criança saber tudo isso? Cosmos, histórias intermináveis de outros mundos e da imensidade dos céus, são como mantras diários para ele desde que tinha 2 anos."


"Foi então que Boriska nos contou sobre sua vida anterior em Marte, sobre o fato de que o planeta era realmente habitado, e que, como resultado de uma destruidora catástrofe, perdera sua atmosfera e por isso seus habitantes tiveram que viver em cidades subterrâneas. Desde então, ele costumava viajar para a Terra com freqüência para comércio e com finalidades de pesquisa.


Parecia que Boriska pilotava sua própria nave. Isso aconteceu durante o período das civilizações lemurianas. Ele tinha um amigo lemuriano que morreu bem diante de seus olhos."


"Uma catástrofe imensa se abateu sobre a Terra. O continente gigantesco foi consumido por ondas de tempestades. Aí, de repente, uma enorme rocha caiu sobre uma construção onde seu amigo estava, disse Boriska. "Não pude salvá-lo. Estamos destinados a nos encontrar em algum momento desta encarnação."


O menino visualiza o quadro completo da queda da Lemúria como se tivesse acontecido ontem. Ele chora a morte de seu melhor amigo como se fosse culpa sua.


Um dia, ele notou um livro na bolsa de sua mãe, intitulado "De Onde Viemos", de Ernst Muldashev. Precisavam ver a alegria e fascinação que essa descoberta provocou no menino. Ficou navegando pelas páginas por horas a fio, olhando para as figuras de lemurianos, fotos do Tibet. Começou então a falar sobre o intelecto elevado dos lemurianos.


"Mas a Lemúria deixou de existir no mínimo há 800 mil anos", eu disse em resposta às afirmações dele. "Os lemurianos tinha 9 metros de altura! Isso é verdade? Como você consegue se lembrar de tudo isso?"


"Eu me lembro", respondeu o garoto.


Mais tarde, ele começou a recordar outro livro de Muldashev intitulado "Em Busca da Cidade dos Deuses". O livro é dedicado principalmente às antigas tumbas e pirâmides. Boriska sustentou com firmeza que as pessoas encontrarão o conhecimento sob uma das pirâmides (não a de Quéops). Isso ainda não tinha sido descoberto. "A vida mudará depois que a Esfinge for aberta", disse ele, e acrescentou que a grande Esfinge tem um mecanismo de abertura em algum ponto atrás de sua orelha (mas ele não se recorda exatamente onde). O menino também fala com grande paixão e entusiasmo sobre a civilização Maia. De acordo com ele, sabemos muito pouco sobre aquela grande civilização e seu povo.


Interessantemente, Boriska acha que agora finalmente chegou o tempo para que os "seres especiais" nasçam na Terra. "O renascimento do planeta se aproxima. Novos conhecimentos virão em grande quantidade, trazendo uma mentalidade diferente para os terráqueos."


"Como você sabe sobre essas crianças superdotadas e porque isso está acontecendo? Você sabe que eles são agora chamados de "crianças índigo"?"


"Eu sei que elas estão nascendo. Não obstante, eu ainda não encontrei nenhuma em minha cidade. Talvez possa ser uma menina chamada Yulia Petrova. Ela é a única que acredita em mim. Outros simplesmente riem de minhas histórias. Algo vai acontecer na Terra; é por isso que essas crianças são importantes. Elas serão capazes de ajudar as pessoas. Os pólos vão se inverter. A primeira grande catástrofe num dos continentes acontecerá em 2009 (11). A seguinte ocorrerá em 2013, e será ainda mais devastadora."


"Você não tem medo de que sua vida possa terminar como resultado de tal catástrofe?"


"Não, eu não tenho medo. Eu já vivenciei uma catástrofe em Marte. Ainda existem pessoas como nós lá. Porém, após a guerra nuclear, tudo foi queimado. Algumas dessas pessoas conseguiram sobreviver. Eles construíram abrigos, novos armamentos. Também houve um movimento de continentes lá, embora o continente não fosse tão grande. Os marcianos respiram gás. Se eles chegassem ao nosso planeta, teriam de ficar próximos a canos de descarga e inspirar a fumaça."


"Você prefere respirar oxigênio?"


"Quando se está neste corpo, tem-se que respirar oxigênio. Todavia, os marcianos não gostam deste ar, o ar da Terra, porque causa envelhecimento. Os marcianos são relativamente jovens, em torno de 30-35 anos de idade. A quantidade de bebês marcianos vai crescer anualmente."


"Boris, porque nossas sondas espaciais desaparecem ou falham antes de chegar a Marte?"


"Marte transmite sinais especialmente destinados a destruí-las. Tais missões contém radiação maléfica." (sondas movidas a plutônio?)


"Eu estava impressionado com o conhecimento dele sobre esse tipo de radiação. É absolutamente verdadeiro. Em 1988, um residente de Volzhskii, Yuri Lushnichenko, um homem com poderes extra-sensoriais, tentou alertar as autoridades soviéticas sobre a queda inevitável das primeiras missões soviéticas a Marte, "Fobos 1" e "Fobos 2". Ele também mencionou esse tipo de radiação desconhecida e maléfica sobre o planeta. Obviamente, ninguém o levou a sério então."


"O que você sabe sobre dimensões múltiplas? Você sabe que não se pode voar em trajetórias retas, mas sim manobrando através do espaço multidimensional?"


Boriska imediatamente se levantou e começou a despejar todos os fatos sobre UFOs.


"Nós decolamos e pousamos na Terra a todo momento!" O garoto pegou um giz e começou a desenhar um objeto oval sobre o quadro negro. "Ele consiste de seis camadas", disse. 25% - camada externa, feita de metal durável, 30% - segunda camada feita de algo similar à borracha; a terceira camada compreende 30% -novamente de metal. Os últimos 4% são compostos de uma camada magnética especial. Se carregamos essa camada magnética com energia, essas máquinas serão capazes de voar a qualquer ponto do Universo."


Será que Boriska tem uma missão especial a cumprir? Ele tem consciência disso? Coloquei essas questões a seus pais e a ele próprio.


"Ele afirma que pode prever - diz sua mãe. Ele diz saber algo a respeito do futuro da Terra. Ele diz que a informação terá o papel mais significativo no futuro."


"Boris, como você sabe de tudo isso?"


"Está dentro de mim."


"Boris, diga-nos porque as pessoas ficam doentes".


"A doença resulta da incapacidade das pessoas de viverem adequadamente e serem felizes. Você deve esperar pela sua metade cósmica. Alguém jamais deveria envolver-se e bagunçar o destino de outros indivíduos. As pessoas não deveriam sofrer por seus erros passados, e sim entrar em contato com aquilo que lhe foi predestinado e tentar alcançar as alturas e conquistar seus sonhos." (essas são as exatas palavras que ele usou)


''Vocês têm de ser mais simpáticos e calorosos. Caso alguém o ataque, abrace seu inimigo, peça-lhe perdão e ajoelhe-se diante dele. Se alguém o odeia, ame-o com todo fervor e devoção e peça-lhe desculpas. Essas são as regras do amor e da humildade.


Sabem porque os lemurianos pereceram? Eu tenho parte da culpa. Eles não desejavam mais se desenvolver espiritualmente. Eles se afastaram do caminho predestinado e assim destruíram a unidade global planetária. O Caminho da Magia leva a lugar nenhum. O Amor é a verdadeira Magia!"


"Como você sabe disso tudo?"


"Eu sei. Kailis".


"O que você disse?"


"Eu disse olá. Essa é a linguagem do meu planeta."


Pravda - Russia

Obs.: Publicado no site do jornal Pravda em 17 de abril de 2005 http://science.pravda.ru/science/


*Textos com o Tag TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, LENDAS URBANAS e HOAX são publicados a titulo de curiosidade. Não confirmo e nem acredito na veracidade, etc.






16.8.05

CHÁ COM SEMENTE DE MOSTARDA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Uma mulher, desesperada com a morte do pai, procurou Buda. Pedia que a curasse da dor que tal perda provocava.


- A cura é simples - disse Buda. - Chá com semente de mostarda.


Mais tranquila, a mulher se preparava para ir ao mercado comprar as sementes, quando Buda advertiu:


- Mas as sementes têm que ser colhidas no jardim de uma casa onde seus habitantes nunca tenham perdido alguém que amavam.


Dois anos depois, a mulher voltou.


- Então, encontrou as sementes de mostarda? - perguntou Buda.


- Eu estava fechada em minha dor, não entendia que a morte é parte da vida - disse ela. - Mas descobri que tal jardim não existe; todo mundo já perdeu uma pessoa querida. E todos sobreviveram ao sofrimento.


" Meu coração está em paz. Sei que posso conviver com a dor, e seguir adiante."






16.8.05

OS DOIS PRIMEIROS SERES
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Mas era necessário muito mais do que os elfos, bons e maus, para dar sentido ao Universo,e os deuses pensaram que o acabado Midgard exigia a presença da mulher e do homem, Vendo perante si um olmeiro (Embla) e um salgueiro (Ask) juntos, à beira-mar, Odin compreendeu imediatamente que dessas duas árvores teria que criar o homem e a mulher, a estirpe dos humanos.


Deu-lhes Odin a alma; Hoenir, o movimento e os sentidos; Lodur, o sangue e a vida. O primeiro homem, Ask, e a primeira mulher, Embla, estavam vivos e eram livres, tinham recebido o dom do pensamento e da linguagem, o poder de amar, a capacidade da esperança e a força do trabalho, para governarem o seu mundo, e deram origem a uma raça nova, sobre a qual eles, os deuses, estariam exercendo permanente a sua tutela.


Mas Odin, deus da sabedoria e da vitória, era o protetor dos guerreiros, aos quais proporcionava um especial afeto, cuidando deles da altura do seu trono, o Hlidskialf, enquanto vigiava o resto do Universo, no nível dos deuses, no dos humanos e no dos elfos. Perto de lá estava o seu outro palácio, Valacha, ou sala dos mortos escolhidos, o paraíso dos homens escolhidos entre os caídos em combate heróico. Era um palácio magnífico, ao qual se acedia por qualquer das quinhentas e quarenta portas, imensas portas (por cada uma podia passar uma formação de oitocentos homens em fundo), que davam para uma grande sala coberta de espadas tão brilhantes que iluminavam a estância,refletindo-se a sua luz no artesanato feito de escudos de ouro e nos peitilhos e malhas que decoravam os bancos, a sala de jantar e o lugar de reunião para os Einheriar trazidos entre os mortos pelas Valquírias, montados nas suas cavalgaduras, após cavalgarem através do Bifröst.






16.8.05

VIDA FELIZ
JOANNA DE ANGELIS
CONTOS E LENDAS


Mesmo que não saibas, és exemplo para alguém.


Sempre existem pessoas que estão observando os teus atos, mesmo os equivocados, e se afinam com eles.


Desse modo és responsável, não só pelo que realizes, como também, pelo que as tuas idéias e atitudes inspirem a outros indivíduos.


Os ditadores e arbitrários, a sós, nada conseguiram fazer, não fossem aqueles que pensam de igual modo e os apóiam.


Assim também, a obra do bem faleceria, se não houvesse pessoas que se lhe vinculassem com sacrifício e amor.


Cuida do que fales e realizes, ensejando seguidores que se edifiquem e ajam corretamente.






15.8.05

ZOROASTRISMO - UMA RELIGIÃO DE ESTADO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA PERSIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



O zoroastrismo serviu de motor para a conquista do império pela dinastia sassânida. Com eles no trono, o Avesta tomou a sua forma definitiva, com salmos, mandamentos, relatos sagrados, orações e liturgia.


O Avesta fala-nos da complicada composição militar e política das hostes do bem e mal; no exército de Ahurada,e com ele no Conselho, estavam os seus seis ministros, os arcanjos Amchaspends: Ardibibich, encarregado do fogo; Bahman, encarregado dos animais; Chariver, a cargo dos metais; Jordad, das águas; Murded, ministro do reino vegetal, e Sipendarmich, senhor da terra. Por baixo dos ministros estava a legião dos anjos Yazata e a outra das mulheres- anjos.


O exército do mal, sob o comando do demônio Ahriman, tinha a sua corte dos diabos, ou Divs: Aechma, encarregado da ira; Akono, a cargo das tentações; Indra, que se encarregava das almas condenadas ao inferno; Naosijaita,que insuflava a soberba nos humanos; Sorú,o encarregado de aconselhar o mal aos dirigentes e de induzir o crime nos súditos. Em baixo deles estavam os demônios menores,masculinos e femininos,que se encarregavam de todas as ações perversas que os seus chefes Divs lhes encomendassem. O ser humano herdou o castigo merecido pelo preço dos primeiros pais, Yima e Yimé, que se levantaram contra o seu deus, julgando-se iguais, embora este lhes tivesse dado a vida e o conhecimento, construído o Paraíso e salvo do Dilúvio. O ser humano, pois, agora tinha que fazer com que a sua vida decorresse pelo reto caminho, ouvindo os conselhos dos arcanjos e anjos e rejeitando as tentações e as provocações de demônios e diabos.


No final da sua vida, a alma tinha que passar a ponte de Chinvat, onde sofria a pesagem definitiva, para ver se prevaleciam as boas ações ou se, pelo contrário, o condenavam as suas culpas, como no julgamento do mito egípcio, mas com a diferença de que, à passagem das almas, a ponte se alargava e tornava reta para os bons e estreita e tortuosa para os pecadores, que terminavam por cair dela e submergir-se nas profundidades do inferno eterno.






15.8.05

MATADORA DE EGOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Um grande general estava desesperado, pois sentia que a única coisa que o atrapalhava era seu ego.


Decidiu ir no mestre Zin Piao, pois lhe disseram que ele seria a única pessoa no reino que resolveria seu problema.


Lá chegando, depois de tomar chá, o general falou do seu problema: queria eliminar o seu ego...


O mestre olhou para ele com aquele sorriso que só os mestres possuem e disse que o faria.


Pediu para que o general fosse a sala de meditação às 5:00 em ponto. Lá ele eliminaria o ego do general,para sempre...


As cinco horas em ponto, lá estava o general. O mestre estava sentado em posição de lótus, com uma grande espada à sua frente.


O general sentou-se a sua frente... Após 10 min de silêncio profundo o mestre abriu os olhos e disse: "Pronto! Esta é a minha espada Matadora de Egos.


É a única que consegue fazer isso em todo o reino.


Mostre-me seu ego que eu o eliminarei"... O general foi pego de surpresa...


Depois de alguns segundos ele se deu conta... E sorriu...


Fez uma reverência ao mestre e saiu... Nunca mais voltou...


Om shanti






10.8.05

TIALOC
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA AMÉRICA DO NORTE
MITOLOGIA E FOLCLORE



Tlaloc, seguidor de uma das divindades pré-clássicas da chuva, o deus da serpente e, muito especialmente, do deus Chac dos maias, é uma das divindades mais antigas do panteão azteca. Tlaloc, como antes tinham feito Cocijo ou Tzahui, é o ser que se ocupa da tutela da água, o deus que pode fazer com que os campos floresçam e a vida possa continuar eternamente. Tlaloc, como antes Chac, era associado com os quatro pontos cardeais e com as quatro cores que os representavam, morava nas alturas das montanhas, velando pelas nuvens que nelas se formavam e, nos templos, estava ao mesmo nível que o grande Huitzilopochtl. Como é natural, o ritual religioso de Tlaloc exigia o sacrifício de vítimas humanas, mas, talvez pela tremenda necessidade que a povoação tinha de aceder a essa água tão necessária, a exigência multiplicava-se, dado que eram os meninos recém-nascidos os que deviam servir de veículo de satisfação para o deus da chuva. Ao lado de Tlaloc estava Chalchihuitlicue, a deusa do jade e da turquesa, cores que toma a água que os humanos vemos sobre a terra, era geralmente considerada sua esposa, e ela velava pelos rios e arroios, pelos poços e lagoas, sendo -em definitiva- outra divindade agrícola da fertilidade. Chicomecoalt, a irmã de Tlaloc, outra divindade dos campos, amparava o milho, tendo uma especial personificação como deusa do milho que floresce, sob a denominação de Xílonen. Mas não era a única divindade do milho, o alimento mais importante dos aztecas, dado que junto dela está o casal formado por Cinteotl e a sua esposa Xochiquetzal, com os quais velava, por extensão, pelo bom fim de todos os cultivos. Finalmente, a deusa Tlazolteotl, por ter sido esposa de Tlaloc ao princípio, e depois do temível Tezcatlipoca, era a complexa divindade que presidia o amor entre os humanos, a deusa do amor carnal, por uma parte, e que depois se encarregava de ouvir as confissões que os fiéis faziam das suas faltas, para depois vigiar o cumprimento das correspondentes expiações marcadas para essas faltas.






