Contos e Lendas

21.12.14

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13.9.05

O ARREPENDIMENTO DA VELHA MÃE
ALLAN B CHINEN
CONTOS E LENDAS



Há muito tempo, uma velha estava sentada sozinha, ao cair da tarde. Justamente naquele dia, havia morrido sua última amiga, deixando-a sozinha, sem parentes ou pessoas em quem confiar e, em sua dor, recordava os muitos infortúnios por que passara, através dos anos. Primeiro havia morrido um filho, depois o outro, quando ainda eram crianças. Posteriormente, o marido - seguido de uma tia, de uma irmã e de todos os seus parentes, um a um. Agora estava sozinha e empobrecida. Em sua desventura, a velha mãe amaldiçoou o destino e voltou-se então contra Deus..

- O que eu fiz para merecer isso? - lamentou-se.

O bimbalhar dos sinos da igreja a acordaram e ela levantou-se., surpresa. - Dormi a noite toda sentada na cadeira! - exclamou. Correu logo para a igreja, como fizera todas as manhãs da sua vida. Quando chegou à capela, espantou-se ao constatar que ela não estava, como de costume, vazia. Os bancos estavam cheios de gente e a velha mãe se sentiu pouco à vontade, pois não reconhecia ninguém de sua aldeia. Então deu-se conta de que os fiéis ali presentes eram amigos e parentes que já haviam morrido!

Nesse momento, uma tia aproximou-se e disse à velha que olhasse para o lado do altar. Lá, a velha divisou dois moços, um pendurado na forca e outro amarrado na roda, ambos criminosos e fora-da-lei. - Isso é o que os seus filhos teriam sido - disse a tia - se o bom Deus não os tivesse levado para o céu, ainda inocentes. A velha mãe encheu-se de arrependimento e gratidão e correu para a casa, tremendo de emoção. Chegando lá, caiu de joelhos e agradeceu a Deus pela graça que antes não soubera ver. No terceiro dia , ela morreu, mas seu olhar estava tão calmo que todos os vizinhos se confessaram maravilhados quando chegaram para enterrá-la.

(Resumo do conto "A velha mãe" da obra de J. Grimm. The Complete Grimm's Fairy Tales, Trad. Por M. Hunt (Nova York: Pantheon, 1944))

(extraido do livro: "... E foram felizes para sempre - Contos de Fadas para adultos", de Allan B. Chinen, Editora Cultrix)







13.9.05

URUTAU, JURUTAUI OU MÃE DA LUA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE




O Urutau é uma ave noturna que, quando a lua desponta, solta um grito triste e assustador. Sobre ele, conta-se uma curiosa lenda.

Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada.

Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente - pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira - adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.

Certa vez, em um desses passeios, ouviu o tropel de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de uma cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal. A moça habilmente procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiura, pois não havia luar, pediu-a em casamento. Mas infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.

Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando. Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura, já estava bem longe.

Desolada, a ave - que era o urutau - procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pode fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste. É por isso que, quando a lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer "foi, foi, foi", lembrando o príncipe que fugira da moça feia.

O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco,dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seu pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou "Cuimbaé acaba de ser morto".

No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de "mãe-da-lua". Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. "Meu filho foi, foi, foi..." - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo testemunha que essa ave noturna, de canto agourento, "melancólico e estranho, lembrando uma gargalhada de dor", cercou-se de "misterioso prestigio assombrador".

Coutinho escreve que as penas dessa sinistra ave são um poderoso "amuleto de preservação da castidade feminina". A mesma informação é dada por Câmara Cascudo e Orico, que evocam o testemunho de José Veríssimo, 40, que afirma ser a pele da ave, seca ao sol, que serve de breve contra a luxúria, "curando" as donzelas das tentações do sexo. Bastava que se varresse o chão, a rede ou cama onde a jovem deitasse, para que fosse afastado dali o que pudesse despertar desejos carnais.

O mesmo caráter agourento é atribuído a outra esta espécie de coruja, a "Rasga-Mortalha", esta última - esclarece Câmara Cascudo - tem esse nome em virtude do som que produz o atrito de suas asas, que faz lembrar um pano sendo rasgado.







13.9.05

SOSSEGO DECORADO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Certa vez, no meio de atividades que eu tinha, loucamente, deixado que se fizessem consumidoras, fui a Atlantic City. Da minha janela poderia olhar diretamente para o mar, que se atirava suavemente sobre as macias praias arenosas. Era uma cena repousante de se contemplar.

O dia estava muito cinzento e nublado. Imperturbavelmente, o mar rolava em direção à praia, com seu rugido profundo, com seu incessante mas perfeito ritmo. Espuma clara borbulhava na crista de suas ondas.

Na praia, e subindo bem alto para o céu azul, depois deslizando com o vento, para baixo, com graça inefável, gaivotas gritavam e mergulhavam.

Tudo naquela cena era gracioso, belo, e conduzia à serenidade. Sua tranqüilidade benigna deitava sobre mim um bálsamo salutar e repousante. Fechei os olhos, e descobri que ainda podia visualizar a cena, tal como a tinha contemplado. Ali estava, tão bem delineado como eu a tinha realmente visto com meus olhos. Ocorreu-me que a razão de poder eu "vê-la" com os olhos fechados, era ter a memória absorvido a paisagem, e estar capacitada para reproduzi-la em pormenores.

Por que, então - raciocinei - não poderia eu reviver uma e muitas vezes aquela cena de tranqüila beleza, mesmo que meu corpo estivesse ausente daquele lugar?

Comecei, deliberadamente, a exercitar a visão de tranqüilas cenas de beleza, que realmente completara.

Às vezes, em meio de trabalho ativo, achei de proveito parar por um minuto ou dois e trazer à memória cenas armazenadas ali, cenas que me haviam impressionado pela sua beleza, e experimentar, mais uma vez, seu notável poder de tranqüilizar, de acalmar, de afrouxar a tensão.