10.8.05

A HISTÓRIA DE SALLY
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Sally pulou da cadeira quando viu o cirurgião chegar.


- "Como está meu filho? Ele vai ficar bem?"


O cirurgião disse: "Sinto muito, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.


Sally disse: - "Por que as crianças tem câncer? Será que Deus não se preocupa com elas?"


Deus, onde estava quando meu filho precisou?


O cirurgião disse: "Uma das enfermeiras sairá para te deixar uns minutos com o corpo de seu filho antes que levem para a Universidade.


Sally Pediu a enfermeira que a acompanhasse enquanto se despedia de seu filho.


Passou a mão no seu cabelo, a enfermeira perguntou se ela queria guardar alguns fios de seu cabelo.


Sally aceitou..., a enfermeira cortou uma mecha e colocou em uma bolsinha de plástico e deu a Sally.


Sally disse: "Foi idéia de Jimmy doar seu corpo à Universidade para ser estudado. Disse que poderia ser útil a alguém. Era o que ele desejava.


Eu a princípio me neguei,mas ele me disse: "Mamãe, eu não o usarei depois que morrer, e talvez ajude uma criança a desfrutar de um dia mais ao Lado de sua mãe.


Meu Jimmy tinha um coração de ouro, sempre pensava nos outros e desejava ajudá-los como pudesse.


- Sally saiu do Hospital Infantil pela última vez, depois de ter permanecido por lá nos últimos seis meses. Colocou a bolsa com os pertences de Jimmy no acento do carro, junto à ela. Foi difícil dirigir de volta pra casa, e mais difícil ainda, entrar na casa vazia.


Levou a bolsa ao quarto de Jimmy e colocou os carrinhos de miniatura e todas suas demais coisas como ele gostava. Sentou na cama de Jimmy e chorou até dormir, abraçando o pequeno travesseiro dele. Acordou cerca de meia-noite,junto a ela, havia uma folha de papel dobrada.


Abriu a carta que dizia:


"Querida mamãe, sei que você deve sentir minha falta, mas não pense que eu te esqueci ou que deixei de te amar só porque não estou aí para dizer "TE AMO".


Pensarei em você a cada dia mamãe e cada dia te amarei ainda mais. Algum dia voltaremos a nos ver. Se você quiser adotar um menino para que não fiques tão sozinha, ele poderá ficar no meu quarto e brincar com todas as minhas coisas. Se quiser uma menina, provavelmente ela não gostará das mesmas coisas que os meninos e terá que comprar bonecas, e coisas de meninas.


Não fique triste quando pensar em mim, estou num lugar grandioso.


Meus avós vieram me receber quando cheguei, me mostraram um pouco daqui, mas levarei muito tempo para ver tudo. Os anjos são muito amigos e me encanta vê-los voar. Jesus não se parece com as imagens que vi dele, mas soube que era ele assim que o vi. Jesus me levou para ver Deus!!


- E, acredite, mamãe!


- Eu me sentei no colo dele e falei com ele como se eu fosse alguém importante. Eu disse à Deus que queria te escrever uma carta, para me despedir e etc, mesmo sabendo que não era permitido.


Deus me deu papel e sua caneta pessoal para escrever esta carta. Acho que se chama Gabriel o anjo que a deixará cair para você. Deus me disse para responder o que você perguntou: "Onde estava ele quando eu precisei?


- "Deus disse: "No mesmo lugar de quando Jesus estava na cruz. Estava justo aí, como Deus sempre está com todos os seus filhos."


Esta noite estarei na mesa com Jesus para o jantar. Sei que a comida será fabulosa. Ah! quase esqueci de dizer... Não sinto mais nenhuma dor, o câncer foi embora.


Estou feliz porque eu já não conseguia mais suportar tanta dor e Deus não podia me ver sofrendo daquela maneira, aí enviou o Anjo da Misericórdia para me levar.


O Anjo me disse que eu era uma entrega especial !!! "


Assinado com amor:


Deus, Jesus e eu.






9.8.05

TROCAS MAL FEITAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Há pessoas que não sabem o que é o sorriso.
E por isso o trocam por uma lágrima.
Não sabem o que é um canto.
E o trocam por um grito de agonia.


Não sabem o que é uma amizade.
E a trocam pela antipatia.
Não sabem o que é o amor.
E o trocam por um grande ódio.


Não sabem o que é a paz.
E a trocam pela intriga.
Não sabem o que é a verdade.
E a trocam por um mundo corrido de mentiras.


Não sabem o que é uma flor, uma árvore, uma paisagem.
E trocam-nas por uma poluição desenfreada
Não sabem o que é o diálogo.
E se trancam dentro de si mesmas.


Não sabem o que é união.
E vivem isoladas.
Não sabem quem é Deus.
E o trocam por superstições vazias.


Não sabem o que é vida.
E vivem trocando-a pela morte.


Todas estas trocas são feitas porque o mais cômodo tem caminhos mais fáceis.
Mas a verdade é uma só: lutar; servir e perseverar


As trocas pelo mais cômodo, pelo mais fácil, não levam a lugar nenhum.
Pelo contrário: atrapalham, esvaziam, machucam e destroem.






9.8.05

SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ.........
CHICO XAVIER
CONTOS E LENDAS




Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:


Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por ele haver me levado.


Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe.


Se tiver vontade de rir, ria.


Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.


Se me elogiarem demais, corrija o exagero.


Se me criticarem demais, defenda-me.


Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.


Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.


Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.


E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:


-"Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!"


- Aí, então derrame uma lágrima.


Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar.


E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.


Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus.


Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.


E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente,vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.


Você acredita nessas coisas?


Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, que morramos como quem soube viver direito.


Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.


Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu...


Ser seu amigo... já é um pedaço dele..."










4.8.05

HERNE O CACADOR
J R ANDRADA
MITOS DA INGLATERRA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Igual à Cernunnos, Homem Verde, Senhor da Caça selvagem. O lado ativo, masculino de natureza. Pai da Terra, dos animais selvagens, fertlidade, desejo, amor físico, agricultura, bandos. Deus Cornífero, o Deus amante da Deusa Mãe.


No folclore inglês, Herne o Caçador é o espírito de um caçador que protege os viajantes através de Windsor. É personagem frequente dos contos de Robin Hood.






4.8.05

HADES
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Senhor do reino subterrâneo.


Acreditava-se que, com seu carro, viesse ao mundo para buscar as almas dos mortos. Possuía um capacete que o tornava invisível. Somente Hades tinha o poder de restituir a vida de um homem, porém, utilizou-se desse poder pouquíssimas vezes e, assim mesmo, a pedido da esposa.


Era o deus das riquezas porque dominava nas profundezas da terra, de onde mandava prosperidade e fertilidade; era considerado um deus benéfico.


Hades, apelidado de Pluto, é filho de Cronos e de Reia. Ao nascer, foi engolido pelo seu próprio pai e só voltou à luz do dia graças à intervenção de seu irmão Zeus. Por isso, participará em todas as suas lutas vitoriosas.


Hades tem o poder absoluto sobre o mundo inferior e cada um dos seus nomes corresponde a um aspecto desta sua soberania.


Etimologicamente, Hades é o Invisível. O seu capacete, sobretudo, tem a propriedade de o esconder de todos os olhares. A este título, ele é o misterioso, terrífico e impiedoso soberano dos Infernos, universalmente odiado.


Em oposição, Pluto é o Opulento. Senhor de uma população que não cessa de crescer, proprietário de todos os despojos dos mortais e ainda dos tesouros escondidos no mundo subterrâneo (particularmente os filões). Por isso ele exerce uma influência benéfica sobre a prosperidade do solo, sendo muitas vezes associado, pelos Gregos, ao culto de sua irmã Deméter.


Hades é invocado através de um ritual que consiste em bater na terra com as mãos ou com vergas. Em sua honra são imolados touros negros ou ovelhas negras, durante a noite.


Indiferente às agitações do céu e da terra, Hades quase não deixa o palácio infernal e o seu trono de ébano e de enxofre. Fá-lo, por exemplo, quando é ferido por Héracies, que tinha vindo capturar o cão Cérbero. Nessa altura, eleva-se ao Olimpo a fim de receber os cuidados dos deuses.


Conhecemos-lhe poucas aventuras. Desejoso de desposar uma mulher, rapta a sua sobrinha Core, filha de Deméter e de Zeus, e transforma-a na rainha Perséfone, com a qual vive metade do ano e de quem não terá herdeiros.


Hades será fiei a Perséfone, a não ser em dois momentos pontuais: quando teve um devaneio pela ninfa do Cócito, chamada Minta (ferozmente
espezinhada por Perséfone, será transformada em menta, por Hades) e quando se apaixonou por Leuce, filha do Oceano, que será metamorfoseada em choupo argênteo (é este o sentido de leuce).


Hades é, raramente, representado sozinho. Ele figura, geralmente, ao lado de Perséfone, sendo apresentado como um homem barbudo com uma serpente, símbolo do mundo subterrâneo, e o corno da abundância.






4.8.05

A SOPA DE PEDRA
DAVID MARTINS
CONTOS E LENDAS



Descia o Sol no horizonte. Pela estrada, coberto de poeira, seguia Frei Bernardo, o rosário a tilintar, a barriga a dar horas.


Longa tinha sido a caminhada, isto para não mencionar a lonjura que ainda tinha de palmilhar até chegar ao mosteiro.


Se era vivo de espírito, não era menos robusto de corpo, o nosso frade. Cem léguas caminharia, tivesse ele a barriga cheia... mas, não se via nem galinha transviada, nem macieira a convidá-lo sem o dono por perto. Nada, coisa alguma que se pudesse comer.


Pouco faltava para ele maldizer a sua vida, quando avistou uma quinta no horizonte: o seu santo protector nunca se esquecia de velar por ele! Sorriu, satisfeito. Afinal, não há mal que sempre dure. Com um pouco de sorte, alguma coisa lhe dariam para comer.


Mas os tempos não iam de feição para se fazer caridade. A vida estava muito difícil, os anos de seca não deixavam os cereais germinar, os legumes definhavam nas hortas, os animais morriam de fome e de sede. Acrescentem-se os impostos que os senhores da terra nunca se esqueciam de mandar cobrar a tempo e horas, os homens que tinham partido para longe, guerrear sabe-se lá que inimigos numa terra distante. O pouco que cada um conseguia extrair da terra ressequida, em sua casa o aferrolhava, que ninguém sabia o que ainda podia estar para vir. Tudo isto o nosso bom frade bem o sabia. Mas não lhe faltava nem bonomia, nem engenho e arte para resolver qualquer problema que lhe surgisse, por mais complicado que ele fosse. Se não se podia ir pela estrada real, dava-se a volta por atalhos, e não era por isso que um homem deixava de chegar ao seu destino.


À medida que encurtava a distância que o separava da casa de paredes de pedra escura da região e telhado de colmo, uma ideia foi ganhando forma na sua mente. Apanhou uma pedra do chão e sorriu. Era uma pedra redondinha. Limpou o pó que a cobria e bateu à porta.


- Quem é? - Gritou uma voz de mulher.


- Deus te salve, boa mulher! Não terás por aí uma panela que me emprestes e um poucochinho de água que me dês? É que aqui mesmo acendo umas brasinhas e faço uma sopa de pedra.


- Essa agora! Não querem lá ver? Havia de ter graça! - exclamou a mulher, rindo, os dedos cruzados sobre o ventre empinado pelo pimpolho que em breve daria à luz. - Sopa de pedra? Nunca de tal coisa ouvi falar!


- Pois olha que é um manjar que se faz muito lá na minha aldeia, e é de muito alimento. Queres ver?


É claro que a curiosidade da mulher era mais do que muita, e ela não a escondia, observando o frade com o mesmo espanto com que olharia para uma galinha com cinco cabeças.


- Sempre estou para ver como é que vossemecê faz esse petisco - disse ela, abanando a cabeça, meio incrédula, meio divertida.


- É simples, já vais ver. Ponho esta pedra dentro da panela com água e deixo ferver - explicou ele, mostrando o seixo reluzente.


A mulher não queria acreditar, mas como a curiosidade era mais forte, lá foi buscar uma panela com água.


Frei Bernardo juntou meia dúzia de cavacas, acendeu um lume bem espevitado, meteu-lhe o tacho em cima com a pedra lá dentro, cruzando em seguida os braços como quem está à espera que qualquer coisa aconteça, e depois sentou-se tranquilamente, desfiando o seu rosário. Passados momentos, já a água fervia... com a pedra lá dentro.


A mulher, sempre desconfiada, não tirava os olhos do frade.


- Sabes que mais - disse ele - vou prová-la. - Hmm... parece que precisa de um bocadinho de sal.


E a mulher foi buscar o sal. Frei Bernardo agradeceu, e voltou às contas do seu rosário.


A mulher, como se nada daquilo lhe dissesse respeito, ia no entanto arranjando afazeres que a obrigassem a rondar por ali. Sempre queria ver. O frade fingia não dar pela presença dela que, a certa altura, não resistiu mais e perguntou:


- Então, e é boa... essa sopa?


- Boa? Fica sabendo que é das coisas mais saborosas que eu já comi. E então se me trouxesses uma batatinha, ou uma folhinha de couve, ainda ficava melhor.


A mulher lá foi à horta e regressou com duas batatas, uma cebola, três folhas de couve. Frei Bernardo não se fez rogado. Uma boa sopa de hortaliças já ele tinha a ferver, diante dele. No entanto, passado algum tempo, virou-se para a mulher e disse:


- Esta sopinha não está nada má, mas se lhe juntasse um dentinho de alho, um fio de azeite, duas rodelas de chouriço... ah! Então até os anjos do Céu seriam capazes de a comer.


A sopa cheirava que era um regalo, disso ninguém poderia duvidar. A mulher entrou em casa e de lá saiu trazendo o que faltava.


- Sabes o que te digo? És uma boa alma. Vai buscar duas gamelas e senta-te aqui comigo, que a sopa chega bem para os dois.


Eis como Frei Bernando se deliciou com uma bela sopa, num local onde, de outro modo, bem sabia que nada lhe teriam dado para comer.


- E a pedra? - perguntou a mulher, quando chegaram ao fundo da panela.


- A pedra? Olha, essa, levo-a comigo, que me há-de servir outras vezes.






4.8.05

O CACHORRO, O MACACO E O TIGRE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Um cachorrinho, perdido na selva, vê um tigre correndo em sua direção.


Pensa rápido, vê uns ossos no chão e se põe a mordê-los.


Então, quando o tigre está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz:


- Ah, que delícia este tigre que acabo de comer!


O tigre pára bruscamente e sai apavorado correndo do cachorrinho, e no caminho vai pensando:


"Que cachorro bravo! Por pouco não come a mim também!"


Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo atrás do tigre e conta como ele havia sido enganado.


O tigre, furioso, diz:


- Cachorro maldito! Vai me pagar!


O cachorrinho vê que o tigre vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado em suas costas.


"Ah, macaco traidor!


O que faço agora?", pensou o cachorrinho.


Em vez de sair correndo, ele ficou de costas, como se não estivesse vendo nada.


Quando o tigre está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho diz:


- Macaco preguiçoso!


Faz meia hora que eu o mandei me trazer um outro tigre e ele ainda não voltou!






4.8.05


DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Chao-Chou (Joshu) certa vez varria o chão quando um monge lhe perguntou:


"Sendo vós o sábio e santo Mestre, dizei-me como se acumula tanto pó em seu quintal?"


Disse o Mestre, apontando para o pátio:


"Ele vem lá de fora."






3.8.05

O PRINCIPE SAPO
ADOLFO COELHO
MITOS DE PORTUGAL
MITOLOGIA E FOLCLORE



Era uma vez um rei que não tinha filhos e tinha muita paixão por isso, e a mulher disse que Deus lhe desse um filho mesmo que fosse um sapo.