Por exemplo, descobri que quando o sono vem com dificuldade, eu posso, realmente, atrair a sonolência visualizando, com a memória, cenas de tranqüilidade e paz. Deitando com os músculos bem frouxos em minha cama, exercito voltar com a memória para trás, o mais recuadamente possível, e recordar uma por uma as experiências verdadeiramente repousantes de minha vida, tal como a ocasião em que fixei meus olhos no Monte Branco, quando a vasta montanha aparecia banhada em luar. Ou a radiante manhã, beijada de sol, quando nosso grande navio branco lançou âncora nas águas incrivelmente azuis da Praia de Waikiki, no Havaí. Ou naquela tarde mística em que observei, pela primeira vez, as sombras violáceas encherem o Grand Canyon, tornando-o transbordante de silêncio. Ou observando o sol a atravessar velhos bordos sobre um gramado verde, numa tarde de verão, em minha casa de campo.

Atravessando aquelas maravilhosas cenas de beleza e de paz através do poder da memória para recriá-las, a paz de Deus domina-me e eu vou descambando para um sono profundo e pacífico.

Assim, de vez em quando, deixe à parte seus cuidados e os problemas do dia, e percorra com a memória os lugares e as cenas mais belas que já viu ou testemunhou. Isso o aquietará, e, enquanto você se entrega ao poder benigno da visualização tranqüila, encontrará repouso e afrouxamento da tensão.







1.9.05

TANTRA E YOGA
OSHO
CONTOS E LENDAS



É possível encontrar uma síntese entre Yoga e Tantra?

Não, é absolutamente impossível. Isso é tão impossível como se você tentasse encontrar uma síntese entre homem e mulher. Então qual será a síntese? Um terceiro sexo, uma pessoa impotente, será a síntese e isso não será nem homem nem mulher. Sem raízes, esse homem não estará em lugar algum.

Tantra é absolutamente oposto, diametralmente oposto à Yoga. Você não pode fazer qualquer síntese, e jamais tente tal coisa pois você ficará cada vez mais confuso. Um é bastante para lhe confundir; dois será demais! E eles levam a direções diferentes. Eles atingem o mesmo cume; alcançam o mesmo pico - síntese está lá no topo, no clímax - mas no vale, onde a jornada tem início, eles são absolutamente diferentes. Um vai para o Oriente, o outro para o Ocidente. Eles dizem adeus ao outro; eles dão às costas um ao outro. Eles são como homem e mulher - psicologias diferentes, belos em suas diferenças.

Se você fizer uma síntese, isso se torna feio. Uma mulher tem que ser uma mulher... uma mulher tal que ela se torna uma polaridade ao homem. Em suas polaridades eles são belos pois na polaridade deles eles são atraídos um pelo outro. Na polaridade deles eles são complementares, mas você não pode sintetizar. Síntese será bem pobre, síntese será apenas débil. Não haverá nenhuma tensão nisso.

No pico eles se encontram, e esse encontro é orgasmo Onde homem e mulher se encontram, quando seus corpos dissolvem-se, quando eles não são duas coisas, quando yin e yang são um, isso se torna um ciclo de energia. Por um momento, no cume da bio-energia, eles se encontram e depois caem de novo.

O mesmo acontece com Tantra e Yoga. Tantra é feminino, Yoga é masculino. Tantra é rendição, Yoga é vontade. Tantra é passividade, Yoga é esforço...tremendo esforço. Tantra é passivo, Yoga é Ativo. Tantra é como a terra, Yoga é como o céu. Eles se encontram, mas não há nenhuma síntese. Eles se encontram no topo, mas no vale onde a jornada começa, onde vocês todos estão, você tem que escolher o caminho.

Caminhos não podem ser sintetizados. E as pessoas que tentam fazer isso, confundem a humanidade. Eles confundem muito profundamente e eles não são uma ajuda; são bem prejudiciais. Caminhos não podem ser sintetizados, só o final. Um caminho tem que ser separado de outro caminho... perfeitamente separado.

Tantra não tem nenhum conceito de pecado, de nenhuma culpa. Mova-se para o sexo. Apenas permaneça alerta, observando o que está acontecendo. Esteja alerta, ciente do que está acontecendo. Mas não tente controlar, não tente conter-se; permita o fluxo. Mova-se para a mulher; deixe que a mulher mova-se para você. Deixe-os ficar como um círculo e você permanece um observador. Através desse observar e relaxar, Tantra realiza uma transcendência. Sexo desaparece. Essa é uma maneira de ir além da natureza pois ir além do sexo é ir além da natureza.

Yoga diz para não desperdiçar energia: desvie-se do sexo completamente. Não há necessidade de ir para o sexo: você pode simplesmente desviar-se disso. Conserve energia, e não se deixe enganar pela natureza. Lute com a natureza, torne-se uma força de vontade; torne-se um ser controlado, não flutuando por aí.

Todos os métodos da Yoga são para lhe tornar capaz para que não haja nenhuma necessidade de relaxar na natureza, nenhuma necessidade de deixar a natureza ter seu próprio caminho. Você se torna um mestre e você move-se por si mesmo contra a natureza, lutando com a natureza. É um caminho do guerreiro - o guerreiro impecável que luta continuamente, e transcende através da luta.

Estes são totalmente diferentes. Eles conduzem a mesma meta: escolha uma; não tente sintetizar. Como você pode sintetizar? Se você for através do sexo, Yoga é abandonada. Como você pode sintetizar? Se você largar o sexo, Tantra é abandonado. Como você pode sintetizar? Mas lembre-se, eles conduzem ao mesmo objetivo: transcendência é o objetivo. Isso depende de você - de seu tipo.

É você do tipo guerreiro, um homem que luta continuamente? Então Yoga é o seu caminho. Se você não for do tipo guerreiro, se você for passivo - de uma maneira sutil feminino, você não gostaria de lutar com ninguém, realmente não-violento - assim Tantra é o caminho, e devido a que ambos levam a mesma meta, não há nenhuma necessidade de sintetizar.

Sintetizadores, para mim, estão quase sempre errados.

Não se importe com sínteses. Você simplesmente escolhe seu caminho e se agarra a isso. E não se deixe seduzir pelos outros que ficarão lhe chamando para vir para o caminho deles.

A única coisa com que se preocupar é sentir seu tipo e escolher. Não sou contra coisa alguma; sou a favor de tudo. O que quer que você escolha, posso lhe ajudar desse jeito. Porém, nenhuma síntese. Não tente pela síntese.