Houve de ter um filhinho como um sapo; depois botaram as folhas a ver se havia quem o queria criar, mas ninguém se animava a vir.


O rei, vendo que o sopito do filho não havia quem o queria criar, anunciou que, se houvesse alguma mulher que o quisesse criar, lho dava em casamento e lhe dava o reino.


Nisto aí apareceu uma rapariga e disse: "Se Vossa Real Majestade me dá o filho, eu animo-me a vi-lo criar." O rei disse que sim e a rapariga veio criar o sopito. Depois passou algum tempo e ele foi crescendo e ela lavava-o e esmerava-o como se ele fosse uma criança. Foi indo e ele tinha uns olhos muito bonitos e falava, e a rapariga dizia: "Os olhos dele e a fala não são de sapo." Já estava grande, passaram-se anos e ela, uma noite, teve um sonho em que lhe diziam ao ouvido que o sapo era gente, mas pela grande heresia que a mãe disse que estava formado em sapo, que se o rei lho desse para ela casar com ele que casasse e quando fosse na primeira noite que se fosse deitar, que ele tinha sete peles e ela levasse sete saias e quando ele dissesse: "Tira uma saia", lhe dissesse ela: "Tira uma pele."


Assim foi e casou o sapo com a rapariga e na noite do casamento ele pediu-lhe que tirasse ela as saias e ela foi-lhe pedindo que tirasse as peles e depois de ele as tirar ficou um homem. Ao outro dia ele tornou a vestir as peles e ficou outra vez sapo. E ela disse-lhe: "Tu para que vestes as peles? Assim és tão bonito e vais ficar sapo." "Assim me é preciso, cala-te." Ela, assim que se pôs a pé, foi contar tudo à rainha, e o rei mais a rainha disseram-lhe: "Quando hoje te deitares, diz-lhe o mesmo e depois de ele tirar as peles e estar a dormir, deixa a porta do quarto aberta que nós queremos ir vê-lo." Foram-no ver e viram que ele era homem. Ao outro dia o príncipe tornou a vestir as peles e vai o pai disse-lhe: "Tu, porque vestes as peles e queres ser feio?"


"Eu quero ser sapo, porque o meu pai tem mão interior e, se eu fico bonito, impõem a minha mulher." O rei disse-lhe: "Eu não a impunha, mas queria que tu ficasses bonito." Depois, como viram que ele não queria deixar de ser sapo, pediram a ela que, assim que ele adormecesse, lhes trouxesse as peles para eles as queimarem. Ela assim fez e eles botaram as peles ao fogo aceso. De manhã vai ele para vestir as peles e não as acha. "Que é das peles?" "Vieram aqui o teu pai e a tua mãe e levaram-nas." "Mal hajas tu se lhas destes, mais quem te deu o conselho. Adeus. Se alguma vez me tornares a ver, dá-me um beijo na boca."


A mulherzinha ficou mas o rei e a mulher, assim que viram que o filho faltou, puseram-na fora da porta. Ela, coitada, não tinha com que se tratar; o que era do rei lá ficou e ela estava muito pobrezinha. A todas as pessoas que via perguntava se tinham visto um homem assim e assim e lá lhe dava as notícias do príncipe. Vieram por onde ela estava uns cegos e ela fez-lhes a pergunta. Os moços dos cegos disseram-lhe: "Nós vimos no rio Jordão um homem e certamente era ele; estava botando fatias de pão para trás das costas e dizendo: "Pela alma de meu pai, pela alma de minha mãe, pela alma de minha mulher." Ela disse-lhes: "Vocês quando tornam para essa banda?" "Nós para o fim do outro mês voltamos para lá; havemos de passar por esse rio." A mulherzinha aprontou-se e foi com eles. Chegou lá e era o príncipe. Ela chegou ao pé dele e deu-lhe o beijo na boca como ele tinha dito e disse-lhe: "Ora vamos embora, que se acabou o nosso fado." E foram para casa e foram muito felizes e tiveram muitos filhos.






3.8.05

OS VEDAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ÍNDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Mas a primeira aparição histórica é a que nos vem colhida pelos Vedas, as obras escritas em sânscrito do ritual religioso elaboradas pelos arianos, um povo chegado à Índia vindo do noroeste entre os séculos XVI e XIII (aC). No grupo dos "arya", dos nobres, estavam as três castas dos bramanes ou homens da religião, os ksatriya ou guerreiros, e a última casta dos vaisya ou povo; com eles, mas a uma grande distância social, estavam os sudra ou vassalos, os que não eram "arya", mas iam junto dos nobres.


Esta obra do Veda, do conhecimento, que começa com o livro do Rig Veda, livro que se devia ter escrito para o século XX (aC), se continua com o Yajur Veda, contendo o primeiro ritual, o Sama Veda, no qual figuram os cantos religiosos, e o Atarva Veda, o tratado da reli- gião íntima para uso privado dos fiéis. O Rig Veda, com mais de 1.000 hinos e 10.000 estrofes, nos fala de um Universo composto por duas partes: Sat e Asat. Sat é o mundo existente, a parte destinada às divindades e à humanidade; Asat, o mundo não existente, é o território do demônio.


Em Sat está a luz, o calor e a água; em Asat só há escuridão, porque os demônios vivem nela, na noite. O Sat, o mundo visível e existente, está composto por três esferas: a superior do firmamento, o ar que está sobre as nossas cabeças e o solo do planeta onde vivemos. Mas a criação deste Universo não foi só um ato gratuito, um ato de vontade divina; pelo contrário, a construção do mundo que agora habitamos necessitou de uma luta heróica e decidida entre as forças do ar e as forças da matéria, porque o Universo é um lugar belo que só se pôde conseguir com o esforço que representa o combate entre as forças do bem e as forças do mal.






3.8.05

DEVE UM QUEIJO!...
SIMOES LOPES NETO
MITOS GAUCHOS
MITOLOGIA E FOLCLORE



O velho Lessa era um homem assinzinho... nanico, retaco, ruivote, corado, e tinha os olhos vivos como azougue... Mas quanto tinha pequeno o corpo, tinha grande o coração.


E sisudo; não era homem de roer corda, nem de palavra esticante, como couro de cachorro. Falava pouco, mas quando dizia, estava dito; pra ele, trato de boca valia tanto - e até mais - que papel de tabelião. E no mais, era - pão, pão; queijo, queijo! -


E, por falar nisto:


Duma feita no Passo do Centurião, numa venda grande que ali havia, estava uma ponta de andantes, tropeiros, gauchada teatina, peonada, e tal, quando descia um cerro alto e depois entrava na estrada, ladeada de butiazeiros, que se estendem para os dois lados, sombreando o verde macio dos pastos, quando troteava de escoteiro, o velho Lessa.


De ainda longe já um dos sujeitos o havia conhecido e dito quem era e donde; e logo outro - passou voz que aí no mais todos iriam comer um queijo sem nada pagar...


Este fulano era um castelhano alto, gadelhudo, com uma pêra enorme, que ele às vezes, por graça ou tenção reservada, costumava trançar, como para dar mote a algum dito, e ele retrucar, e, daí, nascer uma cruzada de facões, para divertir, ao primeiro coloreado…


Sossegado da sua vida o velho Lessa aproximou-se, parou o cavalo e mui delicadamente tocou na aba do sombreiro;


- Boa-tarde, a todos!


E apeou-se.


Maneou o mancarrão, atou-lhe as rédeas ao pescoço e dobrou os pelegos, por causa da quentura do sol.


Quando ia a entrar na venda, saiu-lhe o castelhano, pelo lado de laçar... A este tempo o negociante saudava o velho, dizendo:


- Oh! seu Nico! Seja bem aparecido! Então, vem de Canguçu, ou vai?...


Antes que o cumprimentado falasse, o castelhano intrometeu-se:


- Ah! es usted de Canguçu?... Entonces... debe un queso!...


O paisano abriu um ligeiro claro de riso e com toda a pachorra ainda respondeu:


- Ora, amigo... os queijos andam vasqueiros...


- Si, pa nosotros... pero Canguçu pagará queso, hoy!....


O vendeiro farejou catinga agourenta, no ar, e quis ladear o importuno; o velho Lessa coçou a barbinha do queixo, coçou o cocuruto, relanceou os olhinhos pelos assistentes, e mui de manso pediu ao empregado do balcão:


- 'Stá bem!... Chê! dê-me aquele queijo!...


E apontou para um rodado dum palmo e meio de corda, que estava na prateleira, ali à mão.


O gadelhudo refastelou-se sobre um surrão de erva, chupou os dentes e ainda enticou:


- Oigalê!... bailemos, que queso hay!...


Com a mesma santa paciência o velho encomendou então o seu almoço - ovos, um pedaço de lingüiça, café - e depois pegou a partir o queijo, primeiro ao meio, em duas metades e depois uma destas em fatias, como umas oito ou dez; acabando, ofereceu a todos:


- São servidos?


Ninguém topou: agradeceram; então disse ele ao cobrador:


- Che!... pronto! Sirva-se!...


O castelhano levantou-se, endireitou as armas e chegando-se para o prato repetiu o invite:


- Entonces?... está pago, paisanos!...


- E às talhaditas começou a comer.


O velho Lessa - ele tinha pinta de tambeiro, mas era touro cupinudo... pegou a picar um naco; sovou uma palha; enrolou o baio; bateu os avios, acendeu e começou a pitar, sempre calado, e moneando, gastando um tempão...


Lá na outra ponta do balcão um freguês estava reclamando sobre uma panela reiúna, que lhe haviam vendido com o beiço quebrado...


Aí pelas seis talhadas o clinudo parou de mastigar.


¾ Bueno. . buenazo!... pero no puedo más!...


Mas o velho, com o facão espetou uma fatia e of'receu-lhe:


- Esta, por mim!


- Si, justo: por usted, vaya!…


E às cansadas remoeu o pedaço.


E mal que engoliu o último bocado, já o velho apresentava-lhe outra fatia, na ponta do ferro:


- Outra, a saúde de Canguçu!...


- Pero...


- Não tem pêro nem pêra... Come...


- Pê…


- Come, clinudol...


E, no mesmo soflagrante, de plancha, duro e chato, o velho Lessa derrubou-lhe o facão entre as orelhas, pelas costelas, pelas paletas, pela barriga, pelas ventas… seguido, e miúdo, como quem empapa d'água um couro lanudo. E com esta sumanta levou-o sobre o mesmo surrão de erva, pôs-lhe nos joelhos o prato com o resto do queijo e gritou-lhe nos ouvidos: - Come!...


E o roncador comeu... comeu até os farelos...; mas, de repente, empanzinado, de boca aberta, olhos arregalados, meio sufocado, todo se vomitando, pulou porta fora, se foi a um matungo e disparou para a barranca do passo… e foi-se, a la cria!...


O reclamador da panela desbeiçada deu uma risada e chacoteou, pra o rastro:


- 'Orre, maula!... quebraram-te o corincho!...


E o velhito, com toda a sua pachorra indagou pelo almoço, se já estava pronto?...


- Os ovos..., a lingüiça..., o café?…






3.8.05

VIVO OU MORTO?
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



O mestre Dao-wu e seu discípulo Jian-yuan foram prestar seus pêsames à família de um amigo falecido. Ao ver o esquife mortuário Jian-yuan perguntou ao seu mestre:


"O nosso amigo está vivo ou morto?"


"Não é possível se afirmar que ele está vivo ou morto," disse o sábio serenamente. Jian-yuan era um monge muito agressivo e impaciente. Ao ouvir tal resposta, ele insistiu:


"E por que não podeis me responder?"


O mestre replicou:


"Não posso fazer isso, me é impossível."


Jian-yuan ficou muito alterado. Gritou então para o sábio:


"Se não me responder, eu vou lhe bater!!!!!!"


"Pois então faça-o. Ainda assim, não poderei lhe responder," disse Dao-wu.


O outro então começou a bater muito no velho sábio, dizendo enlouquecido:


"Que tipo de mestre és tu?! Possui o Conhecimento e recusas a dizer para teu discípulo! Falso! Mentiroso!"


Após agredir violentamente seu mestre, Jian-yuan abandonou-o ao chão, declarando:


"Pois então não diga! Vou embora!"


Depois de alguns anos, Dao-wu morreu. Jian-yuan, que havia procurado outro mestre - chamado Shi-chuang, soube disso e resolveu fazer a mesma pergunta ao seu mestre atual:


"Soube que Dao-wu morreu. Está ele realmente vivo ou morto?"


O sábio disse serenamente:


"Não é possível se afirmar que ele está vivo ou morto."


Ao ouvir isso, Jian-yuan obteve o Satori. Compreendeu então o que Dao-wu quis lhe ensinar. No dia seguinte Jian-yuan foi encontrado andando de um lado a outro no salão de meditação do Templo, segurando uma enxada e parecendo procurar alguma coisa. Shi-chuang perguntou-lhe:


"O que fazes?"


Jian-yuan declarou, firmemente:


"Procuro os restos mortais do grande Mestre Dao-wu!"


Shi-chuang comentou:


"O oceando é vasto, suas ondas brancas inundam o céu. Que restos há para buscar?"


Jian-yuan respondeu:


"Esforço-me na Busca da melhor maneira que posso."






2.8.05

MINUTOS DE SABEDORIA
CARLOS TORRES PASTORINO
CONTOS E LENDAS



Deus está em toda a parte ao mesmo tempo, em redor de você, dentro de você!


Jamais você está desamparado.


Nunca está só.


Não permita que a mágoa o perturbe: procure manter-se calmo, para ouvir a voz silenciosa de Deus dentro de você.


Assim poderá superar todas as dificuldades que aparecerem em seu caminho, e há de descobrir a Verdade que existe em todas as coisas e pessoas.






2.8.05

SERES INVISIVEIS, SEM NOME
FERNANDO BRAGA
CONTOS E LENDAS




Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública"


"Fingi ser gari por anos e vivi como um ser invisível"


Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.


O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome".


Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.


Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: "Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador.


O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão", diz.


Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga.. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.


Como é que você teve essa idéia?


- Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.


Com que objetivo?


A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis. Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?


Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?


Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas, os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos. Os garis conseguem definir essa diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis.


Dê um exemplo?


Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão."


Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?


Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando no lugar de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.


Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?


Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.


Eles testaram você?


No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.


"Essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa"


O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?


Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar não senti o gosto da comida voltei para o trabalho atordoado.


E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?


Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.


E quando você volta para casa, para seu mundo real?


Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma coisa.


*******************


Todo o mundo se sente invisível em algum momento da vida - numa festa de gente de outra tribo, no emprego novo em que não se conhece ninguém. Mas essas são outras invisibilidades, circunstanciais, e portanto passageiras, reversíveis. O estudo de Braga é sobre uma invisibilidade tão automatizada na sociedade que muitas vezes nem mesmo o ser invisível se dá conta de sua degradante situação. 'Se ele percebe, carece de armas para o combate. Depois de ser ignorado a vida inteira ou, no máximo, maltratado, ninguém anda de cabeça erguida.'


De fato, na maioria das vezes, o gari que limpa nossa cidade só é notado quando falta ao serviço. O ascensorista é tratado como uma máquina que funciona por comando de voz, sem direito a 'por favor' nem 'obrigado'. A empregada doméstica põe o avental, alimenta a família e deixa a casa organizada anos a fio, mas os patrões mal sabem seu sobrenome, se tem filhos, se está com algum problema. Os únicos cidadãos que vestem uniforme para servir aos outros e ganham visibilidade e reconhecimento são os que estão em situação de poder sobre o interlocutor - médicos, enfermeiros, policiais. 'Algumas profissões estão num nível de rebaixamento absoluto', reforça Braga. 'As pessoas estão habituadas a passar pelos garis como quem passa por objetos', assinala.


Concluída em 2002, a tese agora vira livro lançado pela editora Globo.






2.8.05

A FORÇA DA PACIÊNCIA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Entre o Aprendiz e o Orientador se estabeleceu precioso diálogo:


- Mestre, qual é a força que domina a vida?


- Sem dúvida, o amor.


- Esse poder tudo resolve de pronto?


- Entre as criaturas humanas, de modo geral, ainda existem problemas, alusivos ao amor que demandam muito tempo a fim de que se atinja a solução no campo do entendimento.


Querendo compreender melhor o Aprendiz continua:


- E qual o recurso máximo que nos garante segurança entre as desarmonias do mundo?


- A fé.


- Pode a fé ser obtida, de momento para outro?