Yoga: The Alpha and Omega

O que você pode dizer é, em resumo, sua atitude para com todos os muitos diferentes caminhos?

Estou ensinando uma síntese.

Meu sentimento é que o homem que tem estado somente experimentando a Yoga irá permanecer parcial, irá crescer somente em parte... como se a mão de um homem tivesse ficado grande demais e o corpo inteiro ficasse pequeno. Ele irá ser um monstro a menos que ele possa experimentar também com Tantra, pois Tantra é complementar à Yoga.

Lembre-se, esse é um dos meus insights básicos: na vida não existem contradições. Todas as contradições são complementares. Noite é complemento do dia, assim é o verão para com o inverno, assim é a morte para com a vida. Eles não são contra um ao outro. Não há nada contra coisa alguma, pois só existe uma energia; é uma existência. Minha mão esquerda e minha mão direita não estão uma contra a outra, elas são complementares. Opostos são exatamente como as asas de um pássaro, duas asas: elas parecem opostas uma a outra contudo elas apóiam uma a outra. O pássaro não pode voar com uma asa.

Tantra e Tao precisam ser experimentados juntos.

Yoga agora tem um grande insight para a disciplina, e Tao tem um grande insight para a espontaneidade. Eles são opostos na superfície, mas a menos que sua disciplina lhe faça mais espontâneo e a menos que sua espontaneidade lhe torne mais disciplinado, você não estará completo. Yoga é controle, Tantra é descontrole; e ambos são necessários.

Um homem precisa ser tão capaz de ordem que se surgir a necessidade ele possa funcionar em total ordem. Ordem porém, não deve se tornar uma fixação; senão ele se tornará um robô. Ele deve ser capaz de sair do seu sistema, de sua disciplina, sempre que for necessário, e ele pode ser espontâneo, flutuando num deixar ir. Que ele possa conseguir somente através do tantra, de nenhum outro lugar mais.

Estou trazendo todos os opostos para a vida de meus sannyasins como complementos.

Os ioguis estarão contra mim porque eles não podem ver como sexo e amor podem ser uma parte na vida de um buscador. Eles estão com receio. Eles estão com medo do sexo pois o sexo é a coisa mais espontânea na sua vida. Isso precisa ser controlado. Eles sabem que o sexo uma vez controlado, tudo mais fica controlado, desse modo o ataque básico deles é sobre o sexo.

Tantra diz que se seu sexo não for espontâneo toda sua vida se tornará semelhante a um robô. Ela tem que ser livre. Ambos estão certos, e ambos estão certos juntos! - essa é minha abordagem. Parecerá absurdo porque minha abordagem é bem ilógica. Lógica irá sempre insistir: Seja ou um iogui ou um Tântrico. Eu acredito na vida; não creio na lógica; e vida é ambos juntos.

Uma grande disciplina é necessário na vida, pois você tem que viver num mundo com tantas pessoas. Você tem que viver com disciplina; senão a vida se tornaria um caos. A vida ficaria impossível se você não pudesse viver com uma disciplina. Mas se você só vive com disciplina e esquece da espontaneidade e você se torna a disciplina e você não é capaz de sair fora disso, assim novamente a vida é perdida. Você tornou-se uma máquina. Agora, estas são as duas alternativas que estiveram disponíveis para o homem até agora: ou se torne um caos - que não é bom - ou se torne uma máquina. Que também não é bom.

Eu quero que você fique alerta, cônscio, atento, disciplinado, e ainda capaz de espontaneidade. Quando você estiver trabalhando, seja disciplinado. Mas trabalho não é tudo. Quando você estiver brincando, esqueça toda a disciplina.

Eu costumava ficar numa casa em Calcutá com um juiz da suprema corte. A esposa dele me disse, "Meu marido só escuta a você. Você é a única pessoa que pode trazer algo para a vida dele. Toda nossa família está cansada dessa atitude dele. Ele permanece o magistrado mesmo em casa". Ela disse, "Mesmo na cama ele permanece o juiz da suprema corte. Ele espera que eu o chame de, 'Meu Senhor'. Ele nunca é espontâneo, e em tudo ele cria regras e leis. As crianças estão cansadas. Quando ele entra em casa toda a casa cai no silêncio, toda alegria desaparece. Todos ficamos esperando que ele vá para a corte".

Agora, eu conheço esse homem: ele é um bom juiz, um magistrado muito consciencioso, muito sincero, honesto - e estas são boas qualidades - ele contudo tornou-se uma máquina. Se ele chega em casa e permanece o magistrado, isso não é bom. A pessoa tem que relaxar também. A pessoa precisa brincar com as crianças, mas ele não pode brincar com as crianças; isso seria se rebaixar demais. Mesmo com sua esposa ele permanece no alto pedestal, distante; ele ainda permanece o magistrado.

Isto é o que aconteceu com os seguidores da Yoga: eles não podem ser brincalhões, eles não podem desfrutar de coisa alguma, eles não podem participar na celebração... pois eles não podem relaxar.

Somente Tantra cria o caos. Só o Tantra lhe torna muito, muito egoísta. Você não se importa com ninguém. Você esquece que é uma parte de um imenso todo, que você pertence a uma sociedade, que você pertence a existência e você está comprometido com essa existência; sem isso você não estará em lugar algum. Você tem que preencher algumas exigências do lado da existência, do lado da sociedade. Se você se tornar completamente caótico, então você não pode existir. Assim ninguém pode existir.

Portanto, precisa haver um grande entendimento entre caos e mecanicidade. Exatamente no meio há um ponto onde eu gostaria que meus sannyasins estivessem, exatamente no meio; capaz de ir para ambos os extremos quando necessário, e sempre capaz de afastar-se daí. Eu ensino fluidez, eu ensino essa liquidez.

Não ensino padrões de vida fixos, gestalts mortas. Ensino sínteses para crescimento na vida, padrões de crescimento, gestalts de crescimento, e sempre capaz de compreender o outro, o oposto. Assim a vida é bela.

A gente só pode conhecer a verdade quando a gente for capaz de transformar os opostos em complementos. Só assim nossa vida é simétrica. Há um equilíbrio; ambos positivo e negativo ficam igualmente equilibrados. Esse equilíbrio é transcendência. Nesse equilíbrio a pessoa conhece o além, a pessoa se abre para o além. A flor dourada viceja.






1.9.05

ARES OU MARTE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Deus da guerra, filho de Zeus e de Hera. Deleitava-se com a guerra pelo sei lado mais brutal, qual seja a carnificina e o derramamento de sangue.

Inimigo da serena luz solar e da calmaria atmosférica, ávido de desordem e de luta. Ares era detestado pelos outros deuses, o próprio Zeus o odiava.

Tinha como companheiros nas lutas Éris, a discórdia; Deimos e Fobos, o espanto e o terror, e Ênio, a deusa da carnificina na guerra.

Amou Afrodite, da qual teve Harmonia, Eros, Anteros, Deimos e Fobos.

Deus da guerra e filho de Zeus, rei dos deuses, e sua esposa, Hera. Os romanos o identificaram com Marte, também um deus da guerra. Ares, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra.

Era impopular tanto com os deuses quanto com os humanos. Entre as divindades associadas com Ares estavam sua mulher Afrodite, deusa do amor, e divindades menos importantes, como Deimos (o Temor) e Fobos (o Tumulto), que o acompanhavam em batalha.

Embora Ares fosse bélico e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais. A adoração de Ares, que se acredita ter origem na Trácia, não se estendia à toda a antiga Grécia, e onde existiu, não tinha importância social ou moral. Ares era uma divindade ancestral de Tebas e tinha um templo em Atenas, aos pés do Areopago, ou Colina de Ares.

Filho de Zeus e de Hera, de quem terá herdado o carácter intratável (segundo seu pai), Ares nasceu na Trácia, o país das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. Ele pertence à geração dos doze grandes deuses do Olimpo, sendo venerado como o deus da guerra e da luta. A sua força física invulgar correspondia à sua fúria sanguinária. (Relacionamos o seu nome com a raiz grega arque significa: destruir.)

Ares era completamente obcecado pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os campos de batalha, coberto com uma armadura de bronze e munido com uma enorme lança, espalhando o terror. Habitualmente era acompanhado por Éris, a Discórdia, e pelas sombras Kéros, sequiosas de sangue fresco.

Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente, o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era Atena, deusa da razão, com quem entrava frequentemente em conflito. Ela dominava-o e atormentava-o facilmente, pois a violência de Ares era tão primária nas suas manifestações, tão pouco subtil, que o colocava assiduamente em situações humilhantes. Recordemos, a propósito, a sua captura pelos dois gigantes Aloídas, que o prenderam durante treze meses num vaso de bronze, até que Hermes o veio libertar. Mas a pior de todas as suas humilhações foi-lhe infligida por Hefesto.

Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu exactamente com o deus da guerra. Ora, para evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu segredo, Ares colocou como sentinela o seu favorito Alectrião. Mas, certa manhã, este adormeceu, e então Hélio descobriu o casal e avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da metalurgia lançou sobre os amantes uma rede invisível, a fim de os aprisionar. Depois convocou todas as divindades do Olimpo, para que elas assistissem ao despertar dos culpados e ao seu embaraço. Mais tarde, Ares, por vingança, transformou o seu favorito num galo que, a partir desse dia, vigiaria e anunciaria, pontualmente, o nascer do sol.

Afrodite foi, sem dúvida, o seu grande e único amor entre as imortais, a ponto de Ares se comportar como um amante possessivo e ciumento, desembaraçando-se ardilosamente dos seus rivais, como Adónis, a quem ele inspirou a paixão pela aventura, conduzindo-o assim à morte. Desta união ilícita nasceram diversas crianças (destacamos, entre outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas também o povo guerreiro das Amazonas, descendente de Ares, é apresentado, por vezes, como nascido de Afrodite). Apesar disto, Ares contraiu outras uniões, mas a sua posteridade não conheceu uma sorte invejável. Os filhos nascidos destes amofes são, todos eles, apresentados como seres sem grande importância, seres violentos e salteadores.

Flégias, por exemplo, incendiou por vingança o templo de Delfos, sendo morto por Apolo. Diomedes, que alimentava os seus cavalos com carne humana, acabou, ele próprio, por servir de repasto a estes animais. E o obstinado Meleagro só conheceu uma vida de provações e dificuldades. E, finalmente, a infortunada Alcipe foi violentada por um filho de Posídon, que Ares posteriormente matou. Mas Posídon procurou vingar-se, conduzindo-o perante o tribunal dos deuses, que se reuniu no próprio sítio do crime, numa colina de Atenas. Apesar de tudo, o assassino beneficiou de circunstâncias atenuantes, não sendo por isso sacrificado. E a colina onde se realizou o julgamento recebeu o nome de colina de Ares, o Areópago, servindo doravante de sede dos processos de carácter religioso.

Ares (os Romanos deram-lhe o nome de Marte) foi representado pelos escultores e pintores de todos os tempos (Roma, museu Borghèse e Paris, Louvre). Citemos, entre aqueles que o associaram a Afrodite (Vénus): Piero di Cosimo (Berlim), Botticelli (Londres), Mignard (Avigon), Le Brun (Louvre), Poussin (Louvre), Véronèse (Turim), Boucher (Londres); e entre aqueles que o pintaram na companhia de Atena (Minerva): Véronèse (Berlim), David (Londres), etc. Velásquez consagrou-lhe uma tela célebre (Madrid, museu do Prado).

O seu nome é conotado com a raiz mar, que evoca a força geradora - foi, inicialmente, para os Romanos, um deus agrário. Ele era especialmente adorado na Primavera (no mês de Março) e muito particularmente pela juventude.

Os seus atributos guerreiros só vieram mais tarde e acabaram por suplantar os anteriores, que foram transferidos para Libero. Marte é o deus dos exércitos (que manobram no campo de Marte, à volta das muralhas de Roma), travando batalhas ao lado dos seus fiéis, geralmente escoltado pela deusa Belona (sua irmã, sua esposa ou sua filha?).