- Não é assim. A confiança raciocinada reclama edificação vagarosa no curso dos dias.


- A que fator nos cabe recorrer, para que se nos conservem o ânimo e a alegria de servir entre os conflitos da existência?


- A paz.


- E a paz surge espontânea?


- Também não. Ninguém conhece a verdadeira paz sem trabalho e todo trabalho pede luta.


- Então, Mestre, não existe elemento algum no mundo que nos assegure benefícios imediatos?


- Existe.


- Onde está este prodígio, se vejo atritos por toda parte, na Terra?


O mentor fez expressivo gesto de compreensão e rematou:


- Filho, a única força capaz de proporcionar-nos triunfos imediatos, em quaisquer setores da vida, é a Força da Paciência.






1.8.05

VIVER SEM MEDO
OSHO
CONTOS E LENDAS



Sinto uma armadura ao meu redor que me mantém distante das pessoas. Não sei de onde isso vem. Como dissolver isso?


Todo mundo tem esse tipo de armadura.


Existem razões para isso.


Primeiro, a criança nasce tão desamparada num mundo no qual ela nada conhece. Naturalmente ela teme o desconhecido que a desafia. Ela ainda não esqueceu dos nove meses de absoluta segurança, de certeza, quando não havia nenhum problema, nenhuma responsabilidade, nenhuma preocupação com o amanhã.


Para nós são somente nove meses, mas para a criança é uma eternidade. Ela nada sabe do calendário; ela nada sabe sobre minutos, horas, dias, meses. Ela viveu uma eternidade em absoluta certeza e segurança, sem qualquer responsabilidade, e de repente, ela é jogada num mundo desconhecido, onde ela depende dos outros para tudo. É natural que ela se sinta amedrontada. Todos parecem grandes e poderosos, e ela não pode viver sem a ajuda dos outros. Ela sabe que é dependente, ela perdeu sua independência, sua liberdade. Pequenos incidentes vão dar a ela algum sabor da realidade que ela vai enfrentar no futuro.


Napoleão Bonaparte foi derrotado por Nelson, porém, na verdade, o crédito não deveria ir para Nelson. Napoleão Bonaparte foi derrotado por um pequeno incidente de sua infância. Porém a história não vê as coisas dessa maneira, mas para mim isso está absolutamente claro.


Quando ele tinha apenas seis meses de idade, um gato selvagem pulou em cima dele. A empregada que estava cuidando dele havia saído para fazer algo na casa; ele estava deitado no jardim tomando o sol da manhã e ar fresco, quando um gato selvagem pulou em cima dele. Isso não o machucou - talvez o gato estivesse apenas brincando - mas para a mente da criança foi quase como uma morte. Desde então, ele não tinha medo de tigres ou de leões; ele podia lutar com um leão sem armas, sem medo nenhum. Mas um gato? Isso era uma outra coisa. Ele estava completamente desamparado. Vendo um gato ele ficava quase congelado; ele tornava-se novamente uma criança pequena de seis meses, sem qualquer defesa, sem nenhuma capacidade de lutar. Para aqueles pequenos olhos de criança aquele gato deve ter parecido enorme; era um gato selvagem. O gato pode ter olhado nos olhos dele.


Alguma coisa em sua psique ficou tão impressionada pelo incidente que Nelson o explorou. Nelson não se comparava com Napoleão, e Napoleão nunca tinha sido derrotado em sua vida; essa foi sua primeira e última derrota. Ele não teria sido derrotado, mas Nelson trouxe setenta gatos para o campo de batalha.


Na hora em que Napoleão viu aqueles setenta gatos selvagens sua mente parou de funcionar. Seus generais não puderam entender o que havia acontecido. Ele não era mais o mesmo grande guerreiro; ele estava quase congelado de medo, tremendo. Ele nunca tinha permitido qualquer de seus generais organizar o exército, mas hoje ele disse, com lágrimas nos olhos, "Estou incapacitado de pensar - vocês organizem o exército. Estarei aqui, porém estou incapacitado de lutar. Alguma coisa deu errado comigo".


Ele foi removido, mas sem Napoleão seu exército não era capaz de lutar contra Nelson, e vendo a situação de Napoleão, todos no exército ficaram um pouco amedrontados: algo muito estranho estava acontecendo.


Uma criança é frágil, vulnerável, insegura. Automaticamente ela começa a criar uma armadura, uma proteção, de diferentes maneiras. Por exemplo, ela tem que dormir sozinha. Está escuro e ela está assustada, mas ela tem seu ursinho de pelúcia, e ela acredita que não está sozinha; seu amigo está com ela. Vocês verão crianças arrastando seus ursinhos nos aeroportos, nas estações de trens. Vocês acham que é só um brinquedo? Para vocês pode ser, mas para a criança ele é um amigo. E um amigo quando ninguém mais ajuda - na escuridão da noite, sozinha na cama, ele ainda está com ela. Ela irá criar ursinhos psicológicos.


Isso é para lhe lembrar que embora um homem crescido possa achar que ele não possui ursinhos de brinquedo, ele está errado. O que é seu Deus? Apenas um ursinho de brinquedo. Do medo surgido na infância, o homem criou uma figura paterna que sabe tudo, que é todo-poderoso, que é onipresente; se você tiver bastante fé nele, ele lhe protegerá. Mas a própria idéia de proteção, a própria idéia de que um protetor é necessário, é infantil. Assim você aprende a orar; essas são somente partes de sua armadura psicológica. A oração é para lembrar a Deus que você está aqui, sozinho na noite.


Na minha infância eu ficava sempre espantado... Eu amava o rio, o qual ficava bem próximo, dois minutos andando da minha casa. Centenas de pessoas costumavam tomar banho lá e eu ficava sempre admirado... No verão quando eles mergulhavam no rio eles não repetiam o nome de Deus. Ele irá criar ursinhos psicológicos. "Hare Krishna, Hare Rama" não irá criar ursinhos psicológicos. Mas no inverno gelado eles repetiam, "Hare Krishna, Hare Rama". Eles davam um rápido mergulho, repetindo, "Hare Krishna, Hare Rama".


Eu ficava imaginando, será que a estação faz alguma diferença? Eu costumava perguntar aos meus pais, "Se esses são devotos de 'Hare Krishna, Hare Rama', então o verão é tão bom quanto o inverno".


Contudo, não acho que isso tenha a ver com Deus ou oração ou religião; é simplesmente devido ao frio! Eles estão criando uma armadura repetindo "Hare Krishna, Hare rama". Eles estão distraindo suas mentes. Está frio demais, e uma distração é necessária - e isso ajuda. No verão não há nenhuma necessidade; eles simplesmente esquecem tudo que estiveram fazendo no inverno.


Nossas orações, nossos cânticos, nossos mantras, nossas escrituras, nossos deuses, nossos sacerdotes, são tudo partes de nossa armadura psicológica. Isso é bem sutil. Um cristão acredita que ele será salvo - ninguém mais será. Agora isso é sua defesa organizada. Todo mundo vai para o inferno menos ele, devido a que ele é um cristão. Todavia cada religião acredita da mesma maneira que somente eles serão salvos.


Isso não é uma questão de religião. O problema é o medo e de ser salvo do medo, assim isso é natural de certa maneira. Mas num certo ponto de sua maturidade, a inteligência exige que isso seja abandonado. Isso foi bom quando você era uma criança, mas um dia você precisa deixar seus ursinhos de brinquedo, do mesmo jeito que um dia você precisa deixar seu Deus, da mesma maneira, um dia você tem que deixar seu Cristianismo, seu Hinduismo. Finalmente, no dia que você abandonar toda sua armadura significa que você deixou de viver a partir do medo.


E que tipo de vida pode existir a partir do medo? Uma vez abandonada à armadura você pode viver do amor, você pode viver de uma forma amadurecida. O homem totalmente amadurecido não tem medo, nem defesa; ele é psicologicamente completamente aberto e vulnerável.


Num ponto a armadura pode ser uma necessidade... Talvez seja. Mas quando você cresce, se você não estiver somente envelhecendo, porém também crescendo, crescendo em maturidade, assim você começará a ver o que você está carregando com você. Por que você acredita em Deus? Um dia você tem que ver por você mesmo que você nunca viu Deus, você não teve nenhum contato com Deus, e acreditar em Deus é viver uma mentira: Você não está sendo sincero.


Que tipo de religião pode haver quando não há nenhuma sinceridade, nenhuma autenticidade? Você não pode nem mesmo dar razões para suas crenças, e vocês ainda continuam apegados a elas.


Olhe mais de perto e você descobrirá medo por trás delas.


Uma pessoa amadurecida deve desconectar-se de tudo que estiver relacionado com o medo. É assim que a maturidade chega.


Apenas observe todos os seus atos, todas as suas crenças e descubra se elas estão baseadas na realidade, na experiência, ou se estão baseadas no medo. E qualquer coisa baseada no medo precisa ser imediatamente abandonada, sem um segundo pensamento. É uma armadura. Não posso dissolvê-la. Só posso simplesmente lhe mostrar como você pode abandoná-la.


Continuamos a viver a partir do medo - e assim vamos envenenando toda experiência. Amamos alguém, mas com base no medo: isso se deteriora, envenena. Buscamos a verdade, mas se a busca tiver base no medo, então você não irá encontrá-la.


O que quer que faça, lembre-se de uma coisa: Com base no medo você não irá crescer. Você irá apenas encolher e morrer. O medo está a serviço da morte.


Mahavira está certo: ele faz do destemor o fundamento de uma pessoa destemida. E posso entender o que ele quer dizer por destemor. Ele quer dizer abandonar toda a armadura. Uma pessoa destemida possui tudo que a vida quer lhe dar como um presente. Agora não há mais nenhuma barreira. Você será banhado com presentes, e tudo que você fizer terá um vigor, uma força, uma certeza, um tremendo sentimento de autoridade.


Um homem vivendo com base no medo está sempre tremendo por dentro. Ele está continuamente a ponto de ficar louco, porque a vida é imensa, e se você estiver continuamente com medo... E há todo tipo de medo. Você pode fazer uma lista enorme, e você ficará surpreso de quantos medos estão lá - e você ainda está vivo! Há infecções por toda parte, doenças, perigos, seqüestros, terroristas... E uma vida tão pequena. E finalmente existe a morte, a qual você não pode evitar. Toda sua vida ficará em trevas.


Abandone o medo! O medo foi inconscientemente adquirido por você na sua infância; agora, abandone-o conscientemente e amadureça. E então a vida pode ser uma luz que vai se aprofundando à medida que você vai crescendo.






1.8.05

SÁBIO MESTRE
EM NOME DO AMOR
CONTOS E LENDAS



Há muito tempo atrás, havia um mestre que vivia junto com um grande número de discípulos em um templo arruinado.


Os discípulos sobreviviam através de esmolas e doações conseguidas numa cidade próxima.


Logo, muitos deles começaram a reclamar sobre as péssimas condições em que viviam.


Em resposta, o velho mestre disse um dia:


- "Nós devemos reformar as paredes do templo.Desde que nós somente ocupamos o nosso tempo estudando e meditando, não há tempo para que possamos trabalhar e arrecadar o dinheiro que precisamos. Assim, eu pensei numa solução simples".


Todos os estudantes se reuniam diante do mestre, ansiosos em ouvir suas palavras.


O mestre disse:


- "Cada um de vocês devem ir para a cidade e roubar bens que poderão ser vendidos para a arrecadação de dinheiro. Desta forma, nós seremos capazes de fazer um boa reforma em nosso templo".


Os estudantes ficaram espantados por este tipo de sugestão vir do sábio mestre.


Mas, desde que todos tinham o maior respeito por ele, não fizeram nenhum protesto.


O mestre disse logo a seguir, de modo bastante severo:


- "No sentido de não manchar a nossa excelente reputação, por estarmos cometendo atos ilegais e imorais, solicito que cometam o roubo somente quando ninguém estiver olhando. Eu não quero que ninguém seja pego".


Quando o mestre se afastou, os estudantes discutiram o plano entre eles.


- "É errado roubar", disse um deles,


"Por que nosso mestre nos solicitou para cometermos este ato ?".


Outro respondeu em seguida:


- "Isto permitirá que possamos reformar o nosso templo, na qual é uma boa causa".


Assim, todos concordaram que o mestre era sábio e justo e deveria ter uma razão para fazer tal tipo de requisição.


Logo, partiram em direção a cidade, prometendo coletivamente que eles não seriam pegos, para não causarem a desgraça para o templo.


- "Sejam cuidadosos e não deixe que ninguém os veja roubando", incentivavam uns aos outros.


Todos os estudantes, com exceção de um, foram para a cidade.


O sábio mestre se aproximou dele e perguntou-lhe:


- "Por que você ficou para trás?".


O garoto respondeu:


-"Eu não posso seguir as suas instruções para roubar onde ninguém esteja me vendo. Não importa aonde eu vá, eu sempre estarei olhando para mim mesmo. Meus próprios olhos irão me ver roubando".


O sábio mestre abraçou o garoto com um sorriso de alegria e disse:


- "Eu somente estava testando a integridade dos meus estudantes e você foi o único que passou no teste!"


Após muitos anos, o garoto se tornou um grande mestre.






1.8.05

DO DESERTO
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Um homem larga a vida mundana e transforma-se em ermitão. Longe do centro de decisões políticas da época passa anos de sua vida tentando preparar o caminho para o Messias. Define-se como "a voz que clama no deserto".


Num primeiro momento, podemos pensar que tal homem - João Baptista - não teria qualquer influência em sua época. Mas a história nos mostra o contrário: sua presença foi fundamental na vida de Jesus.


Quantas vezes nos sentimos como vozes que clamam no deserto? Nossas palavras parecem perder-se no vento, nossos gestos aparentemente não despertam qualquer reacção.


João persistiu; cabe a nós fazer o mesmo. As vozes que clamam no deserto são as que escrevem a história do seu tempo.






1.8.05

A CONVERSÃO DE UPALI
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Upali era um dos principais seguidores leigos do mestre Jaina Mahavira, contemporâneo de Buddha.


Devido a sua inteligência, Upali frequentemente aparecia em público para debater em prol do Jainismo.


Certa vez Upali, buscando esclarecer os princípios do pensamento Jaina, envolveu-se em um debate com o Buddha.


Ao fim do debate, Upali ficou tão impressionado com os ensinamentos de Buddha que acabou por solicitar se tornar um seguidor do Iluminado: "Venerável Senhor, por favor aceitai-me como um vosso seguidor!" ele pediu.


Mas Buddha ponderou: "Upali, vós estais sob a influência de suas emoções. Voltai para o seio de seu mestre, e reconsidere cuidadosamente sua decisão antes de me solicitar vossa inclusão no Sangha novamente."


Upali ficou então ainda mais impressionado e disse,"Se fosse qualquer outro guru, terias com certeza convocado uma parada para anunciar: 'O maior dos discípulos leigos de Mahavira tornou-se o MEU seguidor!'. Mas vós, Venerável Senhor, me falastes sobre ponderação e cautela reflexiva, para que eu reconsidere o meu ato. Agora eu desejo ainda mais ser seu seguidor. Não me erguerei daqui até vós me aceitares."


Finalmente, Buddha concordou em aceitar Upali, sob uma condição: "Upali, como um Jaina, vós sempre destes proventos aos monges Jainistas. Quando vos tornares meu seguidor, vós irás continuar a dar-lhes apoio e proventos. Esta é minha condição."


Upali aceitou tal condição. Mais tarde ele tornou-se um dos principais discípulos de Buddha.


Upali é considerado aquele que compilou os Vinaya, ou as regras para os monges.






29.7.05

O EU VERDADEIRO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Um homem muito perturbado foi até um mestre Zen, apresentou-se e disse:


"Por favor, Mestre, eu me sinto desesperado! Não sei quem eu sou. Sempre li e ouvi falar sobre o Eu Superior, nossa verdadeira Essência Transcendental, e por muitos anos tentei atingir esta realidade profunda, sem nunca ter sucesso! Por favor mostre-me meu Eu Verdadeiro!"


Mas o professor apenas ficou olhando para longe, em silêncio, sem dar nenhuma resposta.


O homem começou a implorar e pedir, sem que o mestre lhe desse nenhuma atenção.


Finalmente, banhado em lágrimas de frustração, o homem virou-se e começou a se afastar.