O seu culto teve, em Roma, uma importância comparável ao culto de Júpiter. Com efeito, o Romano, camponês e soldado, reconhecia em Marte o seu protector imediato. Além disso, Marte era associado à história de Roma, nas suas origens: apaixonado pela vestal Reia Sílvia, ele visitara-a no bosque sagrado onde seu tio, o rei de Alba, a tinha aprisionado. Deste encontro amoroso nasceram Rómulo e Remo, os dois gêmeos que teriam sido alimentados por uma loba, animal consagrado a Marte.

Filho de Juno (Ovídio conta que a deusa o concebeu não como resultado dos seus amores com Júpiter, mas através de uma flor fecundante), Marte foi rapidamente identificado, pela lenda, ao deus grego da guerra, Ares.

O dia de Marte (Martís dies) é a terça-feira.






1.9.05

LLYR, THLEER, LIR, MANANNAN MAC LIR OU MANNAN-AWN MALIKLIR
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA E DO PAIS DE GALES
MITOLOGIA E FOLCLORE



Deus do oceano e água.

O Velho Homem do Mar.

Deus do oceano, navegantes, das tempestades, fertilidade, artes, renascimento.






1.9.05

SENDO AMAVEL
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Em uma noite de tempestade, muitos anos atrás, um homem e sua esposa entraram em um pequeno hotel para fugir da chuva.

- Você poderia nos arranjar um quarto? O marido perguntou.

O atendente, um homem jovem e gentil com um largo sorriso, olhou o casal e explicou que estavam acontecendo três convenções na cidade.

- Todos os nossos quartos estão ocupados. Disse o balconista. - Mas eu não posso deixar o simpático casal na chuva à essa hora da noite. Se estiverem dispostos a dormir em meu quarto... Não é exatamente uma suite, mas será o suficiente para deixar-lhes confortáveis durante a noite.

Quando o casal recusou, o jovem insistiu,

- Não se importem comigo. Eu consigo me ajeitar

Assim o casal acabou concordando.

Ao pagar a conta na manhã seguinte, o homem disse ao jovem atendente,

- Você é o tipo de gerente que deveria cuidar do melhor hotel do país. Talvez algum dia eu construa um para você.

O atendente deu-lhes uma piscadela e sorriu. Os três deram uma boa gargalhada. Enquanto se afastavam, o casal comentou entre si que encontrar pessoas tão amigáveis e úteis não é fácil.

Dois anos se passaram. O atendente tinha-se esquecido do incidente quando recebeu uma carta daquele homem. Lembrava daquela noite de tempestade e incluía uma passagem de ida e volta para New York, pedindo que o jovem lhes fizesse uma visita.

O homem o recebeu em New York e conduziu-se lhe à um ponto da quinta avenida. Apontou então um novo e grande edifício, um palácio de pedras avermelhadas, com torres apontando para o céu.

- Aquele, - disse o homem, - é o hotel que eu só construí para que você seja o gerente.

- Você deve estar brincando. Respondeu o jovem.

- Posso garantir-lhe que não estou. O homem respondeu abrindo um sorriso.

O nome do homem era William Waldorf Astor, e a estrutura magnífica era o original The Waldorf-Astoria Hotel, hoje um dos hoteis mais luxuosos do mundo.

Aquele atendente que se tornou seu primeiro gerente era George C. Boldt.

Aquele atendente jamais imaginou que uma atitude tão simples como a de cumprir bem e amavelmente o seu papel, lhe levaria a se tornar o gerente de um dos mais fascinantes hotéis do mundo






31.8.05

NARASIMA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA INDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



O leão-homem foi avatar de Vishnu. Brahma, tinha dado invulnerabilidade a um demônio durante o dia e durante a noite. O avatar matou o demônio ao crespúsculo.






31.8.05

ATENA E ARACNE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Atena foi desafiada por Aracne, uma presunçosa mortal, numa competição de destreza sobre a tecelagem de uma tapeçaria.

Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de Zeus.

Na tapeçaria, Leda estava acariciando um cisne, animal em que Zeus se transformara para poder entrar no dormitório da rainha casada e fazer-lhe a corte.

Um outro painel era de Dânae, a quem Zeus fecundou na forma de um chuvisco dourado; um terceiro painel representava a donzela Europa, raptada por Zeus disfarçado na forma de um majestoso touro branco.

O tema de sua tapeçaria era a ruína de Aracne, Atena ficou tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e induziu Aracne a se enforcar.

Depois, sentindo pena, Atena deixou Aracne viver, e transformou-a em aranha, condenada para sempre a tecer. Observe-se que Atena, muitíssimo defensora de seu pai, a puniu por tornar público o comportamento velhaco e ilícito de Zeus mais do que pelo desaforo do próprio desafio.

Atena, conforme consta nos arquivos mitológicos,nem conheceu homem nem se preocupou por nenhum deles, fosse mortal, semi-divino ou plenamente entronado no Olimpo.

Mas a deusa-virgem também foi a sagrada inventora da maior parte das coisas e dos ofícios úteis para a humanidade que nela confiava. Entre as suas invenções está a fiação e o tecido e, nessas questões, os seus ciúmes profissionais eram tão fortes como os de uma mulher apaixonada no amor.

Pois bem, há um momento na crônica de Atena em que surge a paixão e a divina dama perde o controle dos seus temperados nervos de aço.O caso foi que Aracne, princesa de Lídia, que era uma hábil e primorosa donzela com o tear, elaborou uma tela maravilhosa, que teria que ser a sua última obra.

Atena teve nas suas mãos o pano de Aracne e, à medida que o examinava, crescia a sua irritação, porque o pano da princesa era mais belo do que nenhum que tivesse visto, tão perfeito como se tivesse sido obra dos poderes celestiais. Aquela demonstração de perfeição e arte era demasiada humilhação para a deusa.

Perante o delicado desenho de um Olimpo cheio de quadros plenos de colorido e intenção, em que se descreviam as mais românticas cenas dos povoadores de tão ilustre morada, Atena não soube senão que não devia: destroçar o pano até reduzi-lo a farrapos.

Aracne, dolorida ou aterrorizada pela crueldade da sua rival têxtil, suicidou-se, enforcando-se no teto. A vingança de Atena não terminou com a sua morte e a deusa satisfez-se até o infinito, fazendo com que, a partir desse momento, a pobre Aracne passasse a ser uma aranha, com a sua corda de morte transformada em fio salvador que lhe permitiu desandar o caminho da morte até voltar à vida, embora (isso sim) já convertida num inseto pouco engraçado e ainda menos apreciado.