Neste momento o mestre chamou-o pelo nome, em voz alta.


"Sim?" replicou o homem, enquanto se virava para fitar o sábio.


"Eis o seu verdadeiro Eu." disse o mestre.






28.7.05

UMA XICARA DE CHA
OSHO
CONTOS E LENDAS



O homem é um eterno perdedor,
porque ele deseja sem conhecer a si mesmo,
porque ele deseja tornar-se algo
sem conhecer seu ser,
e isto é absurdo.


Primeiro deve-se conhecer seu ser,
senão haverá angústia.


Transformar-se é angústia
porque é uma tensão constante
entre aquilo que é e aquilo que deveria ser
e é também um desejo impossível
porque apenas aquilo que pode ser é.


Então conheça-se como é
sem nenhum ideal,
sem nenhum julgamento
e sem nenhuma condenação.


Vá fundo dentro de você sem nenhum desejo
de se tornar porque somente aí você
poderá se conhecer.


Descubra você mesmo,
não de acordo com ninguém,
mas como você é.


Descubra o fato,
descubra o real
em sua total nudez.


Nesta autenticidade total
seja somente uma testemunha,
e então existirá uma qualidade totalmente diferente
na vida, a qualidade de se soltar.


Então se poderá relaxar totalmente
E todo florescer está no relaxamento ,
e toda benção.






28.7.05

O CAMINHO ESTÁ NO COTIDIANO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





Joshu perguntou a Nansen: "Qual é o Caminho?"


Nansen disse: "O dia-a-dia é o Caminho".


"Pode ele ser estudado?" perguntou Joshu


Nansen disse: "Se tentares estudá-lo, irás estar muito longe dele."


Joshu replicou: "Se não posso estudá-lo, como posso entender o Caminho?"


Nansen completou: "O Caminho não pertence ao mundo da percepção, nem Ele pertence ao mundo da não-percepção. A cognição é delusão e a não-cognição é sem sentido. Se desejais alcançar o Verdadeiro Caminho além das dúvidas, busqueis ser tão livre como o céu. E não afirmais que isso é bom ou ruim."


Ao ouvir tais palavras, Joshu atingiu o Satori.






6.6.05

LIBERO
GEORGES HACQUARD
MITOS GREGOS E ROMANOS
MITOLOGIA E FOLCLORE



Líbero é uma antiga divindade itálica que personificava a fertilidade dos campos e a fecundidade dos animais. O seu símbolo é o falo. No dia da sua festa, no mês de Março, os adolescentes com dezessete anos cumpridos empossam, finalmente, a toga viril.


Muito cedo, Líbero foi confundido com o deus grego Dioniso, tornando-se o deus protetor dos vinhateiros.






6.6.05

FORÇAS PODEROSAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA AFRICA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Recentes escavações deixaram ao descoberto figuras de terracota, como as achadas na zona de Nok (Nigéria), cuja antiguidade se remonta a quase dois mil quinhentos anos. Algumas destas estátuas estão realizadas de tal modo que a cabeça é muito maior do que o corpo; semelhante desproporção era uma característica dos artistas africanos e com isso queriam dar a entender que não só representavam seres humanos mas também que a sua arte pretendia chamar a atenção sobre certa classe de significação simbólica, afastada de qualquer naturalismo.


Neste sentido, o achado das denominadas "figuras de Jano" chamadas assim porque recordam a deidade romana Jano, que aparecia representada com duas cabeças contrapostas,dado que personificava a vigilância e a custódia, realizado no vale de Taruga, é um claro exemplo cheio de conotações míticas e emblemáticas. Além disso, algumas das estátuas encontradas na aldeia de Nok representam, e simbolizam, as forças sobrenaturais e poderosas que apareciam relacionadas com a produção de alimentos e a satisfação das primeiras necessidades.


Outros achados, nos quais apareciam até média dúzia de cabeças de terracota, foram relacionados com a existência de santuários, templos ou lugares de culto e rito nos bosques considerados, pelo mesmo motivo,como sagrados.


Afirma-se, além disso, que "a técnica da fundição guarda certa relação mítica e ritual com as figuras de terracota dos fornos do vale de Taruga".


Acontece a mesma coisa com a arte estatuária de Benin, que conseguiu a sua plenitude entre os séculos XI e XV da nossa era. "Nesse sentido as figuras de animais, como o leopardo, simbolizam o poder dos seus reis que, às vezes, portavam máscaras realizadas em marfim, as quais levavam incrustadas, por sua vez, pequenas figurinhas dos colonizadores europeus com o objeto de apropriar-se do seu saber e a sua inteligência e, deste modo, não serem dominados por eles".






6.6.05

DUVIDANDO DA EXISTÊNCIA DE DEUS
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Um homem foi cortar o cabelo e a barba. Como sempre acontece, ele e o barbeiro ficaram conversando sobre várias coisas, até que - por causa de uma notícia de jornal sobre meninos abandonados - o barbeiro afirmou:


- Como o senhor pode ver, esta tragédia mostra que Deus não existe.


- Como?


- O senhor não lê jornais? Temos tanta gente sofrendo, crianças abandonadas, crimes de todo tipo. Se Deus existisse, não haveria sofrimento.


O cliente ficou pensando, mas o corte estava quase no final, e resolveu não prolongar a conversa.


Voltaram a discutir temas mais amenos, o serviço foi terminado, o cliente pagou, e saiu.


Entretanto, a primeira coisa que viu foi um mendigo, com barba de muitos dias, e longos cabelos desgrenhados. Imediatamente, voltou para a barbearia, e falou para a pessoa que o atendera:


- Sabe de uma coisa? Os barbeiros não existem.


- Como não existem? Eu estou aqui, e sou barbeiro.


- Não existem! - insistiu o homem. - Porque se existissem, não haveria pessoas com barba tão grande, e cabelo tão desgrenhado como o que acabo de ver na esquina.


- Posso garantir que os barbeiros existem. Acontece que este homem nunca veio até aquí.


- Exatamente! Então, para responder sua pregunta, Deus também existe. O que passa é que as pessoas não vão até Ele. Se O buscassem, seriam mais solidários, e não haveria tanta miséria no mundo.






6.6.05

O PALÁCIO DO SOL
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS ESLAVOS E LITUANOS
MITOLOGIA E FOLCLORE



Não se esgota com o dito a mitologia eslava com respeito à importância que para eles tem a luz, o fogo, o lume e o próprio astro rei.


Por exemplo, quando se acendia o fogo que ardia nas lareiras, todos deviam permanecer em silêncio, especialmente os mais jovens da casa, para que fossem aprendendo os diferentes rituais da sua tribo. A mitologia em que aparecia envolvido o Sol era muito ampla entre os eslavos, para quem esta luminária tinha a sua morada num longínquo lugar do oriente, que consideravam o país da abundância.


O Sol habitava num palácio refulgente, todo de ouro e, quando se dispunha a percorrer o espaço, fazia-o numa carruajem brilhante, puxada por doze cavalos brancos que tinham as suas crinas douradas. Tudo isto parece muito a descrição que a mitologia clássica fazia do Sol e, como Faetonte era um filho do Sol entre os gregos, sucede a mesma coisa com os eslavos.


A mitologia destes últimos contempla o Sol como a personificação de um belo jovem que se senta num trono de ouro e, a seu lado, aparecem duas belas jovens que são as suas filhas: a Aurora da manhã e a Aurora da Tarde.


Os eslavos chamavam "Zorias" às filhas do Sol e consideravam-nas servidoras do seu pai, mas também deidades. Zoria, ou Aurora da manhã, tinha a função de abrir a porta do reluzente palácio para que saísse o seu pai, o Sol, enquanto a Zoria, ou Aurora da Tarde, correspondia fechá-la para que o seu pai se recolhesse.






3.6.05

UM MINUTO DE SABEDORIA
CARLOS TORRES PASTORINO
CONTOS E LENDAS



Se a sombra dos dias tristes perturbar a subida, volte seu pensamento para Deus, que está dentro de cada um de nós.


A vitória nos chega por meio das lutas que travamos dentro de nós mesmos.


Se as quedas magoam o corpo, servem para libertar o coração.


E, depois de vencer, espalharemos o amor em redor de todos nós, porque?






3.6.05

HESPÉRIDES
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



As filhas do Titã Atlas ou da Noite. Ajudadas por um dragão, as Hespérides vigiavam uma árvore com ramos e folhas de ouro, que produzia maçãs douradas. A árvore tinha sido dada a deusa Hera no dia de seu casamento por Géia, a Mãe-Terra. Um dos 12 trabalhos impostos à Héracles era trazer de volta as maçãs douradas das Hespérides.






3.6.05

O ANEL DA BENÇÃO
DAVID MARTINS
CONTOS E LENDAS



Conta-se que andava um dia D. Fernando de Lima, da nobre estirpe dos Limas do Alto Minho, por suas terras, e assistiu a uma estranha luta. Duas doninhas lutavam contra uma cobra, à porta da toca onde tinham os filhotes.


Estavam já bastante feridas mas não abandonavam a luta.


Ao presenciar isto, o cavaleiro teve pena das doninhas que eram mais fracas mas mesmo assim não se davam por vencidas e continuavam a defender os filhos, pegou em sua espada e matou a cobra.


Pouco depois uma das doninhas veio trazer-lhe uma pedra preciosa que tinha no ninho, e a colocou aos pés do amigo que a salvara. Esta pedra existe ainda hoje na família, encastoada no chamado anel da benção em memória dos sentimentos de bravura e gratidão, sentimentos que alguns seres humanos não conhecem.






3.6.05

FÉ QUE MOVE MONTANHAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Uma pequena congregação construiu um novo santuário em um terreno doado por um membro da igreja.


Dez dias antes da nova igreja ser aberta, o fiscal da prefeitura informou ao pastor que o estacionamento era inadequado para o tamanho da construção.


Até que conseguissem dobrar o tamanho do estacionamento, não poderiam usar o novo santuário.


Infelizmente, como o terreno era pequeno, tinham usado cada centímetro na construção, com exceção da montanha atrás do terreno.


Para construir um estacionamento maior, teriam que mover a montanha.


Destemido, o pastor anunciou que à noite gostaria de contar com todos os membros que tivessem "fé para mover montanhas".


Durante o encontro eles fariam orações pedindo à Deus por luz para encontrarem uma solução.


Na hora marcada, 24 dos 300 membros apareceram para a oração.


Eles rezaram por quase três horas.


Quando o pastor terminou, ele disse ao grupo,


- Abriremos no domingo marcado, Deus nunca nos abandona.


Na manhã seguinte, quando ele estava em seus estudos, alguém bateu à porta.


- Com licença, Reverendo. Eu sou de uma companhia de construção do município vizinho.


Estamos construindo um novo centro comercial e estamos precisando de terra para um aterro.


O senhor estaria disposto a nos vender um pouco de terra daquela montanha atrás da igreja?


Nós pagaremos pela terra que removermos e pavimentaremos toda a área exposta.


Se o senhor concordar, podemos iniciar imediatamente.


Nós não poderemos prosseguir nossa obra enquanto não conseguirmos terra para o aterro, daí a urgência.


A pequena igreja estava aberta no domingo marcado como fora originalmente planejado e existiam muito mais membros com "fé que move montanhas" do que no dia da oração.


Você apareceria para aquele encontro para oração?


Muitas pessoas dizem que a fé vem dos milagres.


Mas outros sabem: Os milagres vêm da fé!






1.6.05

UM MINUTO DE SABEDORIA
CARLOS TORRES PASTORINO
CONTOS E LENDAS



Mantenha sua mente limpa de qualquer pensamento menos digno.


Só assim conservará a serenidade e a Paz, como base da felicidade que chegará a você.


O corpo é o reflexo da mente.


E a mente é o reflexo de nossa alma, que é o nosso verdadeiro eu.


Pense coisas nobres e elevadas, e seu corpo manterá inalterável a saúde, trazendo-lhe a felicidade
que tanto almeja.






1.6.05

ATAMAS
JO ANDRADA
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Atamas e sua mulher haviam acolhido Dionísio quando criança, por ocasião da morte de sua mãe, apesar da proibição de Hera. Como vingança, Hera enlouqueceu Atamas, fazendo-o matar os próprios filhos - o mais velho com uma flecha, pois Atamas o via como a um veado, e o mais jovem jogado na água fervente.






1.6.05

A LUA NÃO PODE SER ROUBADA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Ryokan, um mestre Zen, vivia a mais simples e frugais das vidas em uma pequena cabana aos pés de uma montanha. Uma noite um ladrão entrou na cabana apenas para descobrir que nada havia para ser roubado.


Ryokan retornou e o surpreendeu lá.


"Você fez uma longa viagem para me visitar," ele disse ao gatuno, "e você não deveria retornar de mãos vazias. Por favor tome minhas roupas como um presente."


O ladrão ficou perplexo. Rindo de troça, ele tomou as roupas e esgueirou-se para fora.


Ryokan sentou-se nu, olhando a lua.


"Pobre coitado," ele murmurou. "Gostaria de poder dar-lhe esta bela lua."






1.6.05

O MENINO E O PIANISTA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Desejando encorajar o progresso de seu jovem filho ao piano, a mãe levou-o a um concerto de Paderewski. Depois de sentarem, a mãe viu uma amiga na platéia e foi até ela saudá-la. Tomando a oportunidade para explorar as maravilha do teatro, o pequeno menino se levantou e, eventualmente, suas explorações o levaram a uma porta onde estava escrito "Proibida a Entrada".


Quando as luzes abaixaram e o concerto estava prestes a começar, a mãe retornou ao seu lugar e descobriu que seu filho não estava. De repente, as cortinas se abriram e as luzes caíram sobre um impressionante piano Steinway no centro do palco.


Horrorizada a mãe viu seu filho sentado ao teclado, inocentemente, catando as notas de "cai cai balão". Naquele momento, o grande mestre de piano fez sua entrada , rapidamente foi ao piano, e sussurrou no ouvido do menino.


"Não pare, continue tocando".


Então, debruçando, Paderewski estendeu sua mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Logo, colocou a mão direita ao redor do menino e acrescentou um belo acompanhamento de melodia.


Juntos, o velho mestre e o jovem noviço transformaram uma situação embaraçosa em uma experiência maravilhosamente criativa. O público estava perplexo.


E assim são as coisas de Deus. O que podemos conseguir por conta própria mal vale mencionar.


Fazemos o melhor possível, mas os resultados não são exatamente como uma música graciosamente fluida. Mas, com as mãos do mestre, as obras de nossas vidas podem ser lindas.


Na próxima vez que você se determinar a realizar grandes feitos, preste atenção. Você pode ouvir a voz do Mestre, sussurrando em seu ouvido, "não pare, continue tocando". Sinta seus braços amorosos ao seu redor. Saiba que suas fortes mãos estão tocando o concerto de sua vida.


Lembre-se, Deus não chama aqueles que são equipados. Ele equipa aqueles que são chamados. E ele estará lá para amar e guiar você.






31.5.05

A MANEIRA DE AGRADAR AO SENHOR
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Certo noviço procurou o abade Macário, e pediu conselhos sobre a melhor maneira de agradar ao Senhor.


- Vá até o cemitério e insulte os mortos - disse Macário.


O irmão fez o que foi ordenado. No dia seguinte, voltou a Macário.


- Eles responderam? - perguntou o abade


O noviço disse que não.


- Então vá até lá, e elogie-os.


O noviço obedeceu. Naquela mesma tarde, voltou até o abade, que de novo quis saber se os mortos
haviam respondido.


- Não - disse o noviço.


- Para agradar ao Senhor, comporte-se da mesma maneira - comentou Macário. - Não conte nem com o desprezo dos homens, nem com seus louvores; desta maneira, você pode construir o seu próprio caminho.






30.5.05

MENSAGEM
CHICO XAVIER
CONTOS E LENDAS




Nasceste no lar que precisavas, vestiste o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.


Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades - nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.


Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.


Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.


Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.


Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.


Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes. São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.


Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa.


A mudança está em tuas mãos.


Reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor.


Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.






30.5.05

JULGANDO O PROXIMO
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Um dos monges do mosteiro de Sceta cometeu uma falta grave, e chamaram o ermitão mais sábio para que pudesse julgá-la.


O ermitão se recusou, mas insistiram tanto que ele terminou por ir. Antes, porém, pegou um balde e furou-o em várias partes; Depois, encheu-o de areia e encaminhou-se para o convento.


O superior, ao vê-lo entrar, perguntou o que era aquilo.


- Vim julgar meu próximo, disse o ermitão. Meus pecados estão escorrendo detrás de mim, como a areia escorre deste balde. Mas, como não olho para trás e não me dou conta dos meus próprios pecados, fui chamado para julgar meu próximo!


Os monges desistiram da punição na mesma hora.






30.5.05

LAMA
MEIRE MICHELIN
CONTOS E LENDAS




As pessoas repararam que um rabino começou a passear por lugares de péssima fama.


Os fiéis começaram a pensar e comentar que o rabino havia abandonado a busca espiritual e que agora só desejava divertimento.


As conversas circularam e ninguém mais queria frequentar a sinagoga.


Um rapaz resolveu advertir o rabino:


"O senhor frequenta lugares suspeitos e as pessoas não gostam disso."


O rabino então respondeu ao jovem:


"Se você quer tirar alguém da lama, não basta estender a mão de longe. A solução é também entrar na lama e puxá-lo para fora. É isso que estou fazendo, e minha tarefa vale mais que a hipocrisia e a maledicência dos falsos devotos."






30.5.05

OBSTÁCULOS? LIDE COM ELES AGORA
BRIAN CAVANAUGH
CONTOS E LENDAS




Durante anos, um velho fazendeiro tinha arado ao redor de uma grande pedra em um de seus campos. Ele tinha quebrado várias lâminas do arado e tinha cultivado um ódio mórbido pela pedra.


Um dia, depois de quebrar outro arado, e se lembrando de toda a dificuldade que a pedra lhe tinha causado por anos, ele decidiu finalmente fazer algo que resolvesse o problema definitivamente.


Quando ele pôs uma alavanca debaixo da pedra, ele foi pego de surpresa ao descobrir que a pedra tinha apenas 18 centímetros, aproximadamente, e que ele poderia, facilmente, quebrar a pedra com uma marreta.


Quando estava carregando os pedaços da pedra ele não se conteve e começou a rir sozinho, enquanto se lembrava de toda a dificuldade que a pedra tinha lhe causado durante anos e como teria sido melhor se tivesse enfrentado o obstáculo e quebrado a pedra mais cedo.






16.5.05

CAIXINHA DE SURPRESA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Há certo tempo atrás, um homem castigou sua filhinha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.


O dinheiro andava escasso naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina envolvendo uma caxinha com aquele papel dourado e colocá-la debaixo da árvore de Natal.


Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menininha levou o presente a seu pai e disse: "Isto é pra você, paizinho!". Ele sentiu-se envergonhado da sua furiosa reação, mas voltou a "explodir" quando viu que a caixa estava vazia.


Gritou, dizendo: "Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?" A pequena menina olhou para cima com lágrima nos olhos e disse: "Oh, Paizinho, não está vazia. Eu soprei beijos dentro da caixa. Todos para você, Papai." O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse.


Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos e sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ela tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.


De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós humanos temos recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional e beijos de nossos pais, filhos, irmãos e amigos......


Ninguém poderá ter uma propriedade ou posse mais bonita que esta.






16.5.05

SITA
AUTOR DESCONHECIDO
MITOS DA INDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE




SITA, mulher de Rama que é um avatar de Vishnu. Ela é uma encarnação de Lacshimi.


Representa a esposa hindu ideal. Foi rapatada pelo demônio Ravana e levada para a morada deste, mas permaneceu devoatada ao marido.






16.5.05

O DESENHO QUE SEDUZIA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Um grande sábio sufi passou anos meditando sobre a vida. Para dividir seu conhecimento, fez um desenho numa folha de papel, e mostrou aos seus discípulos.


Os seguidores do sábio sufi ficaram tão impressionados com a beleza do trabalho, que mandaram imprimir o desenho numa placa de bronze. Logo a noticia se espalhou, e começaram a vir peregrinos do mundo inteiro, para decifrar cada linha do desenho. Em poucos anos, as pessoas passaram a adorar a placa de bronze, como se fosse sagrada.


- Não é desta maneira que a beleza deve ser vista - disse o sábio, decepcionado. - Ela deve ajudar o homem a compreender os mistérios de Deus, mas não pode ser a razão da vida.


Imediatamente mandou fundir a placa, e transformou-a em um caldeirão.


- Pelo menos, desta maneira o bronze ainda continua belo, mas não perde o seu significado.






16.5.05

OBSTÁCULOS? LIDE COM ELES AGORA
BRIAN CAVANAUGH
TRADUÇÃO DE SERGIO BARROS
CONTOS E LENDAS




Durante anos, um velho fazendeiro tinha arado ao redor de uma grande pedra em um de seus campos.


Ele tinha quebrado várias lâminas do arado e tinha cultivado um ódio mórbido pela pedra.


Um dia, depois de quebrar outro arado, e se lembrando de toda a dificuldade que a pedra lhe tinha causado por anos, ele decidiu finalmente fazer algo que resolvesse o problema definitivamente.


Quando ele pôs uma alavanca debaixo da pedra, ele foi pego de surpresa ao descobrir que a pedra tinha apenas 18 centímetros, aproximadamente, e que ele poderia, facilmente, quebrar a pedra com uma marreta.


Quando estava carregando os pedaços da pedra ele não se conteve e começou a rir sozinho, enquanto se lembrava de toda a dificuldade que a pedra tinha lhe causado durante anos e como teria sido melhor se tivesse enfrentado o obstáculo e quebrado a pedra mais cedo.






11.5.05

O INVENTÁRIO DAS COISAS PERDIDAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





A meu avô aquele dia o vi diferente. Tinha o olhar enfocado ao longe. Quase ausente. Penso agora que talvez pressentisse que era o último dia de sua vida.


Me aproximei e disse: "Bom dia avô!" E ele estendeu a sua mão em silêncio. Me sentei junto ao seu sofá e depois de uns instantes um tanto misteriosos, exclamou: - "Hoje é dia de inventário, filho!"


"Inventário?" Perguntei surpreso.


Sim. Inventário de tantas coisas perdidas! Sempre tive desejos de fazer muitas coisas que nunca fiz, por não ter vontade suficiente para sobrepor-me a minha preguiça. Lembro também daquela menina que amei em silêncio por tantos anos, até que um dia foi embora do povoado sem eu saber.


Também estive a ponto de estudar engenharia, mas não me atrevi. Lembro de tantos momentos em que fiz mal aos outros por não ter a coragem necessária para falar, para dizer o que pensava. E outras vezes em que a valentia me faltou para ser leal. Foram poucas as vezes que tenho dito para sua avó que a amo, e que a amo com loucura. Tantas coisas não concluídas, tantos amores não declarados, tantas oportunidades perdidas!"


Logo, com certa alegria em seu rosto, continuou: - "Sabes o que tenho descoberto nestes dias? Sabes qual é o pecado mais grave na vida de um homem?"


A pergunta me surpreendeu e só atinei em dizer, com certa insegurança: "Não tenho pensado nisso ainda, mas suponho que seja matar a outros seres humanos, odiar ao próximo e desejar-lhe mal...".


Me olhou com afeto e me disse: "Penso que o pecado mais grave na vida do ser humano é o pecado da omissão. E o mais doloroso é descobrir as coisas perdidas sem ter tempo de encontra-las e recupera-las."


No dia seguinte voltei cedo para casa, depois do enterro do meu avô para fazer com calma o meu próprio "inventário" das coisas perdidas, das coisas não ditas, do afeto não manifestado.






11.5.05

O TRABALHO NA LAVOURA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS





O rapaz cruzou o deserto, e chegou finalmente ao mosteiro de Sceta, perto de Alexandria. Ali, pediu para assistir uma das palestras do abade - e recebeu permissão.


Naquela tarde, o abade discorreu sobre a importância do trabalho na lavoura.


No final da palestra, o rapaz disse a um dos monges:


- Fiquei muito impressionado. Achei que ia encontrar um sermão iluminado sobre as virtudes e os pecados, e o abade só falava de tomates, irrigação, e coisas assim. Do lugar onde venho, todos acreditam que Deus é misericórdia: basta rezar.


O monge sorriu, e respondeu:


- Aqui, nós acreditamos que Deus já fez a parte Dele; agora cabe a nós continuar o processo.






11.5.05

TESTE DE INTEGRIDADE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS







Há muito tempo houve um mestre que vivia em um templo arruinado, em companhia de grande número de discípulos.


Todos sobreviviam graças às doações e esmolas recebidas dos moradores de uma cidade próxima.


Os discípulos, insatisfeitos com a situação, começaram a reclamar das péssimas condições do templo.


Um dia, o mestre chamou todos para uma reunião e propôs o seguinte: "nós devemos fazer uma reforma geral no templo, mas como nos ocupamos somente com estudos e meditações, não sobra tempo para trabalhar e arrecadar o dinheiro que precisamos. Assim, eu pensei numa solução simples e gostaria de saber se posso contar com todos vocês."


Os discípulos ouviam com atenção enquanto o mestre lhes disse: "cada um de vocês deve ir para a cidade e roubar bens que poderão ser vendidos para a arrecadação de dinheiro. Desta forma poderemos fazer uma boa reforma em nosso templo."


Os estudantes ficaram espantados com a sugestão do mestre, a quem todos julgavam um verdadeiro sábio. Mas, desde que todos tinham por ele grande respeito, não fizeram nenhum protesto.


E o mestre disse, logo a seguir, de modo bastante severo: "como estaremos cometendo atos ilegais e imorais, e não quero manchar nossa excelente reputação, solicito que só roubem quando ninguém estiver olhando. Não quero que ninguém seja apanhado em flagrante."


Quando o mestre se afastou, os discípulos discutiram o plano.


É errado roubar, disse um deles. Por que nosso mestre nos pede para cometer este ato?


Outro respondeu em seguida: "isto permitirá que possamos reformar o nosso templo, o que é uma boa causa."


Dessa forma, todos concordaram que o mestre era sábio e justo e deveria ter uma boa razão para fazer tal pedido.


Assim, logo partiram em direção à cidade, prometendo que fariam tudo às escondidas para não causar a desgraça do templo.


Todos os estudantes foram para a cidade. Todos, menos um.


O sábio se aproximou dele e lhe perguntou: "por que você ficou para trás?"


"Porque não posso seguir as orientações para roubar onde ninguém esteja me vendo."


O mestre se fez de desentendido e pediu ao garoto que se explicasse melhor.


E ele disse com firmeza: "aonde quer que eu vá, eu sempre estarei olhando para mim mesmo. Meus próprios olhos irão me ver roubando e minha consciência registrará o fato."


O sábio mestre abraçou o menino com um sorriso de alegria e disse: "eu só estava testando a integridade dos meus estudantes, e você foi o único que passou no teste."


Após muitos anos aquele garoto se tornou um grande mestre.






18.4.05

FELICIDADE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





Certa vez um sábio chinês contou esta parábola aos seus súditos:


" Uma vez o cãozinho parou e ficou admirando um enorme cão que ficava correndo atrás de seu próprio rabo, de tanto esforço ele ficava tonto e caia toda a todo instante. Já sem forças, ele foi interrogado pelo cãozinho:


-Por que faz isto?


O cachorro grande respondeu:


-Descobri que a felicidade do cachorro está no rabo, então fico correndo atrás dele para alcança-la. Mas a cada hora, ela parece ficar mais distante...


O cãozinho disse-lhe:


-Não faça mais isto, faça como eu, vai seguindo a vida que a felicidade vem atrás de você."


Que nós então façamos o mesmo, não fique alucinado buscando soluções para os problemas que ainda nem existem, siga em frente, guarde apenas os momentos bons, tente superar os antigos traumas para a felicidade vir de encontro com sua vida. O que ainda não conseguiu é por que não estava na hora.


"Não queira prender todas borboletas, cuide do seu jardim para que elas venha até você"






18.4.05

O CAVALINHO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





Certa tarde, um homem saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos.


Em determinado momento da caminhada, Helena, a mais nova, pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando.


O pai respondeu que estava também muito cansado.


Diante da resposta, a garotinha começou a choramingar e fazer "corpo mole".


Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e o entregou a Helena dizendo:


- Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha! Ele irá ajudá-la a seguir em frente.


-A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros.


Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.]


A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como entender a atitude de Helena.


O pai sorriu e respondeu dizendo:


-Assim é a vida minha filha. Às Vezes a gente está física e mentalmente cansado, certo de que é impossível continuar. Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá ânimo outra vez. Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção...


Assim, quando você se sentir cansado ou desanimado nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo.


Lembre-se:


Sempre haverá um cavalinho para cada momento.






21.3.05

LIBRA - A BALANçA DA JUSTIçA
STELA BRITO
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE




Libra não possui uma narrativa própria, mas tem seu conceito baseado na história da Astréia, protagonista do mito de Virgem. Além desta deusa ter sido transformada em constelação, a sua balança também o foi, deixando para a humanidade a lembrança da eqüidade, da lei e da justiça.


Durante a Idade de Ouro, quando a primavera era eterna e os homens viviam em harmonia com os deuses, Astréia, filha de Júpiter e Têmis, vivia na terra, entre os humanos, aconselhando-os e dando-lhes noções de leis e justiça. Nesta época, no mundo não haviam guerras, catástrofes ou crimes. A natureza era plena e oferecia alimento a todos os homens, que existiam em paz com os deuses.


Mas os homens tornaram-se gananciosos e passaram a negligenciar suas obrigações com os deuses, acreditando-se donos do próprio destino. Irritado com a prepotência dos mortais, Zeus determina um castigo: a Idade de Ouro estava acabada. A primavera seria limitada, a terra deveria ser tratada para produzir frutos e a juventude eterna não existiria mais.


Ao ver o comportamento dos humanos e os castigos que o deus dos deuses os impunha, Astréia se refugia nas montanhas, mas continua a disposição daqueles que quiserem procurá-la e ouvir seus sábios conselhos.


Mesmo com todos os castigos de Zeus, a punição da humanidade não terminara, os homens descobrem a guerra. Este período belicoso caminha para uma nova era, a Idade de Ferro, em que os homens não têm mais respeito pela honra, franqueza e lealdade, tendo as ações determinadas pela ambição e violência.


Ao ver em qual ponto as coisas estavam, Astréia, entristecida, resolve abandonar a Terra e deixar de conviver com os mortais. A deusa, então, refugia-se no céu na constelação de Virgem. Sua balança também é catasterizada na constelação de Libra, para lembrar aos homens que o mundo é regido por leis e que tudo deve ser ponderado - as ações devem ser pesadas em contraponto com as conseqüências.






21.3.05

O CASAL QUE SORRIA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS





Eu era casado com Cecília Macdowell, e - num período em que havia decidido largar tudo que não me dava entusiasmo - fomos morar em Londres. Vivíamos no segundo andar de um pequeno apartamento em Palace Street, e tínhamos muita dificuldade em fazer amigos. Todo noite, porém, um casal jovem, saindo do pub ao lado, passava diante de nossa janela e acenava, gritando, para que descessemos.


Eu ficava preocupadíssimo com os vizinhos; jamais descia, fingindo que não era comigo. Mas o casal repetia sempre a gritaria, mesmo quando ninguém estava na janela.


Certa noite, desci e reclamei do barulho. Na mesma hora, o riso dos dois transformou-se em tristeza; pediram desculpas, e foram embora. Então, naquela noite me dei conta que, embora buscasse amigos, estava mais preocupado com "o que os vizinhos vão dizer".


Resolvi que na proxima vez eu os convidaria para subir e beber algo conosco. Fiquei uma semana inteira na janela, na hora que costumavam passar, mas não apareceram. Passei a frequentar o pub, na esperança de ve-los, mas o dono não os conhecia.


Coloquei um cartaz na janela, escrito "Chamem novamente". Tudo que consegui foi que um bando de bêbados, certa noite, começassem a gritar todos os palavrões possíveis, e a vizinha - com quem eu tanto me preocupara - terminasse reclamando com o proprietário.


Nunca mais os vi.









21.3.05

MITO INDIGENA DO SOL
STELA BRITO
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE





Antigamente, muito antigamente, no tempo em que vivia entre os Tucuna, o Sol era um moço forte e muito bonito.