31.8.05

PROCURA-SE UM AMIGO
VINICIUS DE MORAES
CONTOS E LENDAS



Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.

Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.

Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.

Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.






30.8.05

CONCHOBAR MAC NESSA
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Rei do poderoso reino de Uladh (Ulster), ao norte da ilha de Irlanda.

Figura representativa do caráter sagrado da realeza irlandesa e personificação do reino.

Como protetor, pacificador, árbitro e juiz supremo, garante a prosperidade do reino.

Ainda estava casado quando se enamorou perdidamente por Deirdre, filha de um chefe de Ulster.

No momento de seu nascimento, um druida predisse que seria a mulher mais bela da Irlanda, mas também seria a causa da morte e destruição que assolaria o país.

Quando Deirdre cresceu, Conchobar já era velho, assim que o rechaçou e teve um caso com um jovem guerreiro chamado Naoise, o rei não deixou de amá-la e fez com que assassinassem Naoise, casando-se mais tarde com Deidre.

Ela, desesperada, suicidou-se, jogando-se de um carro em marcha.

Fergus Mac Roth, aborrecido com o comportamiento de Conchobar, passou-se para o lado dos inimidos de Ulster e começou uma guerra.

Conchobar morreu por magia, um projétil feito com Conal com o cérebro de um rei de Leinster assassinado, que se alojou em seu crânio. Os médicos aconselharam ao rei repouso e tranquilidade, porém anos mais tarde sofreu um acesso de fúria e, em conseqüência, o projétil mágico o matou.







30.8.05

EL PRISIONERO DE SAMARCANDA
IDRIES SHAH
CONTOS E LENDAS SUFI



Hakim Iskandar Zaramez y Abdulwahab el Hindi pasaban un día por la esquina de una gran casa de Samarcanda, cuando oyeron un grito salvaje.

"Están torturando a algún pobre desgraciado", dijo el Hindi, deteniéndose y escuchando cómo los gritos aumentaban.

"¿Te gustaría aliviar el sufrimiento?", preguntó Zaramez.

"Por supuesto. En tu condición de wali, de santo, seguramente puedes hacerlo, con el permiso de Dios."

"Muy bien", dijo el Hakim, "voy a demostrarte una cosa".

Zaramez se alejó cinco pasos de la esquina de la casa. Los gritos dejaron de oírse.

"¡Te alejas y cesa el ruido! Yo siempre he oído decir que es acercarse a alguien afligido lo que mitiga el dolor", dijo El Hindi.

El Hakim sonrió, pero no dijo nada más, haciendo el gesto que entre los sufíes significa: "En un determinado momento, una pregunta puede no tener respuesta por el estado de quien pregunta."

Muchos años después, cuando El Hindi estaba en Marruecos, una noche oyó cómo un derviche contaba sus experiencias a un grupo de estudiantes, en la recoleta ciudad de Maula Idriss. Entre otras cosas, el derviche contó lo siguiente:

"Cierto día del mes de Ramadán el Mubarak, hace muchos años, me tomaron por un vagabundo por mi manifiesta miseria y mi aspecto de pordiosero. A la espera del juicio, me encerraron en una celda de piedra situada en una de las esquinas del muro exterior de la casa de Kazi. Esto sucedió a las afueras de Samarcanda, al norte.

"De repente sentí, de forma inequívoca, la presencia de un santo afuera, no muy lejos. Entonces me alegré de mi suerte, y me senté en silenciosa meditación. Empecé a gemir, a chillar y a agitarme, porque había un poder sobre mí, y porque no podía escapar por mucho que quisiera acercarme a él.

"Después, noté que se había alejado, molesto con mi alboroto. Le dejé que se acercara de nuevo, quedándome tan tranquilo y silencioso como la noche."

El sheik del círculo del derviche dijo:

"Tu experiencia podía haberte enseñado que a la gente le afecta mucho más la baraka* cuando se encuentra según todas las apariencias más allá de su alcance. El wali estaba enseñándote eso, aunque tú estabas encerrado y él, a los ojos de algún observador, parecía estar haciendo otra cosa bien diferente, o nada en absoluto."

El Hindi cuenta:

"Gracias a este hecho empecé a comprender de verdad que no es sorprendente que la gente tenga "experiencias espirituales". Lo que puede ser sorprendente es que las tengan tan pocas personas y lo que sin duda es aún más sorprendente es que, en vez de aprender de esas experiencias, las veneren y las tomen por lo que no son."

* En sentido general, significa "bendición", "poder impalpable". En un sentido más estricto, los sufíes utilizan este término como la "transmisión espiritual" que un maestro lleva a cabo con un discípulo. (N. del T.)







30.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à professora:

Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:

Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse:

Eu trouxe esta flor, não é linda?

A segunda criança falou:

Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha coleção.

A terceira criança completou:

Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?

E assim as crianças foram se colocando.

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.

A professora se dirigiu a ela e perguntou:

Meu bem, por que você nada trouxe?

E a criança timidamente respondeu:

Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la.

Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?

A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no coração".







30.8.05

POR QUE MINHA ESPOSA COMPROU ALGEMAS
PHILIP GULLEY
CONTOS E LENDAS




Quando eu tinha 23 anos, tomei a melhor decisão de minha vida. Pedi em casamento uma mulher bonita e engenhosa. E ela aceitou, contrariando os conselhos de suas amigas, de sua família e de uma boa parte dos habitantes do mundo ocidental. No dia do nosso casamento, as damas de honra usaram roupa preta.

Por oito anos, eu fui um exemplo de responsabilidade. Trabalhava muito. Enxugava a louça. Abaixava a tampa do vaso sanitário. Logo depois, minha esposa engravidou. Passei a freqüentar cursos de gravidez e aprendi a ser solidário. Quando levamos Spencer para casa, eu me levantava à noite com minha esposa para alimentá-lo. E, quando ele regurgitava em mim, eu agia com bom humor.

Três meses depois do parto; Joan voltou a trabalhar fora, em seu emprego de meio expediente. Na manhã do primeiro dia de trabalho, ela me alertou para ficar de olho em nosso filho. Senti-me ofendido e disse a ela:

— Por favor, querida, será que já não provei que sou um pai confiável?