Por ocasião da festa de Moça-Nova, o rapaz ajudava sua velha tia no preparo da tinta de urucu. Ia à mata e trazia uma madeira muito vermelha, chamada Muirapiranga.


Cortava a lenha para o fogo onde a velha fervia o urucu para pintar os Tucuna. A tia do moço era muito mal humorada, estava sempre a reclamar e a pedir mais lenha.


Um dia o Sol trouxe muita muirapiranga e a velha tia ainda resmungava insatisfeita. O rapaz resolveu então que acabaria com toda aquela trabalheira. Olhou para o fogo que ardia, soltando longe suas faíscas. Olhou para o urucu borbulhante, vermelho, quente.


Desejou beber aquele líquido e pediu permissão à tia que consentiu: - Bebe, bebe tudo e logo, disse zangada. Julgava e desejava que o moço morresse. Mas, à medida que ia bebendo a tintura quente, o rapaz ia ficando cada vez mais vermelho, tal qual o urucu e a muipiranga. Depois, subindo para o céu, intrometeu-se entre as nuvens e passou desde então a esquentar e iluminar o mundo.






17.3.05

ACAMAS
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE




Ácamas era filho de Teseu, rei de Atenas, e de Fedra, sua mulher (ela própria, filha do rei de Creta, Minos).


Quando Teseu partiu em campanha com o seu amigo Pirítoo (em primeiro lugar para raptar Helena, ainda uma menina, que ele entregou à sua própria mãe Etra, e depois Perséfone, que ele tratou de arrancar aos Infernos), confiou o trono de Atenas aos seus filhos Ácamas e Demofonte.


Mas Castor e Pólux, irmãos de Helena, intervieram e, enquanto Teseu esteve prisioneiro nos Infernos, eles libertaram a sua irmã, capturaram Etra, expulsaram os filhos de Teseu e substituíram-nos no trono por Menesteu, descendente de Erecteu.


Ácamas e Demofonte retiraram-se, então, para a ilha de Ciros. Foi lá que seu pai, depois de libertado, os reencontrou e morreu.


Quando Helena, entretanto casada com Menelau, foi de novo raptada, mas desta vez por Páris, filho de Príamo, rei de Tróia, foi a Ácamas que Menelau apelou, no sentido de negociar com Tróia o regresso de Helena, para junto de seu marido.


A presença de Ácamas na corte de Tróia não passou despercebida aos olhos de uma das jovens princesas, "a mais bela das filhas de Príamo e de Hécuba", Laódice. Esta, profundamente apaixonada por Ácamas, confidencia os seus ardores à mulher do rei de Dárdano, em Tróade. A Rainha irá, então, sugerir ao seu marido convidar Acamas e Laódice para um banquete. A jovem, apresentada como uma cortesã de Príamo, é sentada ao lado do jovem grego e, ainda a noite não tinha terminado, já os dois se tinham unido, amorosamente. Desta união irá nascer Múnito, que a mãe de Teseu, Etra - ela tinha acompanhado Helena à corte de Príamo - terá por missão educar.


A embaixada de Ácamas não teve outro sucesso senão este. E a guerra de Tróia começou então. Ácamas participou nela, assim como o seu irmão Demofonte, na esperança de libertar a sua avó. Ácamas passa, mesmo, por ter sido um dos numerosos guerreiros que se esconderam no interior do cavalo de madeira.


Obtida a vitória, resgatadas Helena e Etra - esta última graças aos seus netos que a reconheceram no meio dos cativos dos Gregos - Ácamas regressa à Ática. À morte de Menesteu, irá recuperar o trono de Atenas, que ocupará com grande sabedoria. (As aventuras de Ácamas são, por vezes, atribuídas ao seu irmão, Demofonte.)






17.3.05

A CATADORA DE VIDRO
MARISA G
CONTOS E LENDAS





Uma família de cinco pessoas estava passeando um dia na praia.


As crianças estavam tomando banho de mar e fazendo castelos na areia, quando, ao longe, apareceu uma velhinha.


Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento e suas roupas eram sujas e esfarrapadas. Resmungava qualquer coisa, enquanto apanhava coisas da praia e as colocava em um saco.


Os pais chamaram as crianças e lhes disseram para ficar longe da velha.


Quando esta passou, curvando-se de vez em quando para apanhar coisas, sorriu para a família, mas seu cumprimento não foi correspondido.


Muitas semanas mais tarde, souberam que a velhinha dedicara a vida à cruzada de apanhar caquinhos de vidro da praia para que as crianças não cortassem os pés.






17.3.05

CANASTRA DE PAPIRO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DE ISRAEL
MITOLOGIA E FOLCLORE





A Aliança entre Yahveh e o povo hebreu fica selada do modo citado e nas tábuas de pedra que Moisés tomou no monte Sinaí, aparecerão gravadas, em forma de preceitos, as obrigações para com tão terrível deidade. E, assim, o primeiro mediador, e intérprete, da palavra divina foi escolhido entre os filhos dos mortais. O próprio nascimento de Moisés e as diversas circunstâncias que se sucedem então, talvez pressagiassem o seu posterior protagonismo.


No "Livro do Êxodo" é narrada a história de uma criatura que se livrou de perecer afogada porque não foi achada pelas hostes do Faraó egípcio, que tinha ordenado que todos os homens israelitas,recém-nascidos,fossem arrojados ao rio Nilo. No entanto, e curiosamente, foi uma filha do próprio Faraó quem salvou Moisés (nome que significa "das águas o tirei") de perecer afogado no rio. Eis aqui o relato dos fatos: "Um homem da casa de Levi foi tomar por mulher uma filha de Levi. Concebeu a mulher e deu à luz um filho; e vendo que era belo teve-o escondido durante três meses. Mas não podendo ocultá-lo já por mais tempo, tomou uma cestinha de papiro, calafetou-a com betume e pixe, metia nela o menino e pô-la entre os juncos, à beira do rio. A irmã do menino colocou-se ao longe para ver o que lhe passava.


Desceu a filha do Faraó para banhar-se no rio e, enquanto as suas donzelas passeavam pela beira do rio, viu a cestinha entre os juncos e enviou uma criada sua para que a trouxesse. Ao abri-la, viu que era um menino que chorava. Compadeceu-se dele e exclamou: "É um dos meninos hebreus". Então disse a irmã à filha do Faraó: "Queres que eu vá e chame uma aia entre as hebraicas para que te crie este menino? ". "Vai", respondeu-lhe a filha do Faraó. Foi, pois, a jovem e chamou a mãe do menino. E a filha do Faraó disse-lhe: "Toma este menino e cria-o que eu te pagarei". Tomou a mulher o menino e criou-o. O menino cresceu e ela levou-o então à filha do Faraó, que o teve por filho e lhe chamou Moisés, dizendo: "Das águas o tirei".


Alguns estudiosos da história e da mitologia notaram o paralelismo entre a história de Moisés (narrada no Livro de Êxodo) e a infância de um rei de Akad chamado Sargão (nome que significa "Senhor das Quatro partes do Mundo") que invadiu a Mesopotâmia durante a sua juventude e, quando era menino, a sua mãe tinha-se visto obrigada a depositá-lo numa cestinha trançada com juncos.






17.3.05

A REBELIÃO DOS HUMANOS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DOS INCAS
MITOLOGIA E FOLCLORE





Como em quase todos os mitos mais elaborados da criação do homem, o desagradecimento é o único pagamento à bondade infinita que recebe o bom deus das suas criaturas.


O Universo criado por Uira Cocha não podia ser menos, e não atende a sua chamada nenhum dos recém-nascidos.


O deus encontra-se sozinho e entristecido no sítio Cacha, com a triste realidade da desobediência dos seus filhos.


A evidência é irrefutável e a fórmula obrigatória para dar a entender quem manda sobre o mundo tem que vir em forma duma devastadora chuva de fogo, uma ação de castigo e de purificação, que serve tanto para recordar o poder do Ser Supremo como para levar os soberbos humanos ao bom caminho.


A chuva de fogo que sai das entranhas da terra através dos vulcões de Cacha faz alastrar oportunamente o temor entre os estúpidos humanos, evitando-lhes de assim que se tornem merecedores de mais e maiores castigos à sua cegueira, pois os homens, ao ver que a sua insensata e torpe conduta os levou à destruição do seu maravilhoso ambiente, viram que podiam ter perdido com ela a recém-criada vida vegetal e animal, pondo mesmo em perigo a sua própria e recente existência, e agora estão totalmente arrependidos das suas faltas para com o benfeitor deus Uira Cocha e rezam para pedir-lhe clemência, implorando- lhe também o seu perdão sem altivez, com sentida humildade.


O bom deus fica contente ao comprovar que se conseguiu aquele desejado regresso ao bom caminho das suas criaturas, e termina por dar-lhes a sua muito especial lição de modéstia, dado que puderam ver como o que receberam gratuitamente também pode perder-se pela simples vontade do deus criador. Já com os humanos agrupados ao seu redor, se dirige para um lugar que se chamará Cosco (o centro, a posterior Cuzco), onde estabelece o Inca Uira Cocha o seu primeiro reinado, mas dando a um ser humano, a um dos arrependidos homens, o comando da primeira cidade e o centro do primeiro império que existe sobre o planeta, e este primeiro chefe, o primeiro Inca diretamente designado pela divindade, é o legendário Allca Huisa, que será do mesmo modo o gerador da longa e poderosa estirpe dos incas.






17.3.05

LOKI, O TRAPACEIRO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE





Os deuses nórdicos estavam com problemas no alto reino de Asgard. A casa onde moravam não tinha muros para protegê-la dos inimigos. Assim, quando um cavaleiro passou e ofereceu para construir um muro, eles escutaram com atenção.


"Será um grande muro", ele disse, "uma barreira para todos os inimigos. De hoje a dezoito meses, todas as suas preocupações se acabarão".


"E qual é seu preço?", perguntou Odin, o sábio.


"Nada menos que a deusa Freyja como esposa", respondeu o estrangeiro. "E o sol e a lua também".


Os deuses ficaram furiosos e quiseram expulsar de Asgard o homem que tinha ousado pensar que a bela Freyja poderia ser negociada Mas o esperto Loki disse:


"Se você puder construir o muro em seis meses, o negócio está fechado!. Aos outros deuses, sussurrou: "Em seis meses, ele só construirá meio muro, mas pelo menos essa parte será de graça." O homem olhou Freyja mais uma vez, enquanto ela chorava lágrimas de ouro, e concordou, se seu cavalo pudesse ajudá-lo.


Durante todo o inverno o estrangeiro trabalhou. Com ajuda de seu cavalo, ele conseguiu juntar pedras para um muro maciço em volta de Asgard. Quando o verão se aproximou, o desastre esperava pelos deuses. Pois, contra todos os prognósticos, o construtor tinha quase terminado o muro.


"Você se julga tão esperto, Loki", disse Odin. "Você nos meteu nisso; agora você tem que nos tirar disso. Não podemos deixar Freyja se casar com este estrangeiro, que pode ser um gigante disfarçado. E, sem o sol e a lua, a vida não valerá a pena. Faça alguma coisa!"


Loki pensou muito e disse: "Sem o cavalo o construtor não poderá trazer as pedras que faltam." Como Loki era capaz de se transformar, naquela noite ele se disfarçou em uma bela égua e atraiu para longe o cavalo do estrangeiro. Vendo que não poderia terminar o muro no prazo, o construtor ficou furioso. Seu disfarce caiu, revelando que ele era um gigante, um dos inimigos dos deuses.


Os deuses chamaram Thor, o mais forte deles. Com seu martelo, Miollnir, Thor pagou ao construtor seu salário: não com o sol nem com a lua, mas com um tremendo golpe na cabeça. Quanto a Loki, quando achou que seria seguro voltar a Asgard, ele chegou com um cavalo de oito patas, cujo nome era Sleipnir. Loki deu Sleipnir para Odin, dizendo: "Nenhum cavalo jamais poderá competir com este. Ele o levará através dos mares e do ar, e para a terra dos mortos e de lá de volta."


Como Loki prometeu, Sleipnir nunca falhou com seu novo senhor, Odin. Mas nem todos os descendentes de Loki são como Sleipnir. Loki é meio gigante e tem três filhos com uma giganta. O primeiro é Fenris-lobo, que no fim do mundo irá devorar Odin.


O segundo é a serpente Midgard, e a terceira é a senhora da morte, Hel, que festeja com a fome e se alegra com a doença.


Quando Odin viu que essas terríveis crianças estavam soltas no mundo, fez com que viessem até ele. A serpente ele jogou no oceano; ela era tão grande que circundou o mundo e mordeu seu próprio rabo. Hel, ele expulsou para Niflheim, a Terra dos Mortos, e lhe deu poder sobre tudo que morre de doença ou de velhice.


Mas o Fenris-lobo não era fácil de controlar. Só o deus Tyr era suficientemente corajoso para alimentá-lo, e até ele podia ver que o Fenris-lobo logo ficaria forte o bastante, para fazer muito mal. Assim, os deuses fizeram uma corrente muito forte e o prenderam com ela. Mas com uma patada ele partiu a corrente.


Eles tentaram outra vez com uma corrente ainda mais forte. E outra vez o lobo se soltou. Odin pediu ajuda aos anões, e eles fizeram o grilhão chamado Gleipnir. Macio como seda, Gleipnir era feito de ingredientes especiais: o som de um passo de gato; uma barba de mulher; as raízes de uma montanha; os tendões de um urso; a respiração de um peixe; e o cuspe de um pássaro. Os deuses levaram o Fenris-lobo para uma ilha deserta e o desafiaram a quebrar Gleipnir. Percebendo a armadilha, o lobo concordou em ser amarrado só se um dos deuses pusesse uma mão em sua boca, como sinal de boa fé. Assim, o bravo Tyr enfiou sua mão entre as mandíbulas do terrével lobo.


Eles amarraram o lobo com os grilhões macios mas, dessa vez, quando ele esperneou o grilhão apenas se apertou mais. Furioso, o Fenris-lobo fechou suas enormes mandíbulas e decepou a mão direita do deus Tyr.


Mesmo sabendo que chegaria o tempo em que o Fenris-lobo se libertaria e traria morte e destruição a todos eles, os deuses não o mataram.


"O que tem de ser, será", disseram.






17.3.05

NOSSAS PASSARELAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Contou-nos um professor, que um dia desses deu carona a uma amiga e esta estava irradiando felicidade.


O motivo da sua alegria era o fato de haver vencido algo que a atormentava desde a infância: o medo de atravessar passarelas.


Moradora de uma cidade grande, vez ou outra precisava atravessar uma rua movimentada utilizando as passarelas destinadas aos pedestres.


Sempre que ia enfrentar esse terror, ela se agachava, se agarrava ao parapeito e seguia engatinhando como se fosse um bebê.


Naquele dia, em que conversava com o amigo, ela contou que, quando estava quase no meio do trajeto, começou a conversar consigo mesma sobre o tormento do medo.


Viu-se, ali, agarrada às muretas, se arrastando como se a passarela fosse desabar em minutos, e se questionou: "como pode uma mulher de quase 50 anos de idade estar rastejando desse jeito, enquanto crianças passam descontraídas e confiantes!?"


"Isso não faz sentido!"


E, buscando uma força interior que não imaginava possuir, levantou-se, respirou fundo, apoiou a mão suavemente sobre o parapeito, e seguiu.


Mas não foi só isso!


Desafiando o próprio medo ela ousou olhar para baixo, os carros que transitavam em alta velocidade.


Os primeiros momentos foram de luta íntima entre a confiança e a fobia, mas venceu o bom senso e ela chegou ao outro lado, irradiando felicidade.


Havia derrotado o monstro que a aterrorizou por longo tempo.


Muitos de nós temos nossas passarelas para enfrentar.


E elas se apresentam das mais variadas formas e nos mais inesperados momentos.


São as fobias e medos que nos infelicitam, que nos fazem rastejar, que nos impedem os passos na travessia dos obstáculos necessários ao nosso crescimento espiritual.


E muitas dessas passarelas são fruto da nossa imaginação, da nossa falta de fé, da nossa insegurança.


Importante que pensemos no objeto dos nossos medos com a seriedade que o assunto exige.


Existem perigos reais que provocam o medo racional, que aciona o instinto de conservação com o fim de preservar nossa integridade moral e física. Isso é perfeitamente natural.


Mas também existem perigos imaginários, que impedem nossa caminhada e nos deixam ilhados nos limites gerados pelo medo irracional, o medo sem sentido.