Por isso, penso que foi a desconfiança de minha esposa que me fez esquecer de levar meu filho comigo quando fui à mercearia naquela tarde.

Eu já estava a caminho da mercearia quando olhei ao redor. Ele não se encontrava ali! Corri para casa e o encontrei no berço, olhando-me com ar carrancudo. Eu sabia o que ele diria quando aprendesse a falar. Confessei meu erro a Joan em um jantar à luz de velas, presenteando-a com uma nova pulseira de prata.

Por ser cristã, Joan perdoou-me e deu-me mais uma chance. Na manhã seguinte, após ter-me algemado a Spencer, ela disse:

— Querido, eu confio em você.

Ao refletir sobre esta experiência, aprendi duas lições: A primeira é que ter filhos causa um dano irreparável às áreas do cérebro relacionadas com a memória; e a segunda... ah... qual é mesmo a segunda? Ah, sim, a segunda é: Às vezes, todos nós nos sentimos esquecidos.

Na verdade, aprendi a segunda lição quando era criança. Durante uma viagem de carro, minha família também se esqueceu de mim. Estávamos de férias — cinco crianças, mamãe e papai — e paramos para comer no Stuckey’s. Eu estava no banheiro quando eles entraram no carro e partiram. Só depois de rodarem mais de 30 quilômetros foi que notaram a falta de um dos filhos. Fizeram uma votação e decidiram voltar para me buscar. A votação quase empatou, mas mamãe mudou de idéia no último minuto.

As vezes, então, podemos nos sentir esquecidos. O texto mais triste da Bíblia é aquele quando Cristo pergunta a Deus por que Ele o abandonou. Se Cristo sentiu-se desamparado, como é que nós podemos deixar de nos sentir esquecidos e abandonados?

Alguns estudiosos da Bíblia dizem que não foi isso que Jesus quis dizer, quando clamou na cruz. Eles dizem que Jesus estava citando a primeira frase do Salmo 22, e que repetiu aquelas palavras para confirmar a conclusão vitoriosa daquele salmo. Tenho um grande respeito pelos estudiosos da Bíblia, mas eles estão redondamente enganados a respeito disso. Penso que Jesus se sentiu esquecido.

Contudo, o túmulo vazio nos prova que Ele foi lembrado. O mesmo acontece conosco. E é isso que vou contar a meu filho assim que me lembrar de onde eu o deixei.







29.8.05

O LEÃO E OS GATOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Um leão encontrou um grupo de gatos conversando. "Vou devora-los", pensou.

Mas começou a sentir-se estranhamente calmo. E resolveu sentar-se com eles, para prestar atenção no que diziam.

- Meu bom Deus - disse um dos gatos, sem notar a presença do leão.

-Oramos a tarde inteira! Pedimos que chovessem ratos do céu!

- E, até agora, nada aconteceu! - disse outro.

- Será que o Senhor não existe?

O céu permaneceu mudo. E os gatos perderam a fé.

O leão levantou-se, e seguiu seu caminho, pensando:" veja como são as coisas. Eu ia matar estes animais, mas Deus me impediu. Mesmo assim, eles pararam de acreditar nas graças Divinas: estavam tão preocupados com o que estava faltando, que nem repararam na proteção que receberam.







29.8.05

DE OLHO NAS METAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Era uma vez um cocheiro que dirigia uma carroça cheia de abóboras.

A cada solavanco da carroça, ele olhava para trás e via que as abóboras estavam todas desarrumadas.

Então ele parava, descia e colocava-as novamente no lugar. Mal reiniciava sua viagem, á vinha outro solavanco e... tudo se desarrumava de novo.

Então ele começou a ficar desanimado e pensou: "jamais vou conseguir terminar minha viagem!

É impossível dirigir nesta estrada de terra, conservando as abóboras arrumadas!".

Quando estava assim pensando, passou à sua frente outra carroça cheia de abóboras e ele observou que o cocheiro seguia em frente e nem olhava para trás: as abóboras que estavam desarrumadas organizavam-se sozinhas no próximo solavanco.

Foi quando ele compreendeu que, se colocasse a carroça em movimento na direção do local onde queria chegar, os próprios solavancos da carroça fariam com que as abóboras se acomodassem em seus devidos lugares.

Assim também é a nossa vida: quando paramos demais para olhar os problemas, perdemos tempo e nos distanciamos das nossas metas.







25.8.05

AS MOIRAS, PARCAS OU DESTINOS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Fala-se muito sobre as "escolhas" que as pessoas fazem; se coisas boas ou ruins acontecem, são por suas escolhas; que todos construímos e moldamos nossas vidas e destino através de nossas escolhas. Entretanto, existem inúmeros fatos que não corroboram essas afirmativas. Desde o nascimento até a morte - os dois principais pontos de não escolha - vivenciamos situaçõesque independem de nossa vontade, tais como: poder ter ou não filhos, que estes nasçam sadios, sofrer ou não de determinadas doenças de ordem genética, etc. E, isso é o que chamamos destino ou fatalidade, que era representado na Grécia Antiga pelas três deusas Moiras (ou Parcas).

As três Moiras são: Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida; Átropos, a que cortava o fio da vida; e, Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma.

Existia, ainda, na Grécia Antiga, uma outra fatalidade, a úpermoira, que era uma sina que a pessoa atraía para si em função do pecado, ou seja, era uma conseqüência do pecado. E úpermoira podia ser evitada.

Então, pode-se dizer que a fatalidade ou sina determinada pelas Moiras é uma predestinação que só pode ser enfrentada, mas não evitada. Não é determinada por boas ou más ações do sujeito ou de seus pais; não está ligada a uma vida com ou sem pecado. Já a úpermoira, sim.

Enfrentar a sina exige e desenvolve o caráter (do grego, xaracter que significa ser alguém definido), ou seja, determinados princípios a que se permanece fiel independente de confrontações. E este é o caminho para a individuação, o caminho para realizarmo-nos como indivíduos únicos.

Sendo a fatalidade inevitável, o mesmo não se pode dizer do destino pois este pode ou não ser cumprido, sendo determinado pela maneira que enfrentamos as fatalidades e fazemos nossas escolhas (caráter).