Quando, por exemplo, nos deparamos com uma ponte que está rachada, com vários indícios de que poderá desabar, evitar a travessia é decisão de bom senso. Esse medo é perfeitamente racional.


Mas quando a ponte está firme, sólida, não oferece risco algum, e ainda assim sentimos medo de atravessar, esse temor é sem sentido, sem razão de ser. É o medo irracional.


Por isso é importante que façamos uma análise consciente das nossas fobias, para que o medo irracional não nos impeça os passos na direção da felicidade que desejamos alcançar.


Vale a pena enfrentar nossas passarelas com disposição e coragem, para que possamos sentir a satisfação de chegar à outra margem da rua, do rio, dos obstáculos variados.


E atravessar essas passarelas pode significar simplesmente derrotar o medo de ser feliz, que por vezes nos distancia de um abraço de reconciliação, de perdão, de conquistar uma virtude qualquer...
<\FONT>






16.3.05

NOSSAS PASSARELAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Contou-nos um professor, que um dia desses deu carona a uma amiga e esta estava irradiando felicidade.


O motivo da sua alegria era o fato de haver vencido algo que a atormentava desde a infância: o medo de atravessar passarelas.


Moradora de uma cidade grande, vez ou outra precisava atravessar uma rua movimentada utilizando as passarelas destinadas aos pedestres.


Sempre que ia enfrentar esse terror, ela se agachava, se agarrava ao parapeito e seguia engatinhando como se fosse um bebê.


Naquele dia, em que conversava com o amigo, ela contou que, quando estava quase no meio do trajeto, começou a conversar consigo mesma sobre o tormento do medo.


Viu-se, ali, agarrada às muretas, se arrastando como se a passarela fosse desabar em minutos, e se questionou: "como pode uma mulher de quase 50 anos de idade estar rastejando desse jeito, enquanto crianças passam descontraídas e confiantes!?"


"Isso não faz sentido!"


E, buscando uma força interior que não imaginava possuir, levantou-se, respirou fundo, apoiou a mão suavemente sobre o parapeito, e seguiu.


Mas não foi só isso!


Desafiando o próprio medo ela ousou olhar para baixo, os carros que transitavam em alta velocidade.


Os primeiros momentos foram de luta íntima entre a confiança e a fobia, mas venceu o bom senso e ela chegou ao outro lado, irradiando felicidade.


Havia derrotado o monstro que a aterrorizou por longo tempo.


Muitos de nós temos nossas passarelas para enfrentar.


E elas se apresentam das mais variadas formas e nos mais inesperados momentos.


São as fobias e medos que nos infelicitam, que nos fazem rastejar, que nos impedem os passos na travessia dos obstáculos necessários ao nosso crescimento espiritual.


E muitas dessas passarelas são fruto da nossa imaginação, da nossa falta de fé, da nossa insegurança.


Importante que pensemos no objeto dos nossos medos com a seriedade que o assunto exige.


Existem perigos reais que provocam o medo racional, que aciona o instinto de conservação com o fim de preservar nossa integridade moral e física. Isso é perfeitamente natural.


Mas também existem perigos imaginários, que impedem nossa caminhada e nos deixam ilhados nos limites gerados pelo medo irracional, o medo sem sentido.


Quando, por exemplo, nos deparamos com uma ponte que está rachada, com vários indícios de que poderá desabar, evitar a travessia é decisão de bom senso. Esse medo é perfeitamente racional.


Mas quando a ponte está firme, sólida, não oferece risco algum, e ainda assim sentimos medo de atravessar, esse temor é sem sentido, sem razão de ser. É o medo irracional.


Por isso é importante que façamos uma análise consciente das nossas fobias, para que o medo irracional não nos impeça os passos na direção da felicidade que desejamos alcançar.


Vale a pena enfrentar nossas passarelas com disposição e coragem, para que possamos sentir a satisfação de chegar à outra margem da rua, do rio, dos obstáculos variados.


E atravessar essas passarelas pode significar simplesmente derrotar o medo de ser feliz, que por vezes nos distancia de um abraço de reconciliação, de perdão, de conquistar uma virtude qualquer...
<\FONT>






16.3.05


A FLOR DA PAIXÃO
ANDRÉ LUIZ AQUINO
CONTOS E LENDAS





Hoje quero falar de maracujá porque ontem saboreando aos poucos uma torta da tal fruta lembrei-me do nome sugestivo que ela tem em outras línguas: passion fruit em inglês, Fruit de la Passion em francês e Passionsfrucht em alemão.


Vertendo ao pé da letra para o nosso idioma, o significado da tradução é "Fruta da Paixão", o que me deixou muito intrigado e me faz fantasiar ardentemente com os supostos super poderes dessa frutescência sobre os meus mais profundos sentimentos.


Mas meus anseios logo foram desfeitos após uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto, no entanto a fruta da paixão tem esse nome por um motivo igualmente nobre: a paixão de Cristo.


A palavra maracujá é de origem tupi e significa alimento em forma de cuia, os índios já a conheciam muito antes dos colonizadores chegarem à pátria amada idolatrada salve, salve e os jesuítas foram os responsáveis pelo seu descobrimento e catalogação, bem como a divulgação do seu sabor e propriedades calmantes.


Todavia ainda não haviam vislumbrado o que o maracujá, a fruta da paixão, tem de mais belo; sua flor.


Missionários espanhóis do século XVI viram a flor do maracujá e ficaram em êxtase, acharam que sua estrutura representava a Paixão de Cristo. As cinco pétalas e cinco sépalas representavam os 10 Apóstolos, as cinco anteras simbolizavam as cinco Chagas de Cristo, os três estigmas faziam referência aos três pregos na cruz, e os filamentos a Coroa de espinhos....as flores seriam manchadas de roxo em virtude do sangue de Cristo.


Não é só o Louva-Deus de todos os seres viventes que louvam a Deus, mesmo aqueles que pensam estar vivendo em pecado ou não também são filhos de Deus....Deus pra mim é um pai severo, mas que não castiga com as mãos, castiga com as palavras duras...e a sua voz e o mesmo som da minha consciência me condenando ou não.


As sementes do maracujá foram então enviadas de presente ao Papa Paulo V (1605-1621), que mandou cultivá-las com grande carinho em Roma e divulgar que ela representava uma revelação divina.


Ao ver a flor do maracujá o Papa também ficou em extasiado e então a batizou de "Fruta da paixão" fazendo uma alusão direta ao calvário de Jesus Cristo...depois disso o maracujá já tem até outro sabor na minha boca.


A flor do maracujá é mesmo mágica, foi cantada em verso e prosa ao redor do mundo, quando a vi pela primeira vez tive uma sensação de tristeza e alegria ao mesmo tempo, algo que me provou que sentimentos opostos podem sim conviver num mesmo corpo.






16.3.05

O ARTISTA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





Depôs de ter pintado seu quadro imortal intitulado A Última Ceia: Leonardo da Vinci pediu a opinião de um amigo sobre aquele seu trabalho.


O amigo fez inúmeros elogios à obra-prima, dando destaque ao cálice de vinho na mão do Senhor. Naquele exato momento, Leonardo cobriu o cálice com tinta. Dizem que ele fez o seguinte comentário:


Nada deve tirar a atenção de alguém que esteja contemplando o Senhor.






16.3.05

FAZENDO ACERTOS
RON MEHL
CONTOS E LENDAS





Um velho capitão do mar, chamado Eleazar Hall, morava em Bedford, Massachusetts, durante a época das grandes embarcações movidas a vela. Ele era famoso, admirado e respeitado como o capitão mais bem-sucedido da época. Trabalhava muito e viajava por longos períodos. Foi o capitão que perdeu o menor número de homens e pescou mais peixes do que qualquer outro.


Sempre perguntavam ao capitão Hall sobre sua fantástica habilidade de viajar tanto tempo sem nenhum instrumento de navegação. Certa vez, ele partiu numa viagem de dois anos, sem voltar para casa, que era seu ponto de referência.


Eleazar respondia simplesmente:


Ah! Eu subo ao convés e presto atenção ao vento e aos cabos e cordas da embarcação. Sinto a direção da água, olho para as estrelas e estabeleço minha rota.


Bem, os tempos mudaram em Bedford. Grandes empresas seguradoras lá se instalaram, e seus proprietários disseram que não fariam seguro de navios se os capitães não tivessem um navegador a bordo devidamente treinado e autorizado. As pessoas temiam dar essa notícia a Eleazar. Mas, para surpresa de todos, ele disse:


Se eu for obrigado, farei os cursos de navegação que forem necessários, Eleazar diplomou-se com louvor e, por sentir muitas saudades do mar, partiu imediatamente numa longa viagem. No dia de sua volta, a cidade inteira lhe fez esta pergunta:


Eleazar, o que você achou de navegar com todos aqueles mapas e cálculos?


Eleazar endireitou o corpo e deu um longo suspiro.


Ah! ele respondeu , foi simples. Sempre que eu queria saber a posição do navio, ia até minha cabina, pegava os mapas e as tabelas, fazia cálculos e estabelecia minha rota de viagem com precisão científica. Depois, eu subia ao convés e prestava atenção ao vento e aos cabos e cordas da embarcação, sentia a direção da água, olhava para as estrelas e corrigia os erros que tinha cometido ao fazer os cálculos.


Quando ouvi esta história, eu orei: Senhor, quero conhecer-te desta maneira. Quero subir ao convés prestar atenção à tua mansa voz em meu coração, refletir sobre tua Palavra eterna e, depois, fazer acertos em todos aqueles planos maravilhosos, lógicos e científicos que tracei para mim.






16.3.05

SHINTO
DESCONHECO O AUTOR
MITOS DO JAPÃO
MITOLOGIA E FOLCLORE





O xintoismo foi o primeiro estádio religioso do Japão, a primeira explicação mitológica que os humanos querem dar-se dos fenômenos e poderes que se afastam da compreensão, desde o ciclo do dia e a noite até à doença e a morte, passando pela sorte dos cultivos e o gado e pelo comportamento das forças atmosféricas.


Esta religião da natureza, na que não há dogma nem existem diferenças entre os deuses, os humanos, os animais, as plantas e a matéria inanimada, é uma doutrina de meditação, de conhecimento da unidade universal, que vai unida inseparavelmente à total aceitação da ordem reinante, à assunção da circunstância social e familiar.


O Shintô proclama a necessidade da pureza e a exigência da sinceridade. A pureza supõe a eliminação da contaminação pelo sangue, pela morte, pelos alimentos impuros e se consegue através dos ritos purificadores do imi (abstinência), o misogi (banho frio) e o harai (o rito oficiado), que alcança o seu máximo nas festas semestrais do 30 de Junho e do 31 de Dezembro, nos dias do O-harae (Grande purificação).


O Shintô (Shin, deuses; tô, caminho = caminho de deuses) foi colhido numa coleção de textos (shinten); finalmente no século VII, numa versão depurada que se transmitiu oralmente até princípios do VIII, quando a imperatriz Gemmyo fez com que Yasumaro recolhesse da memória de Hieda o conteúdo do relato e o escrevesse, dando ao conjunto o nome de Kojiki (Crônica dos tempos antigos) em três livros, mais uma história nacional, o Nihongi, ou Nihom Shoki (Crônica do Japão). Esta doutrina sintoísta renovada, por propugnar a obediência à ordem, ao imperador, terminou por ser a doutrina oficial e a inimiga do budismo no período de recuperação da autoridade imperial, de 1868 a 1872, passando depois a ser uma instituição à qual se deve uma observação e um respeito mais nacionalista do que religioso.






16.3.05

ARVORES ENCANTADAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE





Mito de Alagoas.


Surgem à beira das estradas e caminhos desertos. Geralmente encontradas por caçadores que aparecem e desaparecem.






16.3.05

O ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO JAPÃO
MITOLOGIA E FOLCLORE



Uma das escolas budistas deu lugar a uma doutrina plenamente japonesa (o zen) a partir de uma idéia chinesa (o chan) que procura a identificação do indivíduo com o espírito universal. Mas o zen chegou a tomar forma própria nas suas diversas vertentes ou seitas, nas quais prevalecia quer a experiência mística, quer a reflexão.

O zen, a meditação pura, aproximou-se muito mais do que nenhuma outra forma do budismo ao espírito do seu fundador, embora também se diferenciasse do seu tratamento ascético, de maneira que converteu-se em breve numa forma de tentar encontrar, só pela pretendida intuição, o controlo da matéria e o movimento.

O zen trata de alcançar o conhecimento dos mistérios através de um misticismo libertador, de uma revelação ou encontro com o mistério, de uma meditação sem lógica, mas com fé, que é simplesmente a fuga do racionalismo e o abandono de qualquer tentativa de explicação teológica ou mitológica do Universo.

Por essa simplicidade da dedicação a uma única idéia, o exercício individual da introspecção, do silêncio e a falta de necessidade de explicar-se ou explicar aos outros,o zen arraigou rapidamente entre os guerreiros,entre os samurai, convertendo-se rapidamente numa religião que era só um instrumento, um meio auxiliar,que tratava de levar os seus fiéis ao triunfo individual.

O zen concretizou-se numa série de práticas que tinha que realizar numa sucessão inseparável, regras de compreensão muito fácil e sem exigências intelectuais, para tentar alcançar a sua meta em quatro passagens consecutivas: situar-se numa única idéia, fazendo possível a concentração espiritual; fazer a reflexão na paz do espírito; conhecer o prazer da serenidade; depurar a concentração de qualquer sentimento, para conseguir o objetivo final da serenidade perfeita e pura, alcançando o indivíduo o controle instantâneo e total do poder cósmico, a unidade com a realidade universal.






16.3.05

AFRODITE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE




É a deusa por excelência do Olimpo, filha de Urano (da espuma que surgiu do que um dia foram atributos viris do deus, após a amputação sofrida nas mãos de Cronos) ou filha de Zeus e Dione, noutro mito anterior e menos sangrento do que o primeiro.

Nascida da espuma do mar (aphros). Cronos castrou o pai e atirou seus órgãos genitais no mar. Deusa da Beleza e das Paixões Sexuais, que a todos seduz,humanos ou mortais; deusa que ama a alegria, que ri docemente ou em tom de zombaria de todos que se deixam conquistar por seus artifícios; a deusairresistível, que priva até os mais sábios de toda sua perspicácia.

Por vezes, costuma ser mostrada como traiçoeira e má, exercendo sobre os homens um poder destrutivo e mortal. Zeus exige que Afrodite case e arruma um marido, Hefesto, deus-ferreiro, o mais feio dos imortais. Afrodite pode ser considerada a deusa dos infiéis: teve vários casos. Com Ares, o deus da guerra, teve Harmonia e Eros. Com Dionísio, teve: Hermes, Hermafrodito e Príapo. Até os mortais não escaparam, com Anquises, teve: Enéias, e Adônis, um belo semi-deus.

Foi uma das causadoras da Guerra de Tróia. Cada uma das três deusas ofereceu algo em troca para conseguir a vitória no concurso de beleza. Afrodite oferece à Páris a mulher humana mais linda do mundo. Páris declarou Afrodite como a mais bela e escolheu como prêmio, Helena, a esposa do rei grego Menelau. O rapto de Helena por Páris foi à causa da Guerra de Tróia.

- Planta: murta, anêmona, benjoim, candelária, crocos, margarida, jacinto, mandrágora, manjerona, salsa, raiz de íris, pervinca, rosa, violeta.

- Animal: pomba, pardal e o cisne.






8.3.05

QUAL O MELHOR EXEMPLO
CONTOS E LENDAS
 
 
Perguntaram a Dov Beer de Mezeritch:
 
- Qual o melhor exemplo a seguir? O dos homens piedosos, que dedicam sua vida a Deus sem perguntar por que? OU o dos homens cultos, que procuram entender a vontade do Altíssimo?
 
- O melhor exemplo é a criança - respondeu Dov Beer.
 
- A criança não sabe nada. Ainda não aprendeu o que é a realidade! - foi o comentário geral.
 
- Voces estão muito enganados, porque ela possui quatro qualidades que nunca devíamos nos esquecer. Está sempre alegre sem razão. Está sempre ocupada.  Quando deseja qualquer coisa, sabe exigi-la com insistência e determinação. Finalmente, consegue parar de chorar muito rápido.