As Moiras, a que os Romanos chamaram Parcas (por eufemismo, parco significa economizar), nascidas da Noite no princípio dos tempos (a menos que elas não sejam o fruto da união de Zeus e da sua segunda esposa, Témis, deusa da justiça), representam na Antiguidade o destino de cada indivíduo.

Elas são as três fiandeiras. Submetidas à autoridade e ao controlo de Zeus, Cioto fabrica o fio (curso) da existência, Láquesis desenrola este fio e Átropos corta-o.

As Moiras são assistidas na sua função fatal pelas keres, as cadelas do Hades que, quando chega a última hora de um mortal, se apoderam do seu corpo para o conduzir a Pluto. Elas têm, também, um papel activo nas batalhas, onde se alimentam do sangue dos mortos.

Originalmente, Parca significava "parte" - de vida, de felicidade, de infortúnio. Cada ser humano possuía a sua Parca.

Depois, essa abstração tornou-se uma divindade, assemelhando-se à Quere, sem ter, entretanto, o mesmo caráter violento e sanguinário.

Aos poucos, desenvolveu-se a idéia de uma Parca universal, dominando o destino de todos os homens. E, finalmente, passou-se a conceber três Parcas. Filhas de Júpiter e Têmis, ou, segundo outra versão, da Noite, personificavam o Destino, poder incontrolável que regula a sorte de todos os homens, do nascimento até a morte. Nem mesmo os deuses podiam transgredir suas leis, sem por em perigo a ordem do mundo. Seus nomes correspondiam a suas funções:

. Cloto, a fiandeira, tecia o fio da vida de todos os homens, desde o nascimento;

. Láquesis, a fixadora, determinava-lhe o tamanho e enrolava o fio, estabelecendo a qualidade de vida que cabia a cada um;

. Átropos, a irremovível, cortava-o, quando a vida que representava chegava ao fim.

Como deusas do Destino, as Parcas presidiam os três momentos culminantes da vida humana: o nascimento, o matrimônio e a morte.

São representadas como velhas ou, mais freqüentemente, como mulheres adultas de aspecto severo.

As três deusas que determinavam a vida humana e seu encadeamento. Conhecidas como Moiras, os Destinos repartiam para cada pessoa, no momento de seu nascimento, uma parcela do bem e do mau, embora uma pessoa pudesse acrescer o mau em sua vida por si própria.

Retratadas na arte e na poesia como mulheres velhas e severas, ou como virgens sombrias, as deusas eram freqüentemente vistas como fiadeiras. Cloto, a fiadeira, tecia o fio da vida; Láquesis, a distribuidora de quinhões, decidia a quantidade e designava o destino de cada pessoa; e Átropos, a inexorável, carregava o poder de cortar o fio da vida no tempo designado. As decisões dos Destinos não podiam ser alteradas, nem mesmo pelos deuses.







25.8.05

SOBRE O DESPERTAR
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



O Rabino Jacob costumava dizer:

"É melhor um único momento de compreensão neste mundo, que toda a eternidade no mundo que virá.

"É é melhor um único momento de paz interior neste mundo, que toda a eternidade em paz.

"Por que? Um simples momento de compreensão neste mundo traz em si a própria eternidade. E a paz que encontraremos no mundo que virá, está presente em um cada minuto de paz nesta vida."









25.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Oi, como você acordou esta manhã? Eu vi você e esperei pensando que falaria comigo, mesmo que fossem apenas umas poucas palavras, querendo saber minha opinião sobre alguma coisa ou mesmo Me agradecendo por algo bom que aconteceu em sua vida ontem.

Você mandou e-mails pra todos os seus amigos, mas não falou comigo..

Tudo bem! Notei que você estava muito ocupado tentando encontrar uma roupa apropriada para o trabalho. Então, esperei outra vez...

Quando você andou pela casa, de um lado para outro, já pronto, Eu estava lá.

Seriam poucos minutos para você dizer-me "alô, Amigão!". Mas você estava realmente muito ocupado. Como você ainda tinha 15 minutos antes de sair de casa, gastou esse tempo sentado em uma cadeira, sem fazer nada!

Então, Eu o vi se mexer, olhando para os seus pés que se movimentavam, e pensei que queria falar Comigo, mas você dirigiu-se ao telefone e ligou para um amigo para contar as últimas novidades.

Na hora do almoço, esperei pacientemente outra vez enquanto você estava assistindo TV e comendo a sua comida. Porém, mais uma vez você não falou Comigo!

Na hora de dormir você devia estar muito cansado, pois apenas disse boa noite para a sua família, pulou na sua cama, caiu no sono e dormiu rapidamente. Tudo bem! Talvez você não saiba que Eu sempre estou ao seu lado, disponível. Tenho muita paciência! Muito mais do que você possa imaginar. Eu mesmo quero ensinar-lhe como ser paciente com as outras pessoas e como ser bom.

Amo tanto você que espero todos os dias por um sinal seu, um simples inclinar de cabeça, uma oração, um pensamento ou um agradecimento. Sabe, é muito difícil uma conversa quando só existe um lado! Só um disposto a conversar.

Bem, você vai se levantar outra vez para um novo dia e mais uma vez e mais outra vez, e outra vez, sem falar comigo. E serão muitas vezes...

Um abraço do seu sempre Pai e Amigo,

JESUS







24.8.05

GIBRAN E OS SENTIDOS
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Estamos acostumados com a velha desculpa: embora saibamos que nosso coração conhece a melhor decisão a tomar, nunca seguimos o que ele diz. Para compensar nossa covardia, terminamos nos convencendo de que ele estava enganado. Uma bela história de Gibran ilustra até onde nos podem levar as limitações.

O Olho disse:

- Vejam que bela montanha temos no horizonte!

O Ouvido tentou escuta-la, mas não conseguiu. A Mão falou:

- Estou tentando toca-la, mas não a encontro.

O Nariz foi conclusivo:

- Não existe montanha, pois não sinto seu cheiro.

E todos chegaram a conclusão de que o Olho estava enganado.







24.8.05

O SAMURAI E O MESTRE ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:

- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"

O Mestre falou:

- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:

- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:

- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.

"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